Thursday, August 06, 2009

Leve Queimadura na União do Indicador ao Médio


Souto, Casa, fim do dia 6 de Agosto de 2009


Conversa com senhoras no Passeio, depois volta a sós para casa.

É pela hora a que os mortos amados sobem do chão a ser árvores na névoa.

Linhas de água ex-azul circunscrevem horizontes sucessivos em dedadas ópticas.

Toma caldo de cebolas com tomate, fatias de pão escuro com manteiga de porco, uma chávena de chocolate.

Rumor de jóias muito longe, não determina se carros na noite, se primeiras estrelas.

A união do indicador ao médio torrada ao de leve do ópio do cigarro, o fato correcto de cavalheiro, os sapatos cansados e limpos, a boca escura – ele em reflexo de montra da Baixa.

Outra manhã, cresce para a praça que coroa a Avenida, um livro de versos na mão, na outra um roteiro de castelos de berma-lago.

Onde era a fábrica de porcelanas, além, é hoje a sede de um banco.

Há uma casa-de-pasto afamada, aberta há décadas que migram gerações.

O sol é pálido nas pedras, a banca de jornais grita Líbano, Honduras, Transvaal, Sudão, Laos, Filipinas, Alcafache.

A Europa é um andar muito acima, inacessível por estes anos.

Ele gosta de subir a Morais Soares, tornear os adormecidos do Alto de S. João, descer ao Rio rente a blocos cinzentos como megalitos lunares.

Nunca sairá daqui, jamais irá a Bex ou ao Castelo de Chillon.

O mais longe a que chegou, foi à Pampilhosa, os mesmos versos na queimada mão, já então.

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