sexta-feira, maio 24, 2019

quarta-feira, abril 24, 2019

O senhor meu Pai morreu faz hoje 25 anos


Daniel dos Santos Abrunheiro

10 de Abril de 1917

24 de Abril de 1994



O Senhor não me Faltará


1



Relicário da apaziguada emoção
esta luz na frescura matinal
olha-me nos olhos tal o retrato
seu encostado aos livros de pintura.



É muito bonito olhar um morto
que nos olha nos olhos à luz
da manhã viva.



Deve ser porque o amor continua
em casa num retrato
e à luz da manhã
na rua.



2



Sigo vendo a lápis as rosas.
Quem em menino vê o Pai desenhar
não mais outra natureza há-de
esboçar.



3



Esta história de amor é das que não acabam bem
porque
esta história de amor é das que não acabam.



4



Pai
repare que continuo.



5



Pai
repare que continuo
a tratá-lo por
senhor.



6



Eu sei
sou tão sensível à luz
por ser
negativo.



7



Depois de nós
as árvores fazem
como antes.



8



Uma vez na minha vida
entre Elvas e Coimbra
parei numa praça solar de Évora.



Vi o senhor em todos os homens.
Vi o senhor de novo coxeando
como as pombas



uma vez na minha vida.



9



Homens na noite tenho visto
aumentando a noite derredor
como súbitos fósforos acesos.



Vejo o senhor na manhã.



10



Beijo o senhor na manhã.



11



Já se me musgam as fontes da cabeça.
Cabelo nasce-me do imo dos ouvidos.
Suspiro já solfejos assobiados.
Só não sei desenhar rosas como o senhor.



De resto
estou pronto.

12



Acendo o carvão e esqueço-me das sardinhas
como o senhor
fico a olhar o lume.


13


Tive de
de novo
nascer longe
quando o senhor
se foi embora 
para longe.


14


Vivo o andamento do meu amor
como vive o remador
em barco e água.


15


Lego aos meus leitores
o outono vitalício do legado
do senhor.

Faço assim:

na orla de um lago entre árvores
toco a pele da água com a água
dos meus olhos.


Dos meus olhos
então
de novo
o olhar do senhor.


Ele
o senhor
é quem olha
os leitores.


Não já eu.


16


O meu Pai é o senhor.


17


O senhor é o meu Pai.
Nada me faltará.


18


O senhor pintou 
em azulejo a tinta de baixo-fogo


o D. Fuas Roupinho e o veado suspenso
o S. Jorge e o dragão assassinado
a Sãozinha da Abrigada e as rosas virginais
o Padre Américo e as crianças sacristas
o S. José e o Filho do Outro
o Simón Bolívar e o labirinto emigrante
a Santa Teresa de cabeça enegrecida
o S. Pedro e as chaves que não abrem
a sua irmã Maria e a tuberculose das varinas
a Alexandrina de Balasar e os lírios paraplégicos
o Lenine olhando o senhor nos olhos
a Lígia pequenina na fonte de Antuzede
e a sua mulher olhando-nos nos olhos
como se a minha Mãe fosse o Lenine
ou
a Sãozinha da Abrigada com rosas virginais.


19


À tal orla do tal lago entre árvores tais
usa a água chegar em apaziguadas ondas.


É o trabalho do sal nos olhos.


Agora os meus.


20


Por não saber lapijar rosas
junto outonos numa caixa feita de
língua portuguesa.


21


A manhã não é como o senhor
porque termina.
Tenho de ir para casa
fazer o almoço
tenho sardinhas e lume
para acender.


sábado, março 23, 2019

Joni Mitchell - Both sides now









Both Sides Now
Joni Mitchell

Rows and floes of angel hair
And ice cream castles in the air
And feather canyons everywhere
I've looked at clouds that way

But now they only block the sun
They rain and snow on everyone
So many things I would have done
But clouds got in my way

I've looked at clouds from both sides now
From up and down, and still somehow
It's cloud illusions I recall
I really don't know clouds at all

Moons and Junes and Ferris wheels
The dizzy dancing way you feel
As every fairy tale comes real
I've looked at love that way

But now it's just another show
You leave 'em laughing when you go
And if you care, don't let them know
Don't give yourself away

I've looked at love from both sides now
From give and take, and still somehow
It's love's illusions I recall
I really don't know love at all

Tears and fears and feeling proud
To say "I love you" right out loud
Dreams and schemes and circus crowds
I've looked at life that way

But now old friends are acting strange
They shake their heads, they say I've changed
Well something's lost, but something's gained
In living every day

I've looked at life from both sides now 
From win and lose and still somehow 
It's life's illusions I recall
I really don't know life at all

I've looked at life from both sides now 
From up and down and still somehow
It's life's illusions I recall
I really don't know life at all

Bela versão, bela voz convidada - Sting and Rufus Wainwright Wrapped around your finger 720p

quarta-feira, março 20, 2019

Há 32 anos, um Gigante tomou Lisboa: Astor PIAZZOLLA Quinteto en Lisboa 1987 (completo).Archivo Hugo Omar Vig...

Braga, 20 de Março de 1900 - lugar/data do manuscrito original de VIOLONCELO, de Camilo Pessanha (n. Coimbra, 7 de Setembro de 1867 — f. Macau, 1 de Março de 1926)





VIOLONCELO
         
Chorai arcadas 
Do violoncelo! 
Convulsionadas, 
Pontes aladas 
De pesadelo...


De que esvoaçam, 
Brancos, os arcos... 
Por baixo passam, 
Se despedaçam, 
No rio, os barcos.



Fundas, soluçam 
Caudais de choro... 
Que ruínas, (ouçam)! 
Se se debruçam, 
Que sorvedouro!...



Trémulos astros... 
Soidões lacustres...
—: Lemos e mastros...
E os alabastros 
Dos balaústres!



Urnas quebradas! 
Blocos de gelo...
— Chorai arcadas, 
Despedaçadas, 
Do violoncelo.



Camilo Pessanha

terça-feira, março 19, 2019

Coimbra, segunda-feira, 18 de Março de 2019




Na Rua da Moeda, dois taxistas que vieram merendar. Não moços já (e nunca mais). Oram alto, perorando mal. Dão-se mais mal ainda com a democracia. Manifestam nostalgia – de salazar-salazar-salazar. Até que.
Até que um mano desenvolto, que a uma mesa próxima merendava também, se ergue de corpo & voz, assim lhes manifestando:

Não sei s’é deste vinho ser bom, s’é de ser boa a puta que vos pariu.

E os salataxizaristas, covardes como é de lei, pagam & desandam.
Moral-da-História: 25-de-ABRIL-SEMPRE!

Uma daquelas noites como a noite deve ser - Brad Mehldau "Three Pieces after Bach" à la Philharmonie de Paris – ARTE...

sexta-feira, março 15, 2019

Mário Eloy nasceu há 119 anos

Nascimento: 15 de Março de 1900,Algés

Falecimento: 5 de Setembro de 1951, Lisboa


sexta-feira, janeiro 25, 2019

Contraponto (de 1928) - por ALDOUS HUXLEY (1894-1963)





Continua a ser leitura de referência 

- um clássico moderno, digo mesmo.