Friday, February 27, 2009

Sono ao Sol - um exercício fotopsicográfico




Souto, Casa, início da tarde 27 de Fevereiro de 2009
(foto: Souto, 7 de Fevereiro de 2009)

Esta luz é para saudar semicerradamente.
É feita do olhar que a instala em pássaros, árvores, casas e praças.
Também é: toda contemporânea de si mesma,
mapa de mapa, mundo de mundo.
Tela aquém descerrada, música roçada de respiração,
é o desmesurado cantil de que bebem as aves cantoras,
través de que fremem como cavalos as viaturas chãs
e os humildes andarilhos.

Esta luz instaura fragrâncias que ruminam a salvação
por um dia.
É bom despreocupá-la de incidências.
Pode ser haurida em haustos altos de damasco faustoso.
Lareira do ar, postergou o frio para ínvios trilhos.
Exposta à qualidade aeróbica dela, mais a pessoa devém porífera
– e toda se medusa, a pessoa, dela banhada a grandes mãozadas
de esmalte anil.

Se o sono traz os dedos a tocar os olhos,
a vista íntima escarlata-se muito amniótica,
pulsam as extremidades digitais o polvo ronronado
– e um solar de morgadio se volve o peito exposto.

Acorda-se para ela com um nascer veterano:
e morrer nem custa, como viver não já também,
à luz.

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