Tuesday, July 19, 2005

Cultura Geral - 7

O Verão Quente foi há 30 anos. PC e algum MFA contra o Mário Soares, a população de Rio Maior, o Frank Carlucci e o Bispo de Braga com o Cónego Melo a tiracolo. Com raras intermitências que a História fará o favor de esquecer, o País tem sido, de então a esta parte, governado (é um modo de falar) ora pelo PS, ora pelo PSD. O resultado aí está: o Desemprego, o Défice Constâncio, o Durão Mao Dum-Dum na Comissão Europeia, o Mário Soares a gozar as viagens da Presidência da República a cavalo nas tartarugas das Ilhas Seychelles, o Portas Ministro sem que ninguém se ria, os euros dos bombeiros queimados nos submarinos, o Luís Delgado no Diário de Notícias, o Rogeiro em tudo quanto é monte excrescente, o Pacheco Pereira de volta, aos poucos, ao PCP-ML, o Cavaco feito Salvador, o Alegre a dizer as patetices poéticas do costume, o Barreto com aquele cultivado olhar alucinogéni(c)o, a mulher dele (a Mª Filomena Mónica) armada em exegeta queiroziana (com z, sim), o Sousa Tavares Filho a escrever bestas-céleres (expressão do O'Neill), a boazona da Bárbara Guimarães casada com a Cultura, o Zé Maria feito em merda, os locutores de rádio a defenderem as playlists à la USA, o Rodrigues dos Santos a lacrimejar notícias e cabotinomalandrar pisca-olhos à visão do inevitável 'apontamento' de moda que fecha todos os telejornais desde o badagaio do PREC, a Senhora de Fátima pontual na hora da maior sangria de divisas do País rumo-a-Roma, a Saúde-por-assim-dizer, a Justiça-por-assim-dizer, a Educação-por-assim-dizer, a Função Pública-por-assim-dizer, o Paulo China no Algarve a lamber botas do Figo, o Bloco a fumar cachimbos de Magritte pelas beiças do Rosas, os habitantes sobreviventes de Entre-os-Rios a fazerem rappel à ida e à vinda das amendoeiras-em-flor, os autarcas rotundos rotundando tudo quanto é via, os cabrões dos empreiteiros a palitarem lucros à sorrelfa, o Freitas do Amaral-de-manhã-do-Governo-à-noite-nunca-tal, o João Soares a pôr Jonas ao filho, a Maria Barroso a fazer-se de católica depois de se ter feito de actriz, o padre Melícias em tudo quanto é Santa, e Casa, e Misericórdia, o Feytor Pinto a dizer que afinal-a-camisa-de-vénus-pode-não-ser-pecado-depende-da-moral-da-piça, o Valentim Loureiro a dar o Boavista ao filho, o que era cantor dos Ban, os Xutos a comemorarem as Bodas de Diamante-não-tarda-nada, as manas Pinto Correia com aquele arzinho de comedoras de tubarões. E o Rui Veloso a cantar não há estrelas no céu, parapim, parapam. E valha a verdade que se, há 30 anos, tivesse dado comunistas e éméfiás, a coisa seria o mesmo, posto que portuguesa.

E eu vou para onde, se me fazem barão?

Desenho: Pombal, 2002
Texto: Tondela, tarde de 19 de Julho de 2005

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