Thursday, July 09, 2009

no nº 1234 dO Ribatejo, a crónica nº 111 da série Rosário Breve

E o Grupo Desportivo da CUF também

Um conhecido meu cá da parvónia, casado e pai de filhos, passou a semana ao balcão da cervejaria a queixar-se de tanta jacksonmania e tanta ronaldomania. Eu percebo-o. Tem um emprego um bocado para o reles, a mulher dele também não é grande coisa e os filhos até são mais feios do que é normal ver em crianças.

Eu acho bem que o nosso moço madeirense venda muita camisola e muita sapatilha aos espanhóis. Sempre é uma vingançazita de andarmos tão atrás deles em tudo o que é importante. Já não acho tão bem que o cantor-bailarino do zamericanos tenha esticado o pernil como qualquer vulgar mortal que usa a cara com que nasceu por não ter dinheiro para se estragar com outra.

Mas atenção: eu não disse nada disto ao tal meu conhecido. Não sinto que valha a pena andar pelas cervejarias da parvónia a contraditar os compatriotas. Já não faço isso. Antigamente, fazia. Deixei-me desses trabalhos. Já lá vai, e há muito, o tempo em que eu ficava danado quando me diziam que o Gillan fez mais falta aos Deep Purple do que o Coverdale. Ou que entre a Madalena Iglésias e a Simone viesse o Diabo e escolhesse. Ou que o Eric Burdon pós-Animals não tinha mais para dizer ao pessoal do que os Genesis sem o Peter Gabriel. Ou que o Belenenses do Cabeça-de-Abóbora, o Thomaz, estava para os ricos como a Académica dos dótóres estava para os futricas. Ou que o União de Tomar nunca andou na Primeira Divisão, assim como o Montijo, o Oriental, o Barreirense, o Alcobaça, o Recreio de Águeda, o Covilhã, o Torreense e um que já não há, o Riopele. Ná, já não me meto nisso. Para o peditório da ignorância, já dei o que tinha a dar – frase que, aliás, a minha mulher me diz muita vez, não sei porquê.

Também já não sou muito de andar aí pelos balcões. Ando a criar um porquito para ter que comer em Novembro e uns pitos e amanho umas couves e uns pés de feijão. De vez em quando, paro de cuspir nas mãos, encosto-me ao sacho e vejo os pássaros escrevendo vírgulas no céu da Pátria.

De certeza que nem o Cristiano sabia que o Tomar, como as aves, já lá andou em cima, quanto mais o Michael.

5 comments:

yodleri said...

Hmmmm... de vez em quando até dá gozo mandar umas cuspidelas viperinas
para o ar, assim como quem não quer a coisa. ;)
Se estivesse aí por perto ainda perguntaria se essa do porco se podia tomar como convite.
Cumps.

Manuel da Mata said...

E com que é que andas a engordar o porquito? A tua mulher sabe fazer morcelas de arroz?
Tem piada que ontem também eu peguei no sacho. E mais te direi, este ano plantei uns pés de tomateiro e tive tomates cá no jardim-quintal, mas não soube curar deles, envelheceram antes de tempo.
Se precisares de ajuda para a matança, conta comigo.

António said...

...e o Lusitano de Évora...

Quanto à criação do porcino, pitos e hortículas, vai ser o futuro. Viver de forma sustentada, com menos e melhor qualidade. Haja cuspo, enxada, pedaço de terra e saúde!

daniel.abrunheiro@gmail.com said...

Tendo em consideração o momento, andamos todos a criar o Porco há que tempos.

daniel.abrunheiro@gmail.com said...

Pois, a matança pode ser coincidente com a exacta data das próximas legislativas.