Friday, June 22, 2012

IDEÁRIO DE COIMBRA - 19 - mais coisas desse dia de Coimbra, sexta-feira, 18 de Junho de 2010



Imaginai, vo-lo graficamente peço, hortas frescas nos derredores da Cidade: e gente de meio século vivido sobre elas debruçada em desvelo maternal. Livro verde, folheia-se a si mesma a gorda alface; inchado e encarnado qual abade, jucunda-se o nutrido rotundo tomate; espiral de si mesma, a cebola ensina o ADN e a nebulosa longínqua onde Carl Sagan; intenso de cheira-dedos, vigora viçoso o alho-porro. Imaginai (fazei, portanto, imagens) isso. E não voteis, para a próxima, neste filho-da-puta que lá está.

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Velhas muito brancas beatificadas pela doença: anémicas, nada cristãs, duras, talos de palha de provérbio chinês.

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Eu assim: não morrerei antes de dar uma volta pela prisão (itálico justificado pelo recurso a título de Yourcenar, que o buscou em locução proverbial japonesa – curiosidade: que faria ela de uma leitura, que decerto não fez, do nosso triste gigante chamado Wenceslau de Morais?).

Moraes, Pessanha, Cesário, Brandão – somos mais ricos do que (não) sabíamos.

Sena. Osório. João Roiz de C. B. Garção. Vieira. Codax. Luiz Vaz. Fernando António N. P.: muito ricos.

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