Friday, February 20, 2009

Rosário Breve nº 91 nO Ribatejo - www.oribatejo.pt

A vida de Sócrates


“Seus pais eram pobres, mas a lei impunha ao pai a obrigação de mandar dar alguma instrução aos filhos. Sócrates aprendeu, pois, o que era então hábito ensinar às crianças; isto é, a ginástica e a música, que compreendiam, entre os antigos, todos os exercícios do corpo e do espírito e constituíam uma educação pouco mais ou menos completa das faculdades humanas. (…)
Segundo vontade de seu pai, Sócrates entregou-se primeiramente à escultura. (…) Ignora-se por quanto tempo Sócrates exerceu o ofício de escultor; o que é certo é que acabou por o pôr de parte. Desde a primeira juventude manifestara uma curiosidade das mais vivas por todas as questões científicas e filosóficas. (…) Sócrates começou por se virar avidamente para todos os filósofos que se lhe ofereciam. Mas, nesta busca ardente duma fórmula definitiva da verdade, não encontrou as satisfações esperadas. (…) Uma tal diversidade de opiniões só conseguiu irritar a curiosidade inquieta do jovem Sócrates. Mais apaixonado pela verdade do que a maior parte dos seus contemporâneos, não fazia da especulação um puro jogo, não repousava na contemplação de ideias incertas ou inúteis; só podia ligar-se a princípios indiscutíveis (…).”

E pronto, assim se expressa o desaforado P. Landormy a propósito de Sócrates, a propósito de quem também as senhoras professoras M. Helena Varela Santos e Teresa Macedo Lima garantiram que “Sócrates nada escreveu.” E pior: “Sócrates desviou-se da pesquisa sobre a natureza, procurando limitar a sua investigação aos problemas éticos e assim fundamentar uma nova sabedoria para a prática.” E muito pior: “Aos que pretendem tudo saber e tudo querer ensinar, Sócrates proclama ‘só sei que nada sei’, daí nada poder ensinar.”
Mas muitíssimo pior deixou Xenofonte: “(…) os que mais se vangloriam de saber raciocinar sobre o assunto não estão de acordo entre si, mas comportam-se uns a respeito dos outros como fazem os loucos…”.
A vida de Sócrates está No Reino dos Porquês – O Homem do Outro Lado do Espelho (Filosofia para o 10º ano, Porto Editora, 1979). Há trinta anos que lá está: do outro lado do espelho.

2 comments:

alice said...

achas que a alice e o sócrates alguma vez se encontrarão do outro lado do espelho? ela para lhe perguntar as coisas fundamentais da vida, ele para lhe responder?

:)

daniel.abrunheiro@gmail.com said...

Oxalá que não, minha querida amiga.