Thursday, July 23, 2009

Nisto que Digo, Não

© Garry Winogrand

New Mexico, 1957


Souto, Casa, noite de 22 e tarde de 23 de Julho de 2009

Nisto que digo não procures, peço-te, um sentido plano como nos artigos notariais, mas uma música se puderes, ou, se puderes, um filme.

Sob um molhe de madeira entrando mar adentro, noite na praia do tamanho do firmamento, por exemplo.

Noite que digo sempre cada manhã, onde o amor arranja sempre maneira de entrar como a humidade, adentro o mar os barcos.

Nada de complicado, o que um homem se diz invocando a pessoa de vidro perante.

Revistas que eram do jovem quando breve homem de outro século juncam as caixas de papelão pelas sombrias zonas da casa adulta, catálogos, horários de comboios que não passam já senão través algum sonho, algum campo.

Muito mental é a criança dura como o milho e como o sol amarela, essa que sobe à boca quando no café cumprimentamos e do tempo que faz falamos.

O senhor Smith tem um quiosque de cigarros e magazines e caramelos de café e lotarias, foi recrutado e respondeu, desembarcou na Normandia em Junho de 1944, foi um overlord como os outros, hoje cigarros e magazines e caramelos de café e lotarias.

Um homem é de uma mulher e do que cultiva sob o céu carregado de electricidade e de anjos e de tantas tormentas quantas pode.

Eu sou do lado da voz nisto que digo.

Uma vez, era Outono, fui por um monte muito grande, levava um bornal cheio de papéis por escrever, não teria, quê?, mais que doze anos, a vida era geodésica, o meu Pai era vivo, além as fábricas formigavam de máquinas pessoais, cartões de chumbo arrolavam os grandes céus da infância, o comboio ia e vinha como uma mensagem direita ao coração, era quando deveria ter começado a estudar para engenheiro químico, agora é tarde.

Os meus amigos já foram todos à tropa, já se casaram e descasaram e compram jornais e brinquedos e sapatos e carros, moram todos longe até deles mesmos, as minhas amigas também, algumas perderam-se nas respectivas carreiras profissionais, uma está a fazer um doutoramento em salvo erro hermenêutica, outra tem um cancro, outra mora na Figueira, outra casou com um amigo meu chamado Smith.

Nisto que digo, eu não, realmente não.

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