Wednesday, March 26, 2008

Quadras para Louça Popular


Depois da Ronda dos Adormecidos aqui surgida esta manhã, nada como umas
Quadras para Louça Popular
Viseu, casa, manhã e tarde de 26 de Março de 2008

Para a Agostinha Bernardo Abrunheiro


Sozinha na cozinha vê pela janela a casa pintada de verde.
Existe fortemente ao ar um fontanário de 1805.
Vê: um homem de camisola encarnada veio à água.
O vento respira alto no cedro ainda não cortado.

É outra vez a janela expondo manhãs de papelão.
O frio conservando as coisas lá fora.
O frio ligado à corrente dos céus.
É o que não muda em silêncio.

Às vezes a tristeza ensurdece-a, só lhe resta olhar.
Procura legendas no rodapé das casas, só vê caca de cães.
Só vê pés de homens pobremente calçados no chão.
Um coração é como ter engolido um guarda-chuva.

O coração dela à janela da cozinha, uma quarta-feira.
Depois um sábado, um novembro, outro ano anterior depois.
O gosto dela por quadras populares escritas em louça.
Sua saudade de lagartixas, musaranhos, rápidos gatos pesados.

Emudeço com ela à espera do sol.
Há água quente, há pataniscas ainda de outro almoço.
Juntamos biscoitos e hemistíquios.
Eu às vezes ladro, ela não.

1 comment:

Anonymous said...

Um homem todo contente à porta da maternidade por a mulher ter dado à luz 5 gémeos, diz:
- Tenho cá um canhão!
Responde o médico:
- Veja lá se o limpa, porque saíram todos pretos.
Tapor