Wednesday, June 06, 2007

Nota Breve

Não sou santo. Sou apenas um homem. Às vezes, excedo-me e chego a ser grosseiro. Acontece-me muitas vezes: sempre que deparo, por exemplo, com a desonestidade.
Herdei dos meus pais e de todos os meus irmãos uma fé inabalável na honestidade. Erro nosso, certamente: porque o mundo é desonesto, é feio, é vil, é histriónico.
Não quero nunca, porém, atingir uma pessoa na sua pessoalidade. Não. O que interessa é ser coerente sempre, afirmando em público o que afirmo em privado. Não sou corporativo. Não mancomuno histerias.
Sou um artista limitado. Vivo das e para as palavras. Todos os dias e todas as noites ando à caça delas. As palavras dos outros também me interessam. Frequento muitos livros, muita poesia, muita história, muito teatro, muita crónica. Não sou melhor do que ninguém.
Não roubo e não me deixo roubar. Se fui excessivo, fui estúpido. Mas há uma coisa nesta questão: tenho toda a razão quanto ao que dei e quanto ao que ajudei. E ter razão não é estúpido. É apenas humano.



Caramulo, tarde de 6 de Junho de 2007

2 comments:

Paula Raposo said...

Exactamente. Nem mais.

Gabriel Oliveira said...

Sobre o caso, mais um ou dois (des)apontamentos. Lê-se no site do Trigo Limpo teatro ACERT, numa sua carta à Imprensa:
"...zelando pelo seu bom-nome, bem como pelo bom-nome de José Rui Martins, um dos seus mais importantes membros (Fundador, Autor, Encenador e Actor), que conta já mais de trinta anos de dedicação e trabalho nesta Associação."
Esta expressão causa-me alguma estranheza. Por dois motivos: em primeiro lugar, porque o último lugr onde eu acreditava que alguém se arrogasse como "um dos mais importantes membros" é, precisamente, a ACERT. Até pela raíz ideológica facilmente perceptivel na companhia, esta "diferenciação de classes" me parece subversiva. Em segundo lugar, parece-me tanto mais abusiva quando a defesa é feita ao Director da companhia (faz lembrar outros tempos, ó camaradas, em que as instituições tinham que vior fazer a defesa pública dos seus "santos padroeiros"), que ainda por cima, me parece que goza de certos créditos muito à custa do trabalho dos seus colegas. E se alguém houvesse a destacar, creio que o destaque seria muitissimo mais justo para o Pompeu do que para o Zé Rui! Enfim, opinião de quem olha para a coisa do lugar do público.
Já agora, dizer que, pelos vistos, os comentários no site da ACERT não são publicados. Enviei um comentário à "defesa de José Rui Martins", em tom cordial, solicitando-lhe para que mostrasse a ficha técnica inicial, inscrita em algum documento (que os havia, seguramente), para que melhor pudéssemos aferir alguns elementos aqui em discussão. Nem respondido, nem tão só publicado. Vai para cima de uns 4 ou 5 dias.
Já agora (e antecipando-me à hipótese de algum ACERTIANO vir aqui dizer que, num segundo comentário, terei sido menos elegante), pois é verdade que sim! Mas essa liberdade foi-me dada pelo facto de saber de antemão que não seria publicado! E pela revolta e o balde de àgua fria que é ver a ACERT neste estado!