Saturday, January 02, 2010

Desde que não Matem mais Focas, tudo Bem







Souto, Casa, madrugada e noite de 2 de Janeiro de 2010


Mudar o destino do mundo é redundar em redundância – porque tanto destino como mundo são mudança.
Ter merecido algures na vida uma tarde ante o mar, ter merecido não ser recrutado para o, por exemplo, Afeganistão – lances que mudam no mundo a pessoa.
Saber com o grau absoluto de certeza (e de pureza, portanto) que neste instante preciso (de escrita como de leitura – é o mesmo, por magia) crianças urdem cada uma seu tesouro vitalício, saber isso consola e resigna.
Não muitas, mas algumas pessoas são deveras mundiais.
As que abreviam a dor.
As que remendam roupa que nem é delas nem para elas.
As que não matam focas.
As que encontram um sentido até na doença, até no mato urbano, até dentro delas.
Facções desavindas do núcleo arvoram razias étnicas.Sucede-se a paz podre – ou comercial, dá o e no mesmo.
Cuba, 1959. Berlin, 1945.
La Habana pela Ponte Glienick.
Em pleno centro de Matanzas, a Königsplatz.
A jovem Renate Giese comendo morangos com Luis Conte Agüero em Camaguey.
Na Weissensee Station, esperar um pouco pela chegada dos capitães Smailov e Camilo Cienfuegos Gorriarán.
Num Verão benigno, a um 26 de Julho além-Tempo, nadar no rio Havel em a companhia de Carlos Franqui, Agustín País, Daniel Alarcón Benigno, Rudolf Oberhaus, Jo Brettschneider, Anatoly Mereshko, Hubert Matos, Waltraud Süssmilch, Ernst Bittcher, Ramiro Valdés Menéndez, Lothar Loewe, Bernd Freitag von Loringhoven – e do Padre Llorente e de Semen Glushenko e até do General Weidling, pois, assim como do General Ochoa, por Santiago de Cuba ou na Alexanderplatz, em Santa Cruz del Sur como sobre a Ponte Moltke, que o mar cubano é todo o Rio Spree, sabem-no Manuel Ray e Günther Dunsbach, entre Potsdam e Berlin não é só a ponte, é Holguín de um lado e Santa Clara do outro, já que a Rua Pankow vai dar à igreja de Cienfuegos, a cujo pórtico conversam com amenidade Vladimir Gall, Henri Fenet e Alfredo Alfaya enquanto não chegam Mikhail Petrovich Minin, que neste momento atravessa a Rua Heinersdorf, e Faustino Pérez Hernández, que, redundante, dá corda ao relógio por bandas da Schönhausen.



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