Thursday, July 28, 2005

Coimbrantigamente


Dás as voltas até ao Largo da Portagem, Visconde da Luz e Ferreira Borges acimabaixo.
Onde era o Tivoli anoitecendo, atrás a conspícua Rua da Sota e um pouco mais até ao Submarino, onde delicadamente foste servido de serôdias bifanas fritas com muitas batatas, outra tarde, outro comboio, outra mesma vida.
A Estação Velha, primeiro A de Coimbra: seus pederastas varridos e grisalhos, seus varredores obsoletos desde meninos, seus horários com destino.
A volta do rio, margem direita (de costas para montante se dá a mão e o nome da mão ao rio).
A sexualidade cigana do Choupal, pequenos furtos, gelados no bar de madeira, famílias frangassadas com batatas de pacote. Ginastas tristes.
Por baixo da linha férrea, a glória de companhias seguradoras da Fernão de Magalhães, canhotada pelo Palácio de Justiça, adiantada pelo Terreiro da Erva, a podridão genitalúmida da Rua Direita, o desemboco na Praça 8 de Maio (antigo Largo de Sansão), a pedra morena de Santa Cruz.
E à direita, vida serpentina de morderrabo, a Visconde da Luz, até que a Portagem etc..


Pintura: La Reproduction Interdite, de René Magritte
Texto: Tondela, tarde de 28 de Julho de 2005

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