Tuesday, September 01, 2009

Até Ser Pedra


Souto, Casa, entardenoitecer de 1 de Setembro de 2009
(Foto de autor desconhecido, vista de Brown Willy, ponto mais elevado de Cornwall)



Um tempo de leões rugindo na voz do mar: conheces esse tempo?
A situação pode ser posta desta maneira: a criança floresce até ser pedra.
Ao entardenoitecer, as obras dos homens são marcadas pela silhueta das gruas, pelas notas a lápis deixadas à beira da página, à beira do mar.
Quando eu ia ao Tivoli, domingos à tarde, a máquina dava café de saco, a marca mais prestigiada era Dunhill, havia chocolates, os jornais não tinham edição de domingo, algumas revistas estrangeiras supriam a cosmogonia humílima.
Já então viajava como Xavier de Maistre, que Garrett retomou a caminho do Ribatejo liberal.
Quem viajava?
O leão, que saía mal olhando a boca escancarada da Estação Nova, passava à Júlio Lages, desaparecia para oriente, Bota-Abaixo, João de Ruão, Brown Willy,
à vida.

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