Monday, August 27, 2012

Coimbra, 4ª feira, 7 de Julho de 2010 - IDEÁRIO DE COIMBRA - 34 (trecho)



Para explicar o papel do Poeta João de Deus na dissolução do ultra-romantismo luso, Teófilo Braga cita o Shelley prefaciador de Prometeu Agrilhoado:

Um grande poeta é uma obra-prima da Natureza, que deve impor-se e se impõe necessariamente ao estudo de outro poeta.

Não é má (re)citação. Nada má. Grandes ou não, poetas ou não, gente houve que ficou lacrada nos esmaecentes sobrescritos do Tempo: Anatole France, Rouget, Rostand, Lemaître, Balzac, Michelet, Comte, Baudelaire, Gautier, Loti, Baroja, Zola, Meredith, Dostoievsky, Shakespeare, Doyle, Flaubert, Chateaubriand, Byron, Maxime du Camp, Laclos, de la Rochelle, Ronsard, Gomes Leal, Ibsen, Dumas (Pai e Filho), Camilo, Strindberg, Unset, Björnson, Suderman, Ponson du Terrail, Montépin, Jousserandot, Hugo, Coppée, Prudhomme, Prévost, Lavedan, Lourrain, Castilho (coitado, Teófilo “cegou-o”), Leopardi, Lamartine, Marx & Engels. Nomes-lápides respigados da leitura do voluminho de Teófilo com concurso insidioso da minha memória sem pragmática nem utilidade, são lápides-nomes condenados, como todos e como tudo à consumpção bem mais do que à assumpção. Outros nomes? Conheço. Conheço um Joaquim Álvaro da Silva Ferreira. É homem de olhos claros como uma alvorada mal paga, uma alba sem segurança-social. Serve de extensor humano das mangueiras de uma bomba de gasolina. Delicado – e delic(i)ado da maravilha de estar vivo, de ter filhos da mesma mulher, de o deixarem (pagando) habitar uma choupana de fila singular de tijoleira num bairro dado a colômbias pós-coloniais de  moçambiciganos subsidiados pela “Esquerda”, não ele, que trabalha por não ter etnia alguma senão esta: ser tão Joaquim e tão Ferreira como Henry foi James e Anatole foi France e João de Deus foi. E não tarda nada é noite, é Noite.

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