Tuesday, March 24, 2009

Nome no Escuro

© Nadar
Young Woman in Profile
circa 1859




Souto, Casa, entardenoitecer de 24 de Março de 2009





Não já viver se não assim, atento ao perfume do lilás
que reconhecido rosto evola da galeria ignota.
Manter certinho o cuidado das terças-feiras disto
a que um dia chamámos por ignorância futuro, hoje
ainda.

Hirta rapariga aveludada, o cabelo apanhado pelo tempo
mais que pela objectiva, o brinco em perpétua gota
revelada a água de metal, aquela sombra cavando a raia
entre morder e engolir, entre pensar e sentir, algures
já longe de França e de aqui, onde

a reconheço minha igual, máquina de composta abstracção,
ortógrafa de um olhar calígrafo, contra um cenário neutro,
como nós em crianças e em velhos, praia de papel queimado
sombreada a pègadas silentes, finalmente.

Do todo, meio corpo, nenhuma alma senão a dos ácidos
marejando à luz vermelha, no escuro povoado de ilegíveis
nomes, hirtos, lilases, metálicos, aquosos nomes
certinhos entre duas datas.

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