Wednesday, July 09, 2008

PEÇA-POEMA DO MAM’Ó - um desagravo

Se procurardes, não sei por nem para quê, na net o meu nome, digamos que no Google, encontrareis decerto, fatal como a uva mijona, em algumas entradas, uns desarrazoados ignobilíssimos contra o meu bom nome e a minha melhor fé – um rol de “calúnias” por mim alegadamente ejaculadas contra o rosto e a obra e a figura e, hélas!, o prestígio de um “santo” teatreiro de importância tão menor quanto o Montemor alentejano que ao da Figueira da Foz, por insignificante cotejo, se abaixa.
O tempo é o tempo. Aguentei isto ano e picos a fio. A fio e a frio, como agora a sã vingança das pessoas sem bens, mas de bem, entre as que me conto por ser neto de José e filho de Daniel, Abrunheiro ambos.
Agora, como sempre, como desde sempre e para sempre, escrevo. Recebi esta manhã, à minha honesta porta e à porta honestíssima da minha mulher, uma entrega documental da Polícia Municipal de Viseu. Era, finalmente era, o desagravo tribunalício da minha pessoa e dos meus actos.
Recordo-vo-lo: há ano e picos, escrevi, a pedido de encomenda e malefício de inventário, mais de dúzia de canções e TODAS as falas de uma peça de teatro infanto-juvenil. Esperei, tão-só, que o reconhecimento da co-autoria me fosse reconhecido. Para nada. Por nada. Mas porque era a verdade. Ainda é a verdade. Não fui co-autor. Era, na ficha técnica, o gajo dos “poemas”.
Não costumo demorar mais de meia hora a escrever coisas sem futuro. Coisecas que sabeis: versos, teatros, lirismos, urgências, melancolias, risotas, sais e pimentas e afins merdas. Mas sei escrevê-las. É por isso que quem não sabe (escrevê-las) me bate à porta: ou, por honestidade, para ter; ou, por má-fé, para ter como seu. Dei a tal peça (que me pagaram) porque confiei: e entreguei todos os manuscritos em mão (guardei nenhum) e todas as falas ditadas (ditadas de boca, enquanto o amanuense “Autor” as “escrevia”) da dita e ditada peça.
Chegou a hora. A Polícia Municipal trouxe-me a hora à porta honestíssima. A hombridade tem código. A hombridade tem processo. A hombridade é penal. Factos? Ei-los: em prosa e verso, pa’ brincar com os anões.
A peça chama-se Mam’ó.


MAM’Ó

No Processo 378/07.5ATND – Instrução – 3694738, que me moveste por coisas que não escreveste mas querias tanto tuas que nem comigo se parecessem, foste dado, ou o teu gesto por ti, “nulidade”. Falo-te no “termo do inquérito”. Há autos presentes. Há Ministério Público (e cervejas também há, num teatro perto de ti).
A porra nem era a tua queixa. A porra é, porém, em nome do pai e da mãe. E a porra é o “despacho de arquivamento”. Durante uma horita (a mesma duração que gastei a dar-te por autor do que, sendo meu, te emprestei por 300 euros) até quadras farei. Quadras-canções, sabes? Fazem-se tão depressa. Depressa e bem, olha quem. Não refiles, já não vale a pena: eu tenho, daquele tempo, testemunhas presenciais. Tu tens a tua palavra: 3-0, vou eu já ganhando, portanto.

Não me parece, não caro nem amigo meu,
que a co-autorias te arrimes.
Nem m’estremece (ó mosaico!, ó judeu!)
continuada forma de crimes.

MAM’Ó
MAM’Ó

Extinto o direito de queixa (de 2007, 4 de Dezembro),
queixa-te aos sófocles, queixa-te aos plautos,
shakesperarezito de Tondela, que nem me lembro
de factos praticados – nem de autos.

Filhas-da-putice em país de maravilhas,
saberás de muitas (olha quem!).
Viagenzitas a Tordesilhas,
e a moçambiques também,

levas já tantas (tudo p’la sacra poesia!)
que os outros escrevem para tua autoria.
Comigo não, pá: comigo já não,
que de meu mesmo corno me faço eu cabrão.

Tu é que não.
Tu é tudo santidade.
Afilhado de quem nunca foi padrinho
(o Zeca Afonsozinho),
andas no 25 à vontade
como um capitão que à tropa nunca foi
(que uma coisa é a vaca e bem outra é o boi).

MAM’Ó
MAM’Ó


“Assim, porquanto se constata que relativamente aos crimes acima identificados”,
a coisa só podia dar mamós e fados,
faz de autor que faz de puta
em cachapas e possidónios assinalados.

“Nestes termos, e ao abrigo do disposto no artigo”,
aqui te demito publicamente de meu amigo.
Quase o foste, não fora a voluntária malandrice
com que te autoraste maravilha ao abrigo de minha alegada filhadaputice.

Vês, totòzito, como é fácil parecer genial?
Usar em cesura ditirâmbica, ou hemistíquia, nossa língua nacional?
Diz-me a sério, uma vez na vida:
alguma vez sonhaste sequer dar uma quadra por cumprida?

Artigo 277, nº 1, do Código de Processo Penal:
haja quem escreva português em Portugal!
E se a coisa foi fraca e não bela,
que se disfarce de santo na capela de Tondela (ela, ela, ela, ela, ela…)

Que se faça de anjinho. Que goste muito de pretos.
Que seja, da ferida imunda, tantos sais, tantos cloretos.
Que seja mui bem intencionado.
Que cante em valsa até a valsa, até o fado.
Mas que se não queira dar por autor
daquilo em que outro teve o fulgor.

“Inconformado com o arquivamento dos autos nesta parte,”
quiseste, ó gil-vicente das febris berças doentias,
fundir a parte do todo com toda a parte
da arte dos outros. Vai p’ra Cascais, pá, e diz às tias
poemas dos outros com tuas autorias.

MAM’Ó
MAM’Ó


Tenho tempo, a tarde toda tenho:
vingar é um mel com pingo de ranho.
Queres tu uma ajuda? Fala-me d’alcoolismo,
que eu faço uma quadra, com tod’ àvontade,
da porra que é a bipolaridade.

Está aqui tudo, no meu coração:
que uma pessoa é um barco, e o pensar, um porão.
(Viste a virgulazita entre pensar e porão?
É o verbo trocado por pontuação.)

Como quiseste tu, diabo pobre, deixar o mundo pensar
que a peça não tua foste tu a assinar?
A folhas 366 e seguintes (nunca tanta página terás por lida),
querias do processo a instrução requerida.

Nicles. Nicles, nicles, batatóide.
Aprende com o David Suchet, que faz de ovóide
Hercule Poirot de outros, que não meus crimes.
E a meus versos nunca mais te tu arrimes,
nicles, nicles, batatóide.

Vai lá ter com os palopes e santanas tais assim.
Comigo mais não contes, que, enfim,
de tribunais de santo ofício
dei de autarquias malefício.

Estabelece o 286º do Código de Processo Penal
que só é autor um português de Portugal.
Se for de Ton-tom-tonto-dela é que está mal,
286º e seguintes, Código de Processo Penal.

(Vês o musical da silabação?
Vês como se dá a sentir o ritmo certo?
Vês o que dá ser/parecer um chico-esperto?
Vês o silabário da musicação?)

MAM’Ó
MAM’Ó

(Intermezzo dialogal entre o “AUTOR” e EU, QUE A NADA ME SINTO AUTORIZADO senão ao desagravo:)

MAM’Ó
MAM’Ó

“AUTOR” – Também me parece que já estás a abusar.
EU, QUE A NADA ME SINTO AUTORIZADO – Isso és tu que dizes ou fui eu que escrevi mas não me lembro?
AUTOR” – Foste tu que escreveste mas não te lembras.
EU, QUE A NADA ME SINTO AUTORIZADO – Então e assim peças? Tens escrito muito e muitas?
“AUTOR” – Eu não, nada, é Verão, ele há viagens, subsídios a ver se te avias, cultura, pá, cultura, tipo palopes, cumplicidades saborosas, coisas do 25 de Abril e cenas.
EU, QUE A NADA ME SINTO AUTORIZADO – Ya. E jazz e música do mundo e cenas.
“AUTOR” – Pois, e jazz e música do mundo e cenas.
EU, QUE A NADA ME SINTO AUTORIZADO – Aquilo da tua senhora dizer que eu dei “um tiro no pé”, como é?
“AUTOR” – Pá, enganou-se na pata, não leves a mal. Ainda vais fazer mais quadras-canções minhas hoje?
EU, QUE A NADA ME SINTO AUTORIZADO – Olha, vou.
“AUTOR” – E como é de autoria?
EU, QUE A NADA ME SINTO AUTORIZADO – É como de costume. Ora, vê:

“Direito de discordância relativamente a (…) não acusação”
já safou neste país muita cabra, muito cabrão.
“Bem como, sempre que disso for caso, a indicação”.
Ão, ão, ão, ão: cala-te para aí, ó cão.

“A indicação das disposições legais aplicáveis”
esquerda-baixa, esquerda-alta:
é tão giro sermos revolucionários e amáveis,
tão o que faz falta é mentir à malta.

“Thema decidendum” é latim, ó dramaturgo!
Deves ter recebido, como eu,
um documento demiurgo
que tu não escreveste (nem eu!)

É tão chato passar por desonesto
tão aborrecido ver, no Google,
teu nome emporcalhado e, lesto,
mais refolhado que o pastel de Tentúgal.

Nunca mais te metas comigo.
Nem é pela porrada:
é mais por eu ser pouco, meu ex-amigo,
e tu, amigo-ex, menos que nada.

Está provado em tribunal
que a razão não t’assistia.
Lava os pés em água-benta
e a consciência em água fria.

Tenho eu bem mais que fazer.
Publiquei até, nos entretantos,
livro que tinha de escrever
sem teu concurso e sem teus prantos.

Volta prá escola, to recomendo.
Mete-te, por baixo, com tua altura.
Aqui voluntariamente ofendo
nanismo e onanismo, é uma loucura

pensares que pensem o que pensei
em teu lugar, à tua conta:
mas não mais serei a quem se aponta
o que tu vendes de quanto dei.

A peça era nossa, que eu deixava
até teu nome lá figurar
(MAM’Ó
MAM’Ó)
mas Souto Moura isto trava,
que passo agora a citar:

“Requerimento de instrução sem factos (…)
primeira linha não é de investigação (…)
no nosso ponto de vista (…)
sequer referidos na acusação”.

Já por isto vês, ó palco-artista,
ó deslumbramento de divorciadas,
de cabaré galo-sacrista
e de falácias mal processadas,

que p’ra mim latim não tens,
nem rima fácil, fóssil ou difícil.
Vale mais um tremoço do que um míssil,
mais duas tias que zero mães.

Tem cuidado contigo, lê uns livritos,
aproveita as novas oportunidades.
E se nestas férias uns minutitos
te derem ganas e vontades,

compra, mesmo teu não sendo,
um novo livro que escrevi:
Terminação do Anjo – e vai-o lendo
sonhando que foi escrito por ti.

CAI O PANO
(E CAIS TU)

(Ouve-se na rua, de Viseu à Baixa da Banheira, passando pelo West End de Londres, a Broadway do zamericanos e os Bombeiros Voluntários de Tondela:

MAM’Ó
MAM’Ó MAM’Ó
MAM’Ó MAM’Ó
MAM’Ó MAM’Ó
MAM’Ó MAM’Ó
MAM’Ó MAM’Ó
MAM’Ó MAM’Ó
MAM’Ó MAM’Ó
MAM’Ó MAM’Ó
MAM’Ó MAM’Ó
MAM’Ó MAM’Ó
MAM’Ó MAM’Ó
MAM’Ó MAM’Ó
MAM’Ó

5 comments:

nd said...

Coisa braba andou lá pelo ACERT. Sou um sócio distraído. Não dei conta senão agora, ao ler as "andanças do demónio".

Anonymous said...

perdes tempo com cada merda...
Luís

Rui José Antuines da Cunha Simões Correia, pois claro. said...

Lindo e merecido. Canalhas e bandidos com trejeitos de "santas pós-parto" são energúmenos desprezíveis. Esse senhor que te desfalcou e passa a vida a chifrar-se de (des)capitãodabril mostra bem em que se tornou aquela esquerdita bacoca que não sabe o que fazer a uma juventude que já lá vai. Luta desenfreadamente para impedir que aconteça aquilo que o Manuel Freire canta, a maçada do pula e do avança do mundo. Canalha.
E, só mais uma coisa, um mistério insolúvel. Será possível que ele não saiba que o Daniel Abrunheiro é plagiável, mas que a sua escrita nem pensar? Que nunca o Daniel Abrunheiro conseguirá, esforçando-se muito, escrever um texto sem que se perceba à légua, assim a montes de distância daqui, uma coisa que salta aos olhos? até um cachopo diz logo: "Olha isto deve ser do Daniel" E pumba. Por isso ó merditas pantomineiro de Tondela: mam'ó. Que agora já nem é o povo inteiro a dizer-to. É o tribunal que o diz. Houve, pensa nisto, houve juiz que ao ler a única coisa que sabes escrever que é queixas, levantou a saíta, agarrou, com mão cheia, na jurisprudência dos seus tomates e disse: "Ó tu aí que te achavas capaz de ser peúga de Daniel Abrunheiro, olha para aqui, segue o meu dedo e escuta bem o que te digo: MAM'Ó!"

E o povo todo a dizer: ISSO! MAM'Ó!

Acertaste numa coisa. Nunca ninguém te tinha acusado assim. É o que dá aos culpados. Acontece-lhes coisas más. Como a justiça.

Dogfather said...

"esquerdita bacoca" está bem dito.

Gabriel Oliveira said...

Dá vontade de encenar esta peça! eheheheh