Saturday, August 08, 2009

UM POUCO ANTES DE AMANHÃ (27)

27

Seis, Sete e Oito do Oito do Nove

Souto, Casa, 6, 7 e 8 de Agosto de 2009

Racine County, Milwaukee, algures num filme.

A aurora estende relvados suburbanos.

Primeiros acordados, hirtos de frio pelas ruas, vão comer qualquer coisa, engolir duas canecas de café, desfazer tempo até picarem o ponto nas fábricas.

Passa vagaroso o carro-de-água que ejacula pressão contra os lixos limpos do Outono.

Fort Pastor.

Homens de pele castanha, homens e mulheres de pele pálida.

Uma grávida medindo o mundo em passinhos.

Certa delícia: a frialdade do vento.

Casais, Penafiel, Setembro de 1896, António Nobre recupera (ilusão) da tísica que o matará (não é ilusão),

Guilherme de Castilho caracteriza a hospedaria das irmãs Andrade:

É uma pensão modesta mas impecavelmente asseada, deste asseio escrupuloso que ainda se mantém em certas casas da província portuguesa, feito de roupas alvas e cheirosas a alecrim ou alfazema, de soalhos carcomidos mas rebrilhantes, de aroma a maçãs camoesas espalhado por todos os aposentos.

Perfumada prosa, ela também, que depois mostra Nobre ante os túmulos de Antero, nos Açores, e de E. A. Poe, em Baltimore, colhendo folhas nascidas dos mortos para oferecer em cartas.

Dias 6 e 7 e 8 do mês 8 do ano 9.

Faz 31 anos que Ruy Belo morreu.

Termino a leitura de Vida e Obra de António Nobre, de Guilherme de Castilho (Bertrand, Lx., 3ª ed., 1979/80).

Coitado do Nobre – a tuberculose fê-lo sofrer horrores.

Morreu criança como Cristo, aos 33 anos de idade, não chegou aliás a tantos, sequer, por cinco meses.

Tomo nota de ideias/versos a desenvolver, não sei se nem quando:

Dá-se à luz do mar a linha muito pura,

barcos voam ao que aves vão buscar (…)

Través os dias, entanto, nomes e coisas engendram os instantes dentro (e a mera enumeração resulta versejante qual poema):

Liebknecht

Rosa Luxemburgo

Spartak!

Theodore Roosevelt

Madame Curie

Deauville / 1919

(Criar uma Villedeau)

Epson

Auteil

Albion

Sufragistas

Acrobacias aéreas

Belle Époque

Filomena Moretti

1918 / 1919, Sidónio, Tamagnini Barbosa

Alferes Botelho Moniz

Portugal

Governamentais contra rebeldes monárquicos

(a merda dos fadisto-marialvas, já então como agora)

Tenente-Coronel Vieira da Rocha

Capitão Júlio de Cerqueira (da Marinha)

Moniz Barreto (com Nobre em Paris, antes, 1895, por aí)

Álvaro de Castro

Santarém, 1919 também

Egas Moniz, peça de Jaime Cortesão

O Professor Egas Moniz representa Portugal na Conferência da Paz pós- Primeira Guerra Mundial

Insurreição (os 25 Dias) dos esbirros monárquicos (Monsanto, Norte &c.)

Coronel Mineiro de Almeida e alistamento de civis pró-República (como o Batalhão Académico de Defesa da República de Coimbra)

Júlio da Costa Pinto

Aires de Ornelas

João de Azevedo Coutinho

(estes três, presos por rebeldes em Monsanto)

No Porto, “restauração” da Monarquia Portuguesa

Junta Governativa do Reino de Portugal

“Presidente”, Paiva Couceiro

“Ministro dos Negócios Estrangeiros”, Luiz de Magalhães

“Ministro das Obras Públicas”, Coronel Silva Ramos

“Ministro do Interior”, Sollari Allegro

Corpo de Polícia de Defesa e Vigilância da Monarquia – “Os Trauliteiros”

Sá Guimarães, Comandante da Coluna-Relâmpago

Em Viana do Castelo, “restauração” da Monarquia também

Viseu, é Administrador o Cavaleiro José Casimiro

Aveiro, centro operacional militar dos “reizinhos”

2 de Fevereiro de 1919, manifestação pró-República em Lisboa

Chefe de Governo, José Relvas

Novo Ministro do Trabalho, Augusto Dias da Silva

Combates violentos em Mirandela

Teatro 1º de Maio, QG monárquico

General Abel Hipólito a cargo de uma coluna republicana

Comandante Supremo da carga verde-rubra, General Costa Ilharco

Em Aveiro, os azuis-brancos incluem Bento de Almeida Garrett, do Real Grupo de Trauliteiros, capturado pelo Alferes Roby

Assaltada e destruída a sede do Clube de Fenianos do Porto

Morre Jorge Camacho, monárquico, assassinado no Terreiro do Paço apesar da escolta que levava

Estarreja é objectivo militar dos governamentais

Ministro da Justiça, Couceiro da Costa, que visita as linhas triunfantes do palco de operações anti-monárquicas

Coronel Djalme de Azevedo

Capitão Schiappa de Carvalho

(ambos republicanos)

O “célebre” Padre Domingos Pereira, subversivo cadastrado, é preso

É preso o Conde de Mangualde, que por os 25 dias foi “Governador Civil” da Invicta (afinal victa…)

Silves e Ponte de Lima festejam os sucessos republicanos

Café Camões (no Funchal?)

Presidente da República, Canto e Castro

21 de Fevereiro de 1919, comício no Coliseu dos Recreios com sequelas trágicas (tiroteios pela cidade, 6-mortos-6 e 40-feridos-40, pelo menos)

População vive o “TERROR DAS BALAS PERDIDAS”

25 de Outubro de 1918, morre Amadeo de Souza-Cardoso, Pintor, em Espinho, vítima da “Pneumónica” (“Gripe Espanhola”)

Margaret Rutherford, Actriz, morre de Alzheimer aos 22 de Maio de 1972, deixando viúvo Stringer Davis, que morre em Agosto do ano seguinte

Madalyn Murray O’Hair, da associação American Atheists, assassinada (juntamente com um filho e uma neta) aos 29 de Setembro de 1995

Dá-se à luz do mar a linha muito pura,

barcos voam ao que aves vão buscar (…)

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