Friday, January 11, 2008

O Exemplo do Boavista

Segue-se a crónica nº 34 da série Rosário Breve, no glorioso O Ribatejo (www.oribatejo.pt)

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O Exemplo do Boavista



Qual é a diferença entre os adultos que somos hoje e as crianças que hoje nascem? É esta: nós não temos onde cair mortos, elas não têm onde nascer.
Neste país, já não há distinção entre “desengraçado” e “desgraçado”, sequer ortográfica. Se a houvesse, notá-la-íamos entre os 68 cêntimos mensais de actualização das reformas e o salário do ex-caixa de banco Armando Vara. Não é o céu, portanto, que não tem limites: é a “Pátria”.
É facílimo demonstrar quão tudo é dificílimo. Ele é o fartote do aluguer de aviões e helicópteros da “época de incêndios”: quantas fortunas particulares com dinheiros públicos não estarão a ser amealhadas à conta do regabofe que é o crónico atraso dos concursos de compra? Ele é o “Tratado de Lisboa”, que já não vai a referendo porque sim: está tudo tratado. Ele é a “Lei do Tabaco”, o novo apartheid a que se seguirão os regulamentos policiais do Açúcar, do Toucinho, da Farinheira, do Calçado com Solas Vulcanizadas, do Copo de Plástico, do Travesti de Carnaval, do Gay de Todo o Ano, da Ovelha com Chip da Serra da Estrela e, ainda, a do Porreiro-Pá-Porreiro-Pá.
Os partidos com menos de cinco mil militantes (como o Boavista F.C., por exemplo) vão ter de fechar. Recomendo-lhes vivamente que, para sobreviver, se transformem em “igrejas”: basta-lhes inscrever meia dúzia de “bispos” brasileiros (como o Boavista, por exemplo).
Ele há, porém, consolações: e não, não estou a referir-me nem ao Goucha nem ao Baião. Refiro-me à consoladora proposta que o mais famoso casal algarvio, os McCann, recebeu. Parece que alguém quer levar ao cinema um filme sobre a Maddie. Tenho uma proposta para o elenco: a Esmeralda como personagem secundária. Toda a gente sabe quão secundária é a Esmeralda.
(Aos quarenta e picos anos, o que me aborrece não é não ter onde cair morto. É não ter como renascer. Sim, como o Boavista.)

6 comments:

Anonymous said...

Está porreiro pá... só para os filhos-da-puta, sem mais delongas.

Cp

Manuel da Mata said...

Esta prosa merecia um público mais vasto.
Ainda que sejamos bons, somos poucos. Leitores, evidentemente!
Um abraço e a camaradagem do,
Maneul

José Antunes Ribeiro said...

Um forte abraço, Daniel!
Um dia destes os leitores do Daniel serão muitos...da imensa minoria, claro! Tens dúvidas, Manuel?!

LM,paris said...

Bonjour le samedi hoje com sol enfim, jà estava com saudades dos deus ditos e eu com maus costumes a remoer, a remoer em Portugal, frente e a braços , sem abraços a coisas que me poem ( nao tenho acentos a nao sera aqueles da natureza),POSSESSA!
Por isso e porque nao sei quem é o Boavista, desculpe là, o foot é coisa abstracta com " c"...ainda? Nunca teve? Sou brasileira, jà?
Nao me deprimam...mas que bom ler isto porra!
E o resto...suco da mente!
Mente nada isto. Bom, vou cafear um pouco na bica de Paris, a 2 euros ou 3...davam ai 6...aqui temos o
ST Précaire, posso emprestar embora nao gsote dele é coitadinho, um chato, temos tantas preces, tantos na rua" desgraçadas e çados ", Bispos e fundo dos tachos aqueles que agarram e cheiram a esturro, que rima com burro e Inquisiçao.
Pà .So se for para fazer uma cova ...da IRIA?
Que caiam todos nela, os tais pà, raio, parece que se multiplicam mais que os outros ou quê?
Soube ontem que tenho uns pontos de reforma que me dao, darao,
1 euro e setenta e dois centimos por mês, se eu chegar a velhinha se là chegar.Ouf, e eu a julgar que ia morrer de susto!
Beijos, LM
Merci des voeux!!!!!Tamém mais ainda!!!!LOve LM

Anonymous said...

Muito bem, pá!
RB

sophis said...

Glorioso é bem. bj