Monday, August 17, 2009

Senhoras Litorais, Violetas - apontamento noticiário

Souto, Casa, tarde de 17 de Agosto de 2009






Flúi serena a minha vida branca.
A tarde é de uma claridade assombrosa.
Aspectos sinistros mondam os trigos do mundo, emigrantes lusitanos estouram-se de carro em as autopistas de Espanha, os corvos humanos piam dinheiro escuramente, os noticiários falam de bombas artesanais, de militares de cerebelo de amendoim e de demais coisas assim.
Não se ouve falar tanto de cornos conjugais, estão na moda as normas de segurança até em poesia.
Dos arredores de Lisboa chegam imagens de gasolinas de serviço e de pessoas tristes e de jardins de pedra com flores cancerígenas.
Há uma estupidez muito branda nos mapas da existência.
Ela é feroz mas branda.
É como um lume-maria.`
Às vezes, caladamente na cozinha, debulho os meus legumes, fervo um chá metafísico, tomo na varanda haustos de ar morno, derivo pelos salões paginados do meu negócio,
isto.
E a páginas tantas assisto às senhoras-violetas tomando gelados em uma esplanada litoral.
Perto, cavalos brancos e aves cor-de-pérola carrosselam o Verão quase acabado, sereno, branco como a minha obscura vida.

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