Saturday, June 30, 2007

Duas Tardes ao Touro de Ouro


O Pessegueiro.
Pátio da Mãe,
Pedrulha, tarde de 23 de Junho de 2007

Foram-me boas, as tardes de 28 e 29 do Junho que hoje acaba. Muitas palavras (porventura demasiadas) acorreram-me querendo, elas, viver em verso(s). Deixei que sim.
Na tarde 28, organizou-se, praticamente sem minha ajuda, a I de duas sequências de 33 quintilhas. Na tarde 29, veio a II. Era
O Sul da Chuva
: uma coisa bífida de 330 versos (mais um, o entreparentético final). Mas não só.
Concluída a dupla sequência, entrelaçaram-se mais quatro poemas breves:
Sonetesmo, Santo António não Percebe nada de Sardinhas, Fala o Gajo de 4Quatro4 Anos e Rosama-me a Cores
. Começo por vos dar estes. Depois vem a tal enormidade de 330 versos + 1.
A tudo isto, a memória fará o favor de esquecer. Mas anoto que, às 6h58m da manhã de hoje (sábado, 30), não chovia como previsto. O sol é um touro de ouro.




Sonetesmo

Mais lindo verso sucede a esmo
na mente do fraco desgraçado
que descurando som a si mesmo
se vê em verso sonorizado.

Porra pa’ isto. Já é secura.
Andar um homem, dia por dia,
lunando o sol de cada dia,
adiand’ ele quanto procura.

Não é por mal. Mais bens terá
o que cruzinhas risca, pisca – achará.
P’ra concluir louco soneto
(que todo o dia nisto mesmo a esmo me meto)
vou cerrar agora, disto, isto mesmo:
Mais lindo verso sucede a esmo.



Santo António não Percebe nada de Sardinhas

Falando de sardinhas, estabelece-se o Verão.
Os pobres acorrem dos lados frios.
Eles ouviram-nos falar do Verão com sardinhas.
Eles foram meninos – e não no sabem já.

Ai a morte. Ai as azeitonas.
Pode alguém descurar o valor
de uma garrafa de azeite em casa
de pessoas que se amam por remédio?

Alho de verde vertical coração.
Frigogestos acorrendo caloríferos.
Por vezes, usamos termos tão mortíferos
que podem, até, ser expiação.

Não. Faz-me mais quadras. Usa
Da língua a recorrência.
Fala da tua mãe viva como se não
tivesse morrido a minha, paciência.

Santantónio, Santantónio,
tu não viveste a ditadura.
Olha-me tu soneto atrás:
Porra pa’ isto. Já é secura.



Fala o Gajo de 4Quatro4 Anos

Aos quatro anos de idade, comecei a organizar
os meus futuros mortos muito bem organizadinhos.
Era o futuro – e eu sabia. Era o futuro – porque
o amor ama sempre no futuro,
sempre – sobretudo mortos.

Depois, aquilo passou e eu entretive-me
coleccionando cacos de louça (e que aqui
ninguém nos ouça) que nenhuma
expolisboa me compraria. Olha, Manuel,
escuta, Maria: cacos – ou dão
clube atlético de campo de ourique
no plural – ou
cacos no plural sem
campo de ourique singular
de vidas partidas como
a minha. E a tua – que me lês ou
ouves.

Bem.

No dia 7 de Maio de 1977, eu estava
sentado – muito bem sentadinho – no
pátio da casa de meus pais.
O sol dava de borla como um
filme repetido. Eu disse assim
ao Pessegueiro: “Pá, isto está tudo a
passar.”
E estava, de facto. Estava a passar.
Fiz treze anos amanhã.
Tinha mais nove,
assim de repente
e em verso.



Rosama-me a Cores
(soneto sem os tercetos)

Ama qualquer coisa que te não diga.
Podem sombras surgir luminosas?
Podem. Basta tal que mão amiga,
(as)sim, de repente, repita rosas.

Carnudas rosas, visuais.
Rosas tão rosas, que, de tão belas,
formosas sejam a extremos tais,
que rubras luzam, mesmo amarelas.



O Sul da Chuva

Como disse a Celeste no liceu,
“tudo se relaciona com tudo”.


I

1
A terra desce – e é mar quando chega.
No fogão, vivificando o café, a rosa do gás.
No céu da noite, o gás dos sistemas.
Lotaritária, a vida é menos
aleatória do que semelha.

2
O tempo traz ingleses, leva familiares.
As árvores deitam-se quando chove,
pois que são cães da água.
Há uma violência natatória nos sonhos.
Há passarinhos fritos nas tabernas.

3
Gasolina ferve nos copos da cerveja,
raparigas fisicamente amadas bocejam nuas.
Flores secas colam-se de costas à Lua.
O Egipto sempre desenhou a morte – e
a morte sempre desenhou o passado a vir.

4
Pintores em andaimes tornam branca uma casa,
parecem escuros insectos crucificados no branco.
Água faz cantar de fresco uma fonte fria,
crianças amorangam o coração quieto
de quem as vê passar na rua.

5
Morremos por oito horas nos braços
uma do outro, renascemos separados pela tal
natatória violência.
Um homem só dinamarquiza a rua
já sem crianças. Eu apareço com febre

6
ao sol de quinta-feira. Um rosto, sob
cabelo amarelo, come uvas: é o Verão.
Não nos foi mais duro o Inverno do que
a vida. Estiolamos até a sul da neve.
E há muito que somos o sul da chuva.

7
Cheiros chegam de jardins e de cozinhas.
Aves fundem o viver com o morrer.
Ser já não é o trabalho das alminhas
tão purgatórias que sentem por baixo arder.
Chamas chegam de jardins e de cozinhas.

8
Outonal é a absolvição de tanto desamor.
A vida amou-te, mas não te lambeu,
pelo que te queixas da inglória ramerrónica:
teu nenhum talento, tua tola fingida loucura.
Só nos sonhos, outonal, te não mentiste.

9
Sim, a terra desce – e o mar sobe para
trocar peixes por estrelas, gás por gás.
Há anos de mais, quando eu era menino,
a febre era esperar a vinda avassaladora
dos versos. Eles vieram, o menino foi-se.

10
No dia em que se tornam sul da chuva,
os meninos hominizam-se como macacos tristes.
Engaiola-se-lhes o coração em bazares
eróticos de menos para tão estéril afluxo
de sangue a tecidos erécteis: não amam.

11
Tornam-se as raparigas vorazes,
quase indiferentes, receptadores de
íntimos humores – e maus. Depois,
outonam como relapsas contribuintes,
como se tudo fosse não como mas para elas.

12
Tenho súbitos estios. Esta tarde ainda,
quinta-feira, na rua já para tomar café,
vi a terra descendo – e então foi
que, ao sol da quinta-feira, só pude:
A terra desce – e é mar quando chega.

13
Mui formosa é a pensativa tristeza de certas palavras.
Pode ser que um dia me toque.
Fernando Pessoa, por exemplo, olhava
– como os fatos escuros nos olham.
E ele era a palavra pensatriste e formosa.

14
A minha mulher e eu vamos para a cama e
já não fazemos tanto aquilo. O mais é
conversarmos sobre o comércio, o Alaska,
o Algarve, os dois filhos muito doentes
dos japoneses que apareceram na televisão.

15
Ao sol da quinta-feira, ao sul da chuva.
Desconstruíram a cabana do monte,
recompuseram em jangada os troncos.
Assim, foram acertados e dignos,
devolvendo à passagem o que passou.

16
Camionetas vermelhas descem a rua,
loucas e diligentes como formigas depressivas.
Levam ovos, azeite, carvão, sabão, cassetes.
Voltam pela noite como vacas encarnadas.
Homens pequenos saltam de dentro delas:

17
como se delas nascessem. Não posso
impedir-me de observar estas coisas
deste mundo final. Angario tais
minúsculas e crepúsculas coisas.
Opúsculo, crestomatio-me e arcaízo.

18
Ou não. Por vezes, uma alegria desobsoleta-me.
Sinto as aranhas ácidas patinhando-me o coração.
Levito, até, um pouco. As circunstâncias
apontam todas para um congresso de
azulejos, um jubileu de cristais, uma alegria.

19
Então, se a mulher não foge, fazemos aquilo.
A realidade espera um pouco, a realidade
guarda por meia hora seus fatos escuros,
seu olhar-nos do alto de sua tremenda
banalidade. Fernando deserta a rua como crianças.

20
Vou descendo a terra para marear-me. Faço pouco
barulho nos cafés, deixo correr o pus,
ele lá sabe aonde vai. Em casa, no
sossego das cortinas, as moscas zingam
suas calígrafas bebedeiras voadoras.

21
Em lojas sombrias como árabes, gastei outrora
o tempo em a circumnavegação da melancolia.
Um touro de ouro porcelanava o alto,
de uma campina de castanho, uma cómoda
coxa que fechava roupas tão interiores como segredos.

22
Ou não. Por vezes, uma alegria musica-me.
Florilégios incas valsam strausses de Ano Novo,
a serpente emplumada faz da minha
ambulatória Viena um livro de colorir
com sons os mais humanos, pois de ninguém.

23
Eu já tomei ampolas camionistas em bares de cianeto.
Raposa do meu deserto, rommelizei
montgomerysmos e seis de junhos só
com mortos. Eram todos meus, os mortos, e
nunca precisaram de ser muitos para serem todos.

24
Nada disto é grave porque viver não é grave.
Só nascer é grave, aquele berro vermelho
ungido de placenta e requeijão. Não,
nada disto é grave. Está aí o sol,
capitão do gás que a chuva ferve.

25
Que pousem, então, os músicos-andorinhos.
Um deles há-de ser a que se chama
Mariana, a cantora ferida pela graça de Deus
ferido, ferido porque não acredita
nas cantoras, nem na música, nem nEle mesmo.

26
O representante de fazendas é que pousa.
Vem cansado, pede uma limonada. Hoje
vem de azul – como ontem e amanhã.
Tem uma malinha com produtinhos e palavrinhas.
E tem um filho doente que não virá na televisão.

27
Um poema? Oh… vulgar urgência narrativa
que não chega a ser prosa. Nem rosa.
Falação de fedúncia, quando muito.
A menos que provenha do intramarino
fato escuro que olhava dos olhos de Fernando.

28
Follow me – canta o Afogador de Ratos.
Aprés toi, pas d’aprés – diz o Francês.
Pedacinhos de couro, um bistrot de porta-moedas.
Cheira a ratinhos árabes no escuro.
Muito sofreram os Portugueses para embolsar sem bolçar.

29
Interrompem-me a urgência narrativa
para me lamentar a chuva prevista para
sábado. Digo que sim – e lamento em
coro.
Pedacinhos de coro, um bistrot, só Portugueses.

30
De repente, 1983 fecha como um mau negócio.
Corações e ossos. Violangores e cellochuvadas.
Coimbra escurece de papelões plúmbeos.
Vejo do alto da escada subindo um menino.
Parece um lírio ensalivador de pastilhas elásticas.

31
Bossas lácteas assomam das sutiânicas cintas,
a cabeleireira veio tomar chá-pastel.
As ancas driblam em gestos e fintas,
ela só costuma vir aqui às quintas,
umas vezes ruiva, outras ouropel.

32
Na pastelaria, aranham os nervos.
Zuca mansidão asila os servos
de suas mesmas memórias infrutificáveis.
Não vão (nunca foram) os tempos amáveis.
Cheiros chamam jardins enerváveis.

33
Fora do corpo moram os outros todos.
Dentro do corpo moram todos os nadas.
A vulgarização de certa literatura francesa
encontrou em Portugal certa esquerda
pronta a esquecê-la logo que houvesse dinheiro.



II

1
Amanhã é sábado, prevê-se que chova.
Há-de a montanha cerrar seus negros punhos à água.
Já passou o azul representante de fazendas.
Lá em baixo, o parque tem a tenda toda ao sol.
Os loucos mansos dormem no Lar suas psicossestas.

2
Como se houvera engolido um barco na vertical:
o mar põe-se-me triste na porra da distância.
Não tanto me sucede já a comoção que antes
a visão me dava de um cu bem feito.
Não – é mais, o mar, como um barco engolir.

3
Estes dias sem ele. Em troca dele, o encapelado
petrificado mar quieto da fixa montanha
ameaçando devorar o vale indiferente
das pessoas felizes e amnésicas,
felizes por amnésicas, no vale, sob as quietas ondas.

4
Também é um pouco como, às vezes, uma
dedada cinza mancha o sol – e
todo o dia se reduz a um fecho,
um momento represador de nossa
mais íntima nulidade – o apagamento.

5
Esse xadrez jogado que cada mulher passando velha
significa, nas ruas da sexta-feira do sol.
Peças de aguazulados olhos já frios,
porvindouros bichos-da-seda a
nenhuma outra borboleta que a da morte.

6
Ter vivido: conta que a lápis branco em
papel branco se escreve e conta.
Vejo-as passar, escuros peixes
em encapelado mar de pedra parada.
Vou tendo, branco, vivido também.

7
Vejo-as passar: as velhas, as horas.
Jovens, apenas as más, as horas.
As outras, queimadas de décadas
de más mercearias e maus homens,
tabuleiram a negro a sexta-feira e o sol.

8
Telas de luz muito pura sobreplacam
a realidade de seus mesmos quadros:
superlativos e anónimos são os pintores
que a olham e não pintam – por
terem olhado o que pintado era já.

9
Camionetas azuis descem o oceano mineral,
serenas e diligentes como repressivas enfermeiras.
Voltam trazendo água como elas azul,
cartas, licores, fruta, gelatinas, sal.
Homens sonham dentro delas, as uterinas.

10
No talho, florescem os encarnados cravos
das carcaças. Alimentícia, a fibra,
de onde outrora o animal amou,
é sua mesma ex-vida cesteira,
amparada pelos marfins tutânicos.

11
Em cama de azeite e pranto de cebola
frigem, nas tabernas, os passarinhos.
Gatos pobres assistem da rua à função.
Enquanto não chove, o par de carteiros
ri uma anedota sob a parreira da loja.

12
Sei que estas coisas vos parecem versos.
São-no menos, entanto, que, das leis,
verificações. Moles versos e moles verificações,
certo. O mundo acontece todo ao mesmo
tempo: como peixes e água num aquário.

13
Eu ver(s)ifico coisas assim. É o meu
trabalho, é o trabalho do meu corpo.
O trabalho do vosso é procurar.
O do meu já não é. Nem encontrar:
é ser encontrado por camionetas anis e escarlates.

14
Penso que, ao menos neste ponto, me
estou a explicar bem. Trata-se de ver
através da tinta, través o papel.
Uma vida pode não ser mais do que isto.
A minha não é.

15
Um pássaro negro ’ind’ anda voando
nossos brancos ares: o senhor Fernando,
que foi quádruplo pintor da casa portuguesa
e branca. Seus pretos corvos faíscam azul
nas águas desta emaranhada montanha marinha.

16
Ou então, o guarda-redes envelhecido
de Luís Filipe Costa, d’A Borboleta na Gaiola,
seus rins que já não respondem à urgência
mortífera do centro que vem da direita,
a cabeçada goleadora aspergida de cristais de suor.

17
Ou então outra coisa. Outra vez os lobos
como furtivas palavrinhas pretas
no caderno de neve, a choupana
do Homem Velho no meio de nenhures.
Em inglês: snowhere. Sim.

18
Lady Purce went to the ballroom.
Will she kiss the bride, neglect the groom?
Lady Purce makes no mistake
by taking reality as a thick fake
of what the Lord, once, had in mind: His zoom.


19
Deixa andar, Lady, tu deixa andar.
Vem-me aqui antes ver passar
estas oleiras tanoeiras carpideiras
de ninguém. Elas vivem. São elas
as horas pretas como lobos, passando.

20
Sofro súbitos invernos. Esta tarde mesma,
sexta-feira, tomado já o café,
vi o mar não descendo por pedra ser – e
e então foi que, ao repetido sol, só pude:
Amanhã é sábado, prevê-se que chova.

21
Cal e opascarlates saem o santo em procissão.
Grelhadas sardinhas, broa, garrafões.
Oitocentos milhões de anos nos não mudariam.
Mais machos os homens, mais eles mariam
em Agosto, pelo santo, pelo tanto, pelo quanto.

22
Aqui chama-se Margarida, o santo.
Tem um sino de cassete, a dela capela pequenina.
Mas são boas as pessoas, não lisboas,
onde a tristeza invade as casas de bifanas
e até, sei lá eu bem porquê, o Teatro Nacional.

23
Eu moro feliz aqui, na nossa santa terrinha.
Guidinha é a nossa santa, só em Julho acontece.
Por vezes sei que apetece mudar de vida-vidinha,
PSD ou PS, qualquer coisa assim tenrinha.
Vou ficando mais e mais português, ver(s)ificando.

24
Ao sol da sexta-feira, ao sul da chuva.
Tenho de construir no monte a cabana,
deixar-me de navegações. A Noruega não
está por modas nem por modos. Não
aceite, mas digno, passarei o passado.

25
A minha mulher sente os pássaros pretos.
Ela está alerta, não se foi, não ’inda, embora.
Isto é tudo um campo de milho e talho:
os animais comem ouro, acordam mortos
e frios, cesteirando as fibras ominosas.

26
Os músicos ouvem com o olhar. Tenho visto
isso acontecer. A cantora estabelece lírios
irrepetíveis. O flavo lírio que do estômago
cresce até tornar-se produto solar em
plena, pleníssima noite. Somos o sul dos músicos.

27
Sim, o mar sobe – para que a terra
aprenda a pescar mais do que apenas
peixes. Nas cómodas coxas, dormem as
tranças mediúnicas das avós, as mesas
pé-de-galo dos avós também coxos. E tristes.

28
Eu hei-de viver um pouco na laranja-néon
dos balcões memoriais a que bebi e estimei.
Algumas frases inglesas com ingleses trocadas
estimarão uma universidade afectiva
que controlei só até onde quis.

29
O resto foi quase tudo em francês,
incluindo Céline e a parvoíce à propos de Céline por
Cesariny, Mário, em carta, ou boca, a Pacheco, Luiz.
Isso já não conta. O que conta, bem,
é sermos todos de esquerda até haver dinheiro.

30
Will you ever sperm me against all the odds?
Oh menina, ou te calas ou te fodes, deixa-te
de britanices e come a sopa, tenho 43 anos e foge-me
a pachorra para tudo o que não seja Graham Greene,
está bem assim ou escrevo-te um postal?

31
De modo que as arrendatárias vísceras
pulsam ainda seu pus cuspidor de sentenças.
Na mínima vila, enorme e verme é
a humanidade concentrada em pensões
de reforma e habitação: PORTUGAL.

32
Acabou-se-me o sol, sábado é amanhã.
Lido com as ácidas aranhas ver(s)ificadoras.
Tenho tempo, estou vivo, respiro na neve.
O sol fez assim: andou de lado como um
apresentador arrependido. Faça favor.

33
E, clarobscuramente, dentro do corpo
habitam os mortos-vivos todos
os que tossem hálitos de retratos,
follow me d’aprés o Afogador de Ratos,
se amanhã chover, vem para sul.

(Cá estaremos.)

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