Sunday, February 20, 2011

Ideário de Coimbra - 165

165. SEREMOS B.

Coimbra, quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2011

O meu mui querido Irmão Carlos completa hoje os primeiros 65 anos da vida dele.

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Aqui estou. Na Associação Recreativa da Casa Branca a (des)fazer tempo até à sessão das 15h30m na APPACDM.

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Alguma melancolia, não dolorosa porém. Decorre, estou certo, da incerteza dos tempos. Quando se me acabar o serviço na formação profissional (Pombal é já amanhã; Coimbra, daqui a uns tempos), que de mim? Ir para o estrangeiro doer-me-ia. Sou e sinto-me totalmente português. África e Brasil, nunca. Estados Unidos, idem. Só se fosse a Noruega – ou a Argentina. Mas é que isso me cheira a utopia. Sou este homem neste país. Não desistir. Não d-existir.

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Fustiguem-me a intempérie ou as finanças,
amar-te-ei à mesma a mansidão dos olhos,
a ordem estelar das mãos, o oposto rosto
às horas más – e a palavra em paz.

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Não sei se isto será hipersensibilidade, mas sinto-me constantemente acometido de benignas e açucaradas agressões. São as que a Beleza me desfere. Ainda há pouco. Vinha a pé (como sempre) do trabalho. Dois pardais no passeio. Belíssimos. De um castanho vivo e luminoso que mos fez parecer envernizados. E então, uns poucos metros à frente, sobre um trecho de terreno muito bem relvado (dessa relva que é verniz também, fresca, nutrida a sol, vento e água), um melro. Era carvão vivo. Lustral, brilhante ao extremo de encadear os olhos deste pedinte de nadas que sou. Juro que o bico dele era oiro puro. Esqueci-me quase de viver, ante ele. Depois, passou. Eu passei. Tudo passa.

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Agora, nO Nosso. Com papéis escritos e papéis por escrever. Duas publicações com figuras históricas que me apetece visitar: são edições do Círculo de Leitores e chamam-se Grandes Exploradores (texto de Avril Price-Budgen, grafismo de Sue Hall, investigação de Pamela Mayo Dale e de Winifred Walker, pesquisa iconográfica de Millicent Trowbridge, tradução de Lucília Filipe; foi impresso e encadernado em Agosto de 1989 para o C. de L. pela Printer Portuguesa, número de edição 2583, depósito legal número 27 523/89; a edição original foi da responsabilidade administrativa de Kelly Flynn e de Susan Egerton-Jones; a edição original tem © de Mitchell Beazley Publishers 1988) e Personagens da História (também de Mitchell Beazley etc; do mesmo ano do livro anterior; pesquisa e compilação de Martin Folly; responsável pelo texto, a mesma senhora Avril; a maqueta é de Hans Verkroost; pesquisa iconográfica de Pat Hodgson; traduziu Ana André Costa; a Printer Portuguesa imprimiu e encadernou em Setembro de 1989; o número de edição do C. de L. é 2584 e o depósito legal é número 27 543/89).


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Vou pela navegação instintiva das esquinas e dos escolhos que cada dia aresta e naufraga.
Cada um vai por si.
Cada um a si se paga.

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Qualquer pessoa se basta em instante e as escolhas de cada dia arresta e paga.
Entra e sai e vai por si.
É então que naufraga.

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Uma miríade de tremeluzinhas coruscam ao veludo frio da Noite, são as casas acesas na Cidade nem sempre impessoal, sabes. Não há pássaros de noite, isso custa-me quilos. (Lem)ando as voltas caladas pelos egiptos gélidos da urbe, calo-me e falo-me coisas. Nada disto porém mata, adianta apenas a voraz caducidade da onto-coisa que cada um vai sendo no ir-se. Uma espécie de síndrome-menin’irmãs-Brönte, nem sei. Agora, escrito em porta de churrasqueira temporariamente encerrada: Seremos Breves.
Exacto, pois seremos.



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