Monday, July 18, 2005

Julio






















O vento inclina os dedos do trigo.
O par fugitivo sofre calor no interior do volkswagen.
A estrada escreve is contínuos.
O sol vitrefaz-se no ar.
As árvores douram o rio verde.
Os coelhos sonham com gargantas.
O jaguar lambe as virilhas.
O azteca de sapatilhas lê alguns planetas.
Uma enguia ferida: o coração de Virginia Woolf.
Buenos Aires, a Irremediável.
O saxofonista negro de olhos vagalumes.
As amantes francesas, muito cultas, nas escadas de madeira.
Os poemas para Ernesto, argentino também, portanto pan-humano.
A consciência, esse esquentador.
O conto, esse esquentamento.
Bílis, sífilis, busílis.
A chefe de família a caminho do mercado com um rancho de indianos em fila homóloga.
O silêncio fumador.
O absurdo todo tótem.
O real índio.
As ditaduras assassinas.
Ch. Parker e Dy. Thomas.
Che, Julio.



Tondela, tarde de 18 de Julho de 2005

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