quinta-feira, fevereiro 22, 2018

Especulação do faminto - Rosário Breve n.º 543 in O RIBATEJO de 22 de Fevereiro de 2018 - www.oribatejo.pt





Especulação do faminto



A informação em excesso torna-se, por contraponto de saturação, desinformação. Tal verborreia sem stop é uma massa tóxica que envenena o espírito crítico do maralhal. O mais certo é que seja mesmo para isso: para acarneirar com força o pessoal. O recente fim-de-semana de 17 & 18 do corrente confirmou-no-lo sem apelo & com agravo. Na noite que mediou sábado & domingo, fingi sonhar que os papéis protagonistas tinham sido enganosamente atribuídos. Isto é: que, na verdade, Bruno de Carvalho vencia por quase unanimidade o congresso do Partido Social Democrata e que Rui Rio entregava de mão-bandejada a Marques Mendes a secção de basquetebol do Sporting Clube de Portugal. No entanto, a segunda-feira ulterior contrariou-me a ficção, como é aliás timbre de todas as segundas-feiras da vida.
Sobrevivi a essa afinal ténue decepção: na terça-feira imediata, já a autoridade do esquecimento exercia sobre mim e sobre o nosso País a veleidade da indiferença. Na véspera, eu fôra a uma repartição pública. Enquanto esperava vez, lapijei no bloco-notas: “Antigamente, a ignorância era envergonhada. Hoje, é atrevida, é insolente – e, portanto, mais insuportavelmente imperdoável. Não me refiro ao analfabetismo livresco. Refiro-me, sim, à arrogância voluntária do tipo não-sei-nem-quero-saber-e-tenho-raiva-a-quem-sabe. Sou invariavelmente intolerante ante tal bruteza feroz – sobretudo quando tal espécie de gente se alcandora a postos de mando & comando públicos (os privados não me interessam, neste caso) para os quais não revela pertinente mérito, nem reconhecida aptidão, nem particular competência.”
Uma hora depois, satisfeita a necessidade burocrática que me levara a tal repartição do Estado, mudei de sede. Anotei então: “É em pacata mudez que me dou a estas considerações no curso da bela manhã de Inverno. Ante a minha posição sedentária, nesta praceta livre como o ar mesmo que a vivifica, o choupo sobe principescamente a frescura da hora, encavalitados nele quatro pardais o mais vivazes, o mais furiosamente felizes – conjunto (ou conjunção) flora-animal que me é de refrigerante consolação estética.”
Até aqui, enfim, tudo bem – o problema residia na minha hesitação. Sim, eu hesitava: por que linha seguir cronicamente? Pardais? Repartição? Choupo? Jornalixo? Bruno? Rio? Eu-próprio-outra-vez? Valeu-me dispor de mais notas a lápis. Uma delas trocadilhava sobre o “papel papal” de Francisco, pontífice-sumo que muito me admira não ter sido ainda envenenado pela padralhada pedófilo-banqueira-ultramontana-PioXII(naz)ista. Outra nota soluçava, em verso adiado sine die, a “identidade permanente do coração – que se chama volubilidade.” Outra, ainda, marcava passo à passagem de uma gaja mesmo muito boa – assim: “Ao sol tíbio, vejo passando uma mulher segura de si, a cabeleira dela, tornada fulva pela refracção da luz, chispando dardos de oiro, o peito dela duplicando o milagre do leite adiado.”
Todavia, restava por fazer a crónica. Eu sabia que me era tão-só necessário evitar essa víscera chamada coração, ir pelo racional, seguir pelo lógico, fugir pelo concreto – mas o problema era a fusão toda nuclear PSD/SCP, que continuava, afinal, a zunir-me nos pavilhões auditivos. Outro problema: a formosa manhã invernal dera-se entretanto a pluvial, pois que, quase de repente, e fundida com o ar, a morrinha viera tornar respirável a água de São Pedro. Nisto, era já hora-de-almoço – e eu esquecera-me de trabalhar para merecer a sandes. Comparei a escandalosa evidência famélica do meu presente à fartura gordurosa do passado – e vi logo as diferenças, como na página de entretenimento dos jornais. Felizmente, não me deu para a melancolia. Deu-me, isso sim, para especular sobre a obscura razão pela qual o Rui Rio não pôs ao Santana os patins da secção de hóquei do glorioso Sporting. E também sobre que raio irá agora fazer Bruno de Carvalho da senhora Elina Fraga.

quinta-feira, fevereiro 15, 2018

Fala o órfão inédito - Rosário Breve n.º 542 in O RIBATEJO de 15 de Fevereiro de 2018 - www.oribatejo.pt





Fala o órfão inédito




“Estou de volta à Cidade que, através de um homem e de uma mulher que se amaram, me deu nascimento.”
A 31 de Maio de 2010, assim começava – e ainda começa – um livro que ainda não arranjei maneira de publicar, concluído que o dei a 3 de Março de 2011. Os três cadernos manuscritos que o enformam, esses preenchem com obstinada paciência a gaveta-alta do roupeiro. Não desisti dele(s) – como na vida, tudo é uma questão de tempo: para o sim como para o mal, para o não como para o bem.
Tenho, por estes dias, relido esses meus dias embalsamados de 2010/11. Era afinal simples, o mote: tinham-me avisado por telefone de que a Mãe iniciara a descida terminal. Contra todas as efabulações mais racionais, também ela era mortal. Dei por mim retornando, pois, ao local-do-crime perdoável de ter nascido de gente d’ali/'qui. A partir da minha escrita irreconciliável, a Mãe durou ainda nove meses & três dias – em espécie, digamos, de anti-nascimento, de avessa gravidez de si-mesma, já ela sem marido embora há dezassete anos. Nesse derradeiro dia de Maio de 2010 (uma segunda-feira), decidi-me por a confecção de uma memória presente, diarística, ubíqua, vigilante, pessoalíssima. Quase oito anos volvidos, não enjeito o escrito. Atenção: não se trata de lamentosa escritura do tipo coitadinho-de-mim-que-estou-para-ser-órfão. Não. Nada disso. Não é coisa impermeável à dor antecipada, pois não. Também não é coisa alheia à solidão essencial (de ser) de todos os eus. Lá está, nessa mesma primeira página manuscrita a tinta preta: “Ando sozinho – como toda a gente na vida.” De toda a maneira, e/mas enfim, o sobredito livro por publicar é um depoimento sem solipsismo umbilicalista de espécie alguma. Receio só que seja, também & ainda, um livro de amor. Intitulei-o “Leite dos Santos – Um Ideário de Coimbra”. A razão titular é esclarecida na dedicatória epigráfica: “In Memoriam Viva de Hermínia Leite dos Santos (27 de Outubro de 1924 – 3 de Março de 2011)”. Muito simples, muito claro, muito directo ao assunto, muita terra-mãe-a-mãe-terra.
Por virtude ou defeito de cronicar agora sobre tal inédito talvez impublicável, recordo esses meus dias na terra-de-ninguém que foram os de me perder da Mãe. A vulnerabilidade era-me total. Eu (man)tinha então uma imitação de trabalho: ensinava num curso profissional que não pagava mal, com dois a três meses de atraso embora. Sobrevivia materialmente num quarto de celibatário contrariado: a mulher anterior, inteligente e/ou manhosa, tinha-me desertado a ocorrência em prol de um homem melhor. Não sem militância, emaranhei-me de muita leitura, muita taberna & muito desamparo. Vi-me febril & fabril de dias quentes como infernos portáteis & de noites regeladas pelo mau costume de pensar nela(s): na Mãe como nas noites mesmas.
O Verão de 2010 aconteceu à maneira de tragédia lenta. Recordo a intolerância solar das visitas ao Lar onde a Mãe, qual flor anacrónica, aprendia a vegetar sem mãos ao volante da bicicleta. Era o meu verdadeiro trabalho, a minha única importância. Eu já só (a) escrevivia. De volta de cada visita, recolhia-me ao tasco sob o viaduto para fazer de conta que o mundo existia à face, et pour cause, do balcão dos deserdados da vida. Cometi muitos versos. Nem todos saíram mauzitos. As noites vinham à maresia seca da Cidade só fluvial.
Uma dessas noites, choveu muito. Recordo: o meu casaco de bombazina cor-de-nestum-com-mel passou a pesar quilos de tão ensopado, eu não me abrigara – nunca até então o houvera feito na vida, como naquela noite o não fiz também: & até hoje o não faço. Chegado ao quarto pré-sepulcral, ri-me sozinho como os doidinhos da minha condição de cavalinho-não-tirado-da-chuva.
O Inverno posterior foi o humanismo do costume: hirta, tiritando, a Cidade celebrou o Natal, essa tragicomédia que faz do cristianismo o Carnaval de costume do consumo irracional. No quarto emprestado por esmola, libei o nascimento do Cristo à morte-para-breve da Mãe. Segui escrevivendo a sobrevivência possível. O porvir era já então o que aqui reitero: uma orfandade lúcida, provida tão-só de pouquíssimas certezas ancoradas na racionalidade da desesperança mais pragmática.
Como disse, o livro está por publicar. Não apenas tem tempo ainda de sê-lo – pois que houve tempo de tê-lo sido. Lamento tão-só que a senhora minha Mãe não possa lê-lo. Pelo menos, até 2 de Março de 2011, essa véspera de mais-nada a partir da qual tudo se me torna tão improvável quão o caraças de um editor honesto, a havê-lo, entre os intervalos de quanto hoje chove, que amanhã faz sol, que 2018 já cá canta(m).

quinta-feira, fevereiro 08, 2018

Acta da Hora Improvável - Rosário Breve n.º 541 in O RIBATEJO de 8 de Fevereiro de 2018 - www.oribatejo.pt





Acta da hora improvável




1 Antigamente (a bem dizer, tão antigamente mesmo, que foi já no século passado do milénio idem), acontecia-me de quando em vez secretariar reuniões. De professores, primeiro, de redacções jornalísticas, depois, com algumas de direcção de sociedade filarmónica pelo meio. Parece-me outra vida, agora. Noutro planeta. Agora que funciono sozinho, resta-me escrever as actas do que se vozeia nas paragens de autocarro (melhor quando chove, pois que o quorum humano jamais resiste a comentar os cântaros que Deus dá ao entorno) e do que se diz nas filas de hipermercearia, em qualquer sala-de-espera das boas (centro de saúde, finanças, segurança social, conservatórias), nas assembleias de mirones de desastres rodoviários – e de preferência nos Cafés de bairro da minha perdição. Segue-se, pois, a acta apurada a partir das 17h17m do passado dia 31 de Janeiro no Café C. (O itálico integral da transcrição é de lei, por isso mesmo que nenhum palavreado nem fraseado algum me pertencem:)

2 Se uma pessoa me engana fora do raio-d’acção dela, eu tento perceber a pessoa, eu tento ver onde é que me enganei acerca dela, sim, eu pelo menos posso gabar-me de fazer iss’assim / Se a mãe não te der dinheiro para ires cortar o cabelo, diz-lhe qu’isto não é daqui-d’el-rey, qu’isto ainda é Portugal, qu’isto ainda não é o da-mãe-joana / Agora se lhe disseres que queres-comer-isto-queres-comer-aquilo, então isso já-me-cheira-a-cavalo, iss’é-qu’é-um’-avaria / Quem é aquele?, tem alguma coisa a ver co’ Varela dos Pneus?, pergunto porque não sei mas se me dizes isso-assim-assim então perfeito, então tudo-à-larga / Levas c’uma botija de gás em cima qu’é um mimo / ’Tás bom, ó sô Fócsináite? / Menos uma hora nos Açores / Ele disse Sálvio ou sábio? / Mas olhe / A minha mãe trabalhava na fiação, mais de quarenta anos de descontos, o algodão punha aquela coisa na garganta mas também foi das últimas a sair antes d’aquilo fechar, vá que não vá / Olha, já fostes / Quantos?, setenta-e-seis agora em Julho que vem / Saber o que a gente sabe até hoje, quem me dera na altura / Graças a Deus também já tive os meus problemas de saúde até hoje, ind’esta manhã / Um remate contra as pernas de Ivo Oliveira / Está a ficar frio, mais do q’ontem / Está-m’alembrar de quando íamos p’la’strada-velha / Esse velhadas fazia vinho como um carago mas depois também era uma esponja p’ó dele & p’ó dos outros / Típico trabalho do deus-me-livre-de-todo-o-mal-ámen / O menos que fez disso já lá vai um ano / Eles não ’tão tão cois’assim como ’tás p’-aí a d’zer / Daqui a pouco voltamos para a segunda-parte deste Portugal / Acabam-se os problemas sem ter de gastar mais dinheiro com preocupações de merda / Superfícies giratórias são a solução / Disponha agora disso pelo preço duma sandes-d’iscas, pá / Claro que aquilo é tudo mentira, pá / Zé, já venho, aguenta-m’aí-os caváis/ Eu pago essa mini, deixe-’star / Agora querias mas era mamar mas não te deixam / Já vistes? / Era do tempo em que o de cima ia à Universidade / Tchau, bacano, fica bem / Ui! / Conseguem tudo, o trabalho deve ’tar a aumentar / Ui, ao poste! S’é p’abrir o circuito com vitrine & arca, n’um vale a pena arriscar, superfícies giratórias são a solução / Ricardinho / Bola à procura de Fábio Cecílio / É um peso-pesado, só te digo isso / André Coelho, Cecílio, Oliveira / Qu’é-qu’-estão aí a fazer os dois?/ Eu conto mas é três / Nesse aspecto, uma amizade dá para duas ou três vezes / Eu gostei, sou sincero, eu gostei / Acende a luz da rua, se me fazes o favor / Agora o desvio do manípulo não é o pior / Qualquer válvula fazia o lugar disso s’isso fosse assim fácil ma’-n’é! / Então podes-te preparar / Eh lá, calm’aí! / Então e o Porto?, chupa! / Vá, até já.

3 E p’ra tudo isto poder ser nos Açores, só daqui a uma hora.

domingo, fevereiro 04, 2018

Sétima em memória do sr. António Pires - manhã de terça-feira, 30 de Janeiro de 2018



Sétima em memória do sr. António Pires







Cumpre-se a preceito a hora ingente,
dif’rente não seria boa ideia.
A inumar vai hoje um pai-de-gente
que decente foi dos mais da aldeia
que a mim & aos filhos dele viu crescer.
É da lei do nascimento o morrer.
Não é excepção à regra disso sofrer.



Daniel Abrunheiro,
manhã de terça-feira, 30 de Janeiro de 2018


quinta-feira, fevereiro 01, 2018

Como quem não rói a corda ou Não é A ou B mas A & B - Rosário Breve n.º 540 in O RIBATEJO de 1 de Fevereiro de 2018 - www.oribatejo.pt





Como quem não rói a corda
ou
Não é A ou B mas A & B



1 Reza um provérbio árabe que os homens se parecem com o seu tempo. Se o Tempo é um Rio e o Tejo é outro, com que se parecerá, pois, o senhor ministro do Ambiente quando diz que o estado do t(r)ágico caudal é que é o responsável pela coisa toda, ao ser caudalosamente insuficiente para “depurar” (o termo técnico foi usado por ele) “a descarga A ou a descarga B” (cuja responsabilidade facílima de apurar continua, até hoje, precisamente, por apurar – ou por depurar…)?

2 A morte é a mais democrática das leis. Não conheço outra que a supere nisto do igual-para-todos. Mais, ante Vós, me reitero linhas escritas & caminhos pisados: 1) O tempo todo nunca é muito; 2) Os anos acabam sempre por roer a corda. (Sabemos que a água é vida. Sabemos que, no plural, as águas podem ser mortíferas. Desconhecíamos, parece, que elas mesmas eram morta(i)s: cf. Festival da Lampreia de Mação.)

3 O RIBATEJO não é um seminário: é um semanário. Não há por aqui prédicas pró-evangelizadoras do infiel, nem sermões pró-aculturação do indígena. O que há, é gente que pensa a terra sobre que é vertical como horizonte identitário – e quem isto não souber ler, também não saberá ver, posto que ser não sabe, quanto menos estar.

4 Coimbrão que nasci & hei-de morrer, interessa-me muito a iniludível geminação geo-histórico-portuguesa Coimbra-Santarém. Nem sequer é por também, , haver uma Académica; nem sequer é por também, , haver fados & guitarradas ao modo daqui. É mais por termos feito corpo unitário da trinitária divisão da Península Ibérica em Tarraconense (de que Bracara Augusta/Braga), Bética & Lusitana (de que Scallabis, Conimbriga/Aeminium & Pax Julia/Beja). Sim, é isto. Fica dito & feito.

5 Mansidão dos semiloucos por aquestas esplanadas: ao sol não-tíbio de Janeiro, envernizada a verdura pelas chuvas recentes, os esfacelados sociais perambulam seus itinerários de formiga-sem-formigueiro. Ainda agora (10 & picos da manhã claríssima), um deles soliloquou qualquer coisa a ver com talvez-fátima-talvez-futebol – e em/com voz de fado o fez. Tudo certo, portanto, debaixo do sol januário-português. Entretanto, na mesa mais a oriente da minha, quatro mãos envelhecidas. Pertencem a Osvaldo R., aposentado do comércio retalhista, e a Esmeralda T., que foi mulher de Jerónimo B. mas já não é, embora oficialmente Osvaldo continue marido de Estela S., que não entra nesta história (salvé, Carlos Drummond de Andrade!). O atravessado casal meu vizinho de mesa poderia ser apresentado, para V.º mais luminar entendimento, como Osvaldo Descarga A & Esmeralda Descarga B. Com V.ª licença, os sobreditos e não de todo ausentes Jerónimo & Estela farão de descargas C & D.

6 Aquilo da manchete da edição anterior (cf. ponto 3) – “Cabras sapadoras chegam a Alcobertas 8 anos antes de o Governo as descobrir” – fez-me o que a vida nem sempre me faz bem: pensar. Vi-me desejando as bravas & bravias cornúpetas alpinistas como devoradoras não só do naturalíssimo combustível florestal de mais raso chão como de certas práticas autárquicas do tipo deixa-arder-que-não-fui-eu-quem-soprou. E recordei, também a propósito, a mais intelectual anedota que conheço. Esta aqui:

7 Omnívoras, duas cabras pastam em um monturo de lixo. Uma delas caça & abocanha o DVD do filme E Tudo o Vento Levou. Já nos dentes dela se estilhaça a furta-cores o redondel digital quando a outra, curiosa, lhe demanda: Então, estás a gostar?” Ao que a outra, ruminantemente plácida, lhe redargue: Hmmm, gostei mais do livro…”

8 Fico-me por aqui, desta feita. Desconheço de que gostará mais o senhor ministro do Ambiente – se da Descarga A, se da Descarga B. Do Tejo propriamente dito é que parece não ser, ó cabrinhas sapadoras que destas águas não bebereis, roendo porém, como os anos, a corda toda.