Wednesday, May 09, 2012

Ligação à Medusa - 37 (integral)


© DA, Leiria, 29 de Abril de 2012

37. A MANSÃO DO MUNDO, O FESTIM DO MUNDO

Leiria e Pombal, segunda-feira, 24 de Outubro de 2011

A mansão do mundo, o festim do mundo,
o catálogo de cabeças-girassóis consumando o mundo,
o cadastro lunar das pessoas-aindas,
os restaurantes de beira-estrada, as flores
dizendo gerânio-nardo-petúlia-vibrina,
a constância da inconstâncias, as aves
dizendo pardal-loquiz-folosa-cidrina,
a fissura preta-lápis da folha encarnada
da boca, isso e o restolho outonal, as árvores
dizendo aloendro-oboé-jaguar-tilimóvel,
ou nietzscheguevarago, queirozaratustrafalgar,
a monarquia reduzida a duques de baralho,
a cartas de rei, a condes já só valetes e a damas
adamascadas que mal dois pontos valem
na sueca da república, nem névoa, as ondas
enrolando de espuma as horas salgadas
em ponto, a ponto de elas, as ondas,
dizendo caranguejo-babugem-areielrei-salagem,
se não tornas a esta casa como hei-de eu
sair do festim do mundo, da imensidão do
mundo?

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