Saturday, March 28, 2009

LIDO CO’ LÁPIS – 2 - Camões Lírico segundo Agostinho de Campos (II Parte)


II Parte



Souto, Casa, 5 e 6 de Dezembro de 2008,
28 de Março de 2009





Parece que também houve ingleses rendidos a Camões.
Byron conhecia-o, admirava-o e oferecia-o.
Wordsworth citou-o de dignidade a par de Dante, Petrarca e Tasso, quando, defendendo de críticos o soneto como forma poética, invocou Shakespeare, Spenser e Milton.
A poeta Elizabeth Barrett-Browning terá tido em Camões nada menos do que um modelo. Isso se aprende (é uma passagem curiosa) na referência que Agostinho de Campos faz a comunicações feitas circa 1918 por um sócio da Academia das Ciências de Lisboa, o “polígrafo general” Fernandes Costa. Este sócio institui que Elizabeth

“num volume de versos, publicado em 1844, menos de dois anos antes do seu casamento, inseria uma admirável e lindíssima poesia, que intitulou: Catarina to Camões: dying in his absence abroad, and referring to the põem in which he recorded the sweetness of her eyes”.

A citação seguinte é mais longa porque Agostinho de Campos recolhe uma pérola da exegese do conferencista Fernandes Costa. Esta pérola:

“Isto diz Fernandes Costa depois de haver mostrado que aos quarenta e quatro sonetos amorosos de Isabel Browning, intitulados Sonnets from the Portuguese, foi pela poetisa dado êste nome, porque êles se inspiravam no seu amor ao poeta Roberto Browning, com quem mais casou; e ela, por delicadeza compreensível a todos que bem conheçam qual era a sensibilidade dos dois, simulou que os havia trasladado de uma literatura estranha, a portuguesa.”

Neste ponto, que encerra a página XVI da Introdução, Campos cede caneta e tinta ao polígrafo académico da Academia das Ciências de Lisboa:

“É para nós, portanto, mais do que intuitivo (conclui Fernandes Costa); chega quási a ser uma opinião fundamentada, que o conhecimento que Elizabeth Browning possuía de Camões, como poeta lírico e como sonetista amoroso, não foi estranho à sua deliberação de encobrir, com um véu de delicada reserva feminina, as cruas e exaltadas declarações amantes dos seus sonetos, atribuindo supostamente estes a uma literatura, já pelos outros enriquecida.”

(A CONTINUAR)

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