Friday, August 28, 2009

UM POUCO ANTES DE AMANHÃ (43)

Souto, Casa, entardenoitecer de 28 de Agosto de 2009





A pessoa levanta breves voos sob a estelar joalharia,
gados ideais apascenta em solidão pensativa,
recados telefónicos trazem-lhe óbitos e nascimentos,
as esquinas da cidade vibram harpas de chuva.

Não muito voa a pessoa senão quanto pensa,
havia domingos filarmónicos de coreto,
avoengas crianças pareciam milagres de chita,
senhores de chapéu-palhinha urdiam sonetos infuturos.

Arrozais vivos pulsavam cegonhas e rãs,
hoje as fábricas quebram-se como mãos,
há 'inda vocábulos amados no contador da sala,
flores fazem-se papel à tinta da luz.

Isto é quanto posso na pessoa que me coube,
para isto me engendrei sem, receio, grande cuidado,
tenho muita pena das pessoas que perdem pessoas,
muita pena do pequeno comércio e das estrelas também tenho.

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