Thursday, July 16, 2009

Esta semana, nO Ribatejo do costume, a crónica 112 da série Rosário Breve (www.oribatejo.pt)


Tirar o 9º ano em Abrantes

Isto de escrever no jornal é como fazer amor: convém que haja sempre alguém do outro lado.

Nestes dois anos e dois meses que levo de, por assim dizer, fazer amor convosco, os meus destrambelhos críticos e as minhas insuficiências confessionais têm corrido bem, já que até em Abrantes tenho leitores. (Salvo erro, dois.)

Todas as quartas-feiras, portanto e por assim dizer, me dispo para a função cronicante com que me deito à vossa mercê. Foi assim que hoje, 15, dei por mim a apurar que é de facto o busto do cantor Marco Paulo que vejo cada vez que olho a cabeça de Valter Lemos, o secretário da desEducação.

A primeira vez que o vi em pessoa foi em Leiria, num arraial qualquer do ensino politécnico. Não tive dúvidas: era o Marco Paulo. Na altura, nem eu nem ninguém conhecíamos aquela que viria a ser chefe dele, a Maria de Lurdes Erre (de Raposa). Hoje, todos a reconhecemos. No meu destrambelhado e crítico caso, ela parece-me sempre uma senhora que se irritou no cabeleireiro e veio contar tudo para a bicha do caldo verde na praça.

Nada disto tem a ver com o facto indesmentível, incontornável, lamentável e evitável de a Educação neste País ter atingido foros de uma irresponsabilidade criminosa para com já várias gerações da mocidade.

Marco Paulo não é culpado de o adolescente hodierno pensar talvez que Adolf Hitler é ou foi até há pouco tempo treinador do Bayern de Munique. Ou que o Alexandre Herculano era quem apresentava o Boletim Meteorológico antes destas cachopas loiras à força de agora. Ou que o Zeca Afonso esteve nos Xutos & Pontapés antes de ir fazer ringtones à Linkin Park para a Telecel, hoje Vodafone. Ou que a caminha marítima da Índia tem por baixo o penico da Ponte Vasco da Gama. Ou, ainda, que a bicha do caldo verde possa ter a ver alguma coisa com o Marco Paulo.

Pelo menos quando eu fiz, há já três décadas, o meu 9º ano, não tinha. Nem na minha terra, nem em Abrantes, lá do outro lado.

2 comments:

Cidadão abt said...

Pelo menos dois leitores em Abrantes?
Só nesta casa é cá o Cidadão abt e respectiva Companheira!Aprecia-se a técnica literária e a corrente de raciocínio.Um Rosário de última página com leitura obrigatória e sagrada, todas as sextas!

daniel.abrunheiro@gmail.com said...

Foi convosco que contei, precisamente!