Friday, July 24, 2009

QUANDO EM COIMBRA, VISITAI O CHOUPAL, EM VISEU A SÉ ou Entre as Mãos e as Aranhas, Cavalos Correm os Músculos do Rosto

Estádio Olímpico da Pedrulha ou Quintal da Casa de meus Pais

(em 7 de Junho de 2009)

QUANDO EM COIMBRA, VISITAI O CHOUPAL, EM VISEU A SÉ

ou

Entre as Mãos e as Aranhas, Cavalos Correm os Músculos do Rosto

Pombal, entardecer e noite de 23 de Julho de 2009 (com ADITAMENTOS da tarde de 24 por ocasião da dáctilo-composição final)

A superfície das águas é acessível por os olhos dos outros: o crespo mar dos verdes, a lagoa fria dos azuis, o molhado pardal dos castanhos, em os negros a noite dos rios.

Os animais apresentam também esta humanidade, esta paleta.

Certas cabeças têm algo de estrela, atiram-nos em cosmos a pessoa que trazem dentro.

Entre as mãos e as aranhas, ninguém deixará de reconhecer a irmandade que as clona.

Cavalos correm os músculos, assim gaivotas todas sal patinham pela língua à boca da praia.

Fenómenos como tais são notícia quotidiana da nossa vida, a qual quotidiana é também.

Muitos microrganismos trabalham em profusão em prol das condições. Se mais sensível sou a receber a fremência do vento nas árvores, não significa que despreze a maré dando nas madeiras pintadas de nomes de santos e de netos, por esses cais merencórios do meu País. Algumas cores, fusão de animais e nomes de gente-mármore, concurso da memória em toda a base de raciocínio, vigília da gramática, correnteza de janelas com vasos vermelhos.

(O NOSSO OLHAR NA RUA – JANELAS – VASOS VERMELHOS – MULHERES – JANELAS)

Sempre um rio, a palavra rio por ele sempre, como nunca um rio declinando a nossa atenção, a tua vida, tua sombra entre macieiras vigiadas por corvos e ciganos e leis da cidade e lavadeiras.

(QUANDO EM COIMBRA, VISITAI O CHOUPAL)

Quanto tempo te viverei?

Quanto tempo te viverás?

Entende-me: se fundo músculos, cavalos, pardais e lagoas, se refiro barcos e firo marés, se estou vivo à margem do teu rio: se o vento nos dá as árvores e nos abre as ruas, se já não temos medo, se nos amamos em vida.

Vítima marítima, coração terreno nosso.

Fogueiras como rosas rubras ajardinam a noite dos acampamentos, tomam alimentos quentes os bárbaros acampados além dos canaviais

(OS PÉS DOS CANAVIAIS METIDOS NO RIO COMO OS OLHOS DAS PESSOAS BÁRBARAS),

sem que os toque a parafernália de papel dos poetas e dos cobradores de impostos.

Antigas feiras frias luzem de crianças

(CADA QUINTAL ESTAGIA UMA CRIANÇA OLÍMPICA PARA NADA)

antes da tristeza

(AS CRIANÇAS ANTES DA TRISTEZA AS CRIANÇAS ANTES DA TRISTEZA),

espíritos-santos de louça encarnada

(O NOSSO OLHAR NA RUA – JANELAS – VASOS VERMELHOS – MULHERES – JANELAS)

debruada a dourado entre carrosséis, churrasqueiras portáteis onde a Mãe verifica se o frango traz ou não duas patas e bêbados de furiosa alegria popular, esses sim tristes

(AS CRIANÇAS ANTES DA TRISTEZA AS CRIANÇAS ANTES DA TRISTEZA).

Fabulosos caminhos-de-ferro levam ingleses de colecção-vampiro a campos verdes patrocinados por árvores descomunais, que solares seriam se tanta névoa não fosse a condição natural da Grande Ilha.

(MAS A GRANDE ILHA É A INFÂNCIA)

Entretanto, em outra actualidade cavalheiros maduros aborrecem-se educadamente ante cálices de anis

(CAPILÉ PARA AS CRIANÇAS OLÍMPICAS, ANTES DA TRISTEZA, ANTES DA TRISTEZA),

na praça calçada clocam as mãos minerais dos cavalos, fumo surge de dedos apontados ao céu, uma mulher traz peixe à cabeça, o último polícia pensa numa mulher casada por razões económicas com um pouco de amor à mistura.

Documentos enraízam a disciplina, a ordem de trabalhos que vivos a mortos faz suceder em harmonia, algum pranto ou alguma indiferença embora na transmissão da estafeta.

Saúde amarela é a das janelas acesas

(O NOSSO OLHAR NA RUA – JANELAS – VASOS VERMELHOS – MULHERES – JANELAS)

além das que ocorre a tragicomédia da festividade familiar, o código de humor que é o ADN de uma casa

(QUALQUER CASA QUALQUER CASA QUALQUER CASA QUALQUER CASA QUALQUER CASA QUALQUER CASA QUALQUER CASA QUALQUER CASA QUALQUER CASA QUALQUER CASA),

a espessura do Avô, a Mãe capital, o xarope de groselha

(ACABOU-SE O CAPILÉ ESTA TARDE),

a pastelaria profusa de manufactura caseira, a grande ave assada devagar em forno a lenha. Pátina de geada açucara os relvados corridos ao longo pelos viandantes isolados da cidade

(QUANDO EM COIMBRA, VISITAI O CHOUPAL)

(QUANDO EM VISEU, VISITAI A SÉ),

cujos corações aldeões são o motivo da filosofia, dos preceitos domésticos

(A MENINA VAI ESTE ANO PARA A UNIVERSIDADE, O SENHOR BARBOSA ESTÁ COM UM CANCRO),

do pentagrama tragicomediográfico, das leis e da higiene.

Rubis altos em veludo de montanha

(A NOITE A NOITE A NOITE A NOITE A NOITE A NOITE A NOITE A NOITE A NOITE A NOITE)

marcam os casarios eólicos, a labareda horizontal da raposa, a cor dos olhos da raposa de dura água feita, a mágoa interior de tudo não ser presente a um tempo descritor.

Muitas vezes, na nossa solidão comunitária

(OS NOSSOS MERDOSOS CASAMENTOS, OS NOSSOS FILHOS DE OURO, O NOSSO FUTURO GALINÁCEO, A ÁRVORE GENEALÓGICA E AS OBRAS COMPLETAS DE JÚLIO DINIS ENTRE TUPPERWARES DOS ANOS 70 QUANDO AS SENHORAS FAZIAM REUNIÕES PARA OS – tup - E AS – obras jd - VENDER)

somos todos formigas de corredor de hipermercado, por onde projectamos a avaliação, o desejo, a posse, a medida, a decisão. Muitas vezes, não fundimos a nossa infância

OLÍMPICA

com o Sol que faz, a galeria de refrigerantes

MAS ACABOU-SE O CAPILÉ, AGORA SÓ LÁ VAMOS COM GROSELHA

com a manhã dos laranjais – mas está tudo lá, a partir das circunvoluções cerebrais

BRAIN DAMAGE BRAIN DAMAGE BRAIN DAMAGE BRANCO DAMASCO BARCO DAMASCO.

Freiras e leitores conciliam os olhos com a cera, a boca com a madeira, as mãos com o couro, a pele com o bolor. Momentos eternizados pela música

O CHOUPAL NÃO VOS PARECE UMA ESPÉCIE DE SÉ NATURAL?

ajudam ao movimento das instâncias íntimas. Cabeleiras em chamas bifurcam Paris, Oslo, Vancouver, Rosário, Port Arthur, a Cidreira.

AJUDA-ME A PÔR CORES NISTO TUDO FORA DE NÓS.

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