Sunday, June 12, 2011

ROSÁRIO DE ISABEL E DINIS seguido de OUTRAS FLORAÇÕES POR ESCRITO - 5 (fragmento 3) - Coimbra, terça-feira, 22 de Março de 2011



Como ser saudável é não pensar na saúde, ser feliz é merecer sem saber, e sem querer saber, que coisa, a felicidade, seja essa.
Penso isto devagar na manhã quase ociosa, viciosa de se viver.
Eu devo ser saudável, pois que estou vivo.
Deveria fazer por não pensar nisso.
Mas as sinapses juntam as cerejas que querem, uma pessoa sujeita-se a ser cesto.
Deixo andar: o meu único dogmatismo é a demanda da Beleza.
Sinto-a desde sempre, à Beleza, como uma construtora de pessoas.
Após o coito patermaternal, é à Beleza que (muitos de nós, não todos) devemos o renascimento e a recomposição diários.
Um pouco de gramática, um pouco de música, um pouco de matemática, algo de arquitectura, um roçar bancas de fruta pelas calçadas infestadas de costureirinhas diligentes e rápidos carteiros: Beleza, Beleza, Beleza, Beleza, Beleza.
(E também não pensá-la, mas recebê-la, à Beleza – em beleza.)