Tuesday, January 08, 2008

Viva o Pacheco!

Publiquei isto sobre o Gajo, n'O Eco, não me lembro quando. Foi em vida dele, enfim, que é o que conta. Viva o Gajo!
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Chama-se Luiz Pacheco, nasceu a 7 de Maio de 1925 e é um homem livre desde esse dia.
Fez e tem muitos filhos. É editor, escritor, libertino, bissexual (ou era, que a idade tudo pendura…), má-língua-sem-papas-na-mesma, certeiro, danado, assertivo, cru, visceral, afiado, justo, injusto, amante, claro, obscuro.
Descobriu, revelou e publicou, entre muitos outros, gente literária hoje muito estrelada: Herberto Helder, Mário Cesariny, Natália Correia e António Maria Lisboa.t
Nunca se vendeu. Nunca teve “tachos”. Nunca se empoleirou. Passou fome de rabo (nos dois sentidos). Aos 80 anos, lixado da gosma da asma, com um enfisema assobiante, alcoólico (finalmente) não praticante, pobre como um esmoler franciscano, repousa com dignidade num lar de velhotes com cama, mesa e roupa lavada, ali para os lados de Setúbal. E sempre doido pela literatura.
São dele, entre outras mais, obras imprescindíveis como “Textos de Guerrilha”, “Exercícios de Estilo”, “O Libertino Passeia por Braga, a Idolátricat, o seu Esplendor”, “Memorando, Mirabolando”, “O Teodolito”, “O Caso das Criancinhas Desaparecidas”, “Os Namorados” e a fabulosa “Comunidade”, entre outros.
Pacheco é o meu herói. Hoje, resiste à morte com o mesmo denodo com que sempre resistiu às agruras da vida. Passou mal (até esmola pediu) para poder publicar a escrita dos outros. Esteve preso cinco vezes, no Limoeiro e nas Caldas da Rainha, por ordem da “Justiça” dum tal Salazar de má memória. Preso, mas sempre livre por dentro.
Agradeço-lhe o exemplo. Vivemos hoje em liberdade também por causa dele. Ele ensina a (r)existir. Por isso, viva o Pacheco! E viva a gente também, c’um caneco!

5 comments:

LM,paris said...

Bonsoir daniel et très "bonanée"...c'est du coeur!
Viva o gajo, sempre tive "medo "do Pacheco, em miuda ali nas Belas-artes e em algumas tertùlias daquele tempo,
o Luis punha-me mal-à-l'aise.
Mais tarde ali no Camoes, ele dizia-me-" O miuda, tens ai uns tostoes para me pagares um café e um pastel de nata?", e là estavamos nos face a face a comer pasteis, e aquele aperto no estomago sempre a fazer efeito, trop libre, comme les oiseaux on ne pouvait pas le regarder dans les yeux.
j'espère qu'il pourra fumer tranquillos là haut!!!
Um abraço daniel, cheguei hoje da terra. està um frio de rachar em paris, tinha 300 mails...
passei vinte dias unplugead...
merci pour votre message , merci.
Um beijinho de Paris, com um jet-leg....d'une heure.
Saudades dos seus poemas, tinha o livro, mas gosto de vir aqui, ao club dos poetas vivos, pode fumar à vontade...embora eu jogue no inimigo. Beijinhos, LM, Paris.

Anonymous said...

Já seguiu para publicação no Porco, claro!
Tapor

sophis said...

Viva! Porque os que são livres por dentro pairam sempre por aí, nem que seja em forma de fantasmas. Bj

José Antunes Ribeiro said...

Caro Daniel,

Excelente retrato do Pacheco, esse espírito irreverente, grande editor, sem dúvida, grande escritor...de um uma forma ou de outra muito lhe devo...E É PRECISO RESISTIR SEMPRE!

vermelho vivo said...

Trago até aqui um pormenor que parecendo pequeno, é enorme e indissociável de si: a militância comunista de Luiz Pacheco.

Para não ser muito longo, convido à leitura da intervenção feita no seu funeral em:
http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=31085&Itemid=1