Wednesday, January 27, 2010

PELOS PARQUES SE QUEIMA A INFÂNCIA JÁ SENIL COM CHAPÉU


© Jules-Alexis Muenier - Les Cheminaux (1986)




Souto, manhã de 27 de Janeiro de 2010



O horizonte é uma linha de cavalos os mais formosos
As árvores são pensativas agora inclinadas pelo vento de estampa
Olhos deitados são os lagos à passagem dos viajantes
Cidades devassadas por gente que procura não procurar
Indivíduos mais depressa silhuetas que pessoas
Toda a cristandade se apoia em mentiras nada piedosas
Quem tem juízo cultiva caladas rosas
Revoadas de lixo trazem o outono possível aos pés
Pelos parques se queima a infância já senil com chapéu
O soneto quinhentista peninsular não é para aqui chamado
A gente quer viver mas não sabe como nem porparaquê
Ele há aflições viscerais que o passamento volve propedêuticas
Nas lojas chinesas as velas não são espíritas são a cêntimo
Senhoras velhíssimas parecem naperons com os sacos das compras
Se chover fica-se em casa folheando um fascículo do antiguegipto
Dá-se muito pão ao canário para que o peso o não deixe voar
Que raio pensarão agora as árvores estampadas de vento
Nós pensamo-las e o rio as reflecte e o tempo passa e não procura.

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