19/11/2020

VinteVinte - 126




126.

 

RAUL, O ROEDOR

 

Coimbra, terça-feira, 25 de Agosto de 2020

 



    Cavalo negro & gato branco partilham o instante no jardim da mansão senhorial. Nem espírito nem porvir. Nem valor nem regulamento. Todo o prejuízo só pode vir – se vier – do sujeito que olha. O atavismo há-de ser dele. 

    Em outra ou mesma matina, três mosqueteiros (re-)unem-se na atenção que lhes atiro: Paul Valéry, Pierre Louÿs & André Gide. Palavrosos, interessantes. Depois Heidegger, muito interessante, justapoedor de neologismos carregados de intenção significativa relativamente ao Ser, ao Nada, à Autenticidade & à Liberdade. 

    Como descampados pontuados aqui-além, também a memória se me salpica de casas devolutas. Nem fantasmas as habitam. Invade-as a erva & o mato de alguns versos, nada mais. 

    Algum fruto, enfim, isto vai dando. 
    Frescura nova, a noite mais antiga. 
    Descer parece ser mor pontaria. 
    A vaga há-de chegar, tudo levando. 

    (É inelutável ir aprendendo sempre. Reconhecer o mau & o mal; identificar o bem & o bom.) 

    Para muito, é tarde de mais. 
    Para outro tanto, nunca devera haver sido cedo. 

    Ou então Raul Brandão assim em Húmus: 

    “O homem rói dentro do homem: criam-se olhos que vêem na obscuridade.” 


Sem comentários:

Canzoada Assaltante