Sunday, January 17, 2010

O que Sinceramente Querem as Pessoas, Chegado o Verão






Souto, Casa, tarde e noite de 17 de Janeiro de 2010



Chegado o Verão, o que as pessoas querem, sinceramente, é farturas e copinhos de ginja, capilé-cola para as crianças. As pessoas levam à feira os umbigos a passear, os umbigos das pessoas são por assim dizer tremoços existenciais. O poço-da-morte é à base de motorizadas, pai velho, filho e genro às voltas de motorizada num escarcéu do caraças, há pessoas que pagam para ver aquela avaria. As pessoas dão-se às mil maravilhas com muito alarido, muita algazarra, muito alvoroço, muita balbúrdia, muito barulho, muita gritaria, muita vozearia de inferneira. Eu sinceramente nem tanto assim, mas as pessoas sim. As pessoas, mesmo assim, têm e mantêm algumas ligações à natura naturans tão justamente associada a Bento Espinosa – nomeadamente, quando adquirem e consomem o teor de cartuchos de passas de figo e nêsperas e milho rebentado em pipoca. Merencórias ménades não perdem uma feira popular, elas também não, chegado o Verão. As que têm filhas, compram-lhes copos de papel com meio litro de capilé-cola e nuvens materializadas de algodão-doce. Os proxenetas emborcam minis com as amarelas dos mindinhos afiadas no ar. E nenhuma destas observações vem rebuçada de qualquer sarcasmo, pois que remetem à verdade portuguesa e à nossa natureza (f)estival, chegado o Verão.

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