Thursday, September 24, 2009

Rosário Breve nº 122 - O Ribatejo - www.oribatejo.pt

Junqueirada

Um ser irrelevante do partido a que por graça chamam “socialista” comparou o discurso de Manuela Ferreira Leite ao de Salazar. A comparação brotou de um tal Junqueiro, Zé para os amigos.

Os junqueiros deste mundo são aqueles fatos-gravatas que aparecem sempre atrás do figurão ao microfone nas arruadas de sorteio-de-cegos das campanhas. Sempre os comparei à caspa: branquinhos, desagradáveis à vista e eternamente aos ombros de alguém.

As junqueiradas dos junqueiros fazem parte do circo dito “democrático”. São boas para sacudir com uma escova. Mas devem ser vituperadas sempre que dão de si.

O discurso de Manuela Ferreira Leite vale o (pouco) que vale. A senhora não tem culpa de ser desengraçada. Não é fácil apanhá-la a fumar em aviões ou a suar t-shirts em maratonas parolas de galga-pontes. Se calhar, está casada com o mesmo homem há mais de quinze dias. Não sei. Não quero saber. Mas não a acho salazarenta. Acho-a hirta, isso sim. É provável que nunca tenha lido Ruy Belo nem Bernardo Santareno. É capaz de, como Salazar, não ganhar eleições algumas. Mas daí a fascizá-la sem mais nem menos, não.

Os junqueiros deste mundo, é para isto que servem. Umas atoardas malévolas aqui e ali, um coparete de verdasco com o bigodes do acordeão e pronto: uma carreira de “serviço público” feita.

A parda eminência de Santa Comba Dão não era muito dada a junqueiros, valha a verdade. Com ele, a galeria era mais de padres-cruzes de pagela bentinha, eusébios de tiracolo colonial, criancinhas anémicas de colónia balnear e exposições de nun’álvares de papelão. Até que o caruncho lhe roeu a corda e a cadeira.

Uma coisa má do 25 de Abril é este florilégio de junqueiros e junqueiradas. A irrelevância, até moral, destes fracos fraques de bolo-de-noiva nunca me faz sorrir. Faz-me só pena. Pena que o caruncho não continue ao serviço e a Bem da Nação.

5 comments:

António said...

Nem mais.
Nos dias de hoje impera a reles má educação, e são os mais exímios na arte que são aclamados. :S

daniel.abrunheiro@gmail.com said...

Completamente de acordo, como sabe, António.

Manuel da Mata said...

Tiro certeiro.
É assim, como o fizeste nesta crónica, que se combate a canalhice.
A senhora, a mim, também me parece impreparada, inculta e hirta; porem, não podemos fascizá-la.
O Junqueiro é aquilo que escreveste. Infelizmente, o PS está cheio de junqueiros. Infelizmente.

Anonymous said...

Amanhã, Manel, é dia de desjunqueirar.

Manuel da Mata said...

Caro Anonymous,

Anteonten foi dia de desjunqueirar, mas não completamente.
Mais um verbo novo neste blogue: desjunqueirar. É a influência do dono da casa.