Thursday, April 19, 2012

Rosário Breve nº 255- in O Ribatejo - www.oribatejo.pt - 19 de Abril de 2012



Segund’amanhontem

Esta terça-feira, fui feliz pela tarde, rebentou no café da Rosa um debate de inverosímil e verdadeira tristeza como o Governo da Nação.
À esquerda-baixa, o Raul, que é toxidrogas e que vive dos favores da Belinha das Farturas, atirou depressa que o Sócrates etcital.
O Mico, que se esfuma umas passas mas nunca se injecta, injectou que não é tanto assim, que não, que isto não é tanto assim, que o Almeida dos Santos é que a sabe toda, o riquinho. Eu, que tirei o décimo-ao-segundo pelas novos-oportunismos, quis saber quem era o Almeida Santos, mas o Mico, que mo ia dizer, foi interrompido pela Graciete dos Pneus, que é conhecida assim por causa da barriga recauchutada por aquele chinês da acupunctura que também vende frangos aos ciganos, vai a Graciete assim:
A alegada ligação Heidegger-Nietzsche-nazismo não é límpida.
Nisto, o pessoal cabisbaixou-se um bocado e disse nada aos costumes. Sol que pouco dura como a virilidade do Anacleto, ao qual, apesar de caixa farmacêutico há 32 anos, nem o Viagra resgata. Vai assim o Anacleto:
O problema é os empregos, o problema é os empregos. Olha o Pires de Lima na bicha da sopa-dos-pobres.
Eu era para querer saber quem era, ou nunca foi, ou nunca será, o Pires de Lima, mas o Vital das Bicicletas cortou cerce:
– Ninguém – ,
só que o Rómulo das Fotocópias, que pensa que sabe muito mas só copia, esborratou-se com esta:
Acho que a minha mulher me anda a pôr os cornos a cavalo da crise –,
e o Anselmo das Bifanas, que é loiro e espigado como uma inteligência rápida, desfechou que:
Olha’m’ess’admiração, a filosofia alemã nunca esteve pelos ajustes com o existencialismo cristão à la Gabriel Marcel.
A Rosa, que é cúpida mas não estúpida, ainda quis obstar a que uma Leonor Beleza ou uma Maria de Lurdes Rodrigues. Ou que a uma Rita Seabra. Ou a uma Assunção Cristas, por mais carnuda força de apetite. Os propósitos tibetanos-sufragistas da emancipação fêmeo-coisital nem sempre servem.
Parámos todos para beber um copo. Voemos – e vai então assim o Gino Loló Brígida, um que ataca octogenários à saída do baile-das-velhas do Central Lux Show:
Eu acho o Victor Gaspar mais giro porque demora muito.
Foi o descalabro.
E eu disse duas vezes:
Heidegger, ai de mim; Heidegger de mim.
Isto foi terça-feira. E como o País não apresenta sinais de remédio, amanhã é segunda.

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