Saturday, August 18, 2012

Ainda mais coisas de Coimbra, quarta-feira, 30 de Junho de 2010 - IDEÁRIO DE COIMBRA - 29




Falo em directo de um porvir pessoal.
Se um dia Velho, isto relerei de ensinados olhos.
Tempo ido, perdido tempo?
É da natureza da hora ser segundo a segundo, dia por dia da Mesm’ÚnicaNoite.
Paciência em prol de ciência.

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(Respirar é de borla, mas pensar não é gratuito.)

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(Este é o meu trabalho, querida.)

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Dimensões tempo-penso-espaço tergiversam medusas em coral-psique, filme adentro salões de chá e de pessoas-sós-só-pessoas.
É muito belo saber matrículas de cor, MO-45-18, Camilo-Pessoa-Pessanha-Fernando, Berliet estampada ao km 14 duma’EN qualquer perto dÉvora.
Eu sozinho na elvense Residencial D. Sancho ingerindo chilra manteiga de café-com-pão (1997, tinha caído o então-Verão).
E isto de ter um coração hemistíquio sujeito a Comissão de Cesura?
É andar andando a pé-quebrado.
E a (p)rima é branca, idem o verso.

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Na banca de rua do Rei da Fruta (entre O Nosso e o Viaduto) vi agorinha um estendal de figos cuja roxura me acordou agnosticamente o cromatismo Senhor-dos-Passos. Láctea sobrepeliz, figo-seio-de-senhora-em-cio, belo de ver. Ao lado, a estrangeira courgette-ou-como-é-que-se-escreve, o pêssego-pente-zero, o tomate inflado de papel-de-seda, o alho odontológico, a batata humílima, a couve sobreposta em si-mesma como o Passado e as Nações. Ontem fui ao Bingo porque a minha Mãe não estava em casa, nem em casa mulher me esperava, só Brown/Chesterton. Viver tout de suite encore na mesma.

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Um rapaz, seus trintiquatro anos, cola-croissant, almoço de bancário-com-perninha-de-fazer-seguros, certa porcinidades de bolsas queixais, tiquezito oral “é-assim”, bom fato barato, gravata azul-merda de quando se caga a azul o que castanho-verde se comeu. Liquefacção de duas horas: em espera. Eu agora vou ter de nascer outra vez, sabes, sabeis, a minha Mãe etc. Devo envergar honestidade, nem que seja para comigo. Nós vamos morrer, mas deixai-me primeiro viver um pouco disto na pista dos carrinhos-de-choque, no poço-da-morte, em Matosinhos, perto de outro, bruscamente, Verão passado embora. (Sim, nem todo o filho de Guilherme – vulgo William – é Tennessee, mas ainda assim.)

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Eu sabia que esta tarde era já o futuro desde ontem. Aqui me tenho nela. Boa pontuação (muito boa) – e outros aliases. Daqui a pouco, na cafetaria da Almedina/Estádio, perto da impressa lareira de livros, nada longe da Igreja de S. José, o corno mais justificado da História Ocidental. Écoutez la Chanson Bien Douce etc.

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