Thursday, October 21, 2010

Rosário Breve nº 177 - www.oribatejo.pt + Corvos e Pombas nº 1 - www.regiaodeleiria.pt



Cine Porno e outras desonras afins

Partilho com as louras falsas a secreta esperança de, no epílogo dos filmes porno, ele se casar com ela, já que tão publicamente a desonrou.
Com isto não pretendo dizer, porém, que outra esperança também secreta me anime: falo de esperar que, mais tarde ou mais cedo, este Governo se case connosco, apesar da iniludível e indesmentível pornochanchada em que ele consiste.
Eu não peço que no Cartaxo até com uvas se produza vinho, assim como nunca reclamo quando o melão de Almeirim me parece um bocado espanhol. Se, por absurdo, viesse a participar numa meia-maratona mas obrigado a partir da última fila do pelotão, vivamente vos garanto que me resultaria muito mais fácil apanhar Sócrates do que um coxo.
É por aqui e por aí voz corrente que o Pão, ao contrário do Governo, tem miolo. Tê-lo-á, mas é cada vez mais côdea. Não me recordo de crise tão crítica como aquela com que estes espúrios cavalheiros nos inseminaram. Crise financeira, mas não apenas. Crise moral, crise mental, crise física & metafísica & patafísica & tísica. Tenho a caixa de correio electrónico diariamente atulhada de indesmentíveis (e nunca desmentidas) denúncias fundamentadas de clientelismos, compadrios, vigarices, ciganices não propriamente étnicas, tachismos e assessorismos. Roubalheiras e ratarias, enfim.
O dito pelo não-dito é dito & feito. A promessa de ontem é garantia hoje de que amanhã antes pelo contrário. Estes sevandijas energumenóides desceram a arte da mentira aos ofícios da meia-verdade, sendo esta de bem mais soez sordidez do que aquela. Uma sarjeta não pode nunca ser pista de patinagem, assim como a Vodafone não é a cópula da Ivone, enfim.
A moléstia alastra (e, por desgraça, grassa) por tudo quanto é cão e rincão. A margarina do trabalhador é que sustenta o caviar dos chupistas.
A moralidade é estarmos desquitados de nós mesmos. É. Mas seria tão bonito que no fim do filme ele casasse com ela. Ou então com ele: e não estou a falar do coxo.


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O Enigma de Marrazes



Os mistérios da vida são universais e começam pela mesma Vida – ela própria e em caixa alta. O par enigmático dela, da Vida, é a Morte. Outros casais misteriosos: o Tempo & o Espaço, o Céu & a Terra, o Ar & o Mar, o Homem & a Mulher (especial destaque para esta última), o Cão & o Gato, o Gato & o Rato, a Brevidade & a Eternidade. E Deus & o Diabo, tão naturalmente quão também.
Mas Leiria tem outro. Ah pois é. Leiria tem um enigma que é só de Leiria. Só, só. Muito só. Muito só de cá e muito só daqui. Qual é ele? É o enigma de Marrazes.
Os meus leitores, sei-o eu bem e à saciedade, já sabiam que sim – mas esqueceram-se de verbalizá-lo. Como sou pago para me lembrar de coisas que nem ao (tal) Diabo, a coisa aqui vai de seguida: em que consiste esse toponímico-gentílico mistério/enigma/charada/problema/quebra-tolas? Consiste nisto: como é que, cada vez que o glorioso onze futeboleiro de Marrazes joga no tomástaveirado Magalhães Pessoa, a assistência traseiro-sentada na bancada é, no mínimo e pelo menos, quadruplamente superior à da infra-média que se dá ao luxo triste de ir ver a União de Leiria?
Como é? Porquê? O que é de facto a Morte? E o Tempo? E o Cosmos? E Homero existiu mesmo ou foi uma data de gajos tipo Fernando Pessoa? E a formação neural da Consciência? E o ad aeternum brevis semper? E o Marrazes?
Não sei. Acontece que não posso ir demandar este esclarecimento existencial a Leonel Pontes, de quem aliás sou amigo por descuidado favor dele. Nem a João Bartolomeu, com quem ainda me não amiguei e cuja voz, apesar de fininha, ainda era capaz me parecer grossa. De modo que, para já, ficamos assim: entre Deus & o Diabo & o Cão & o Gato. Ou entre o Sport Clube Leiria e Marrazes & a União Desportiva de Leiria. Ou entre o aparentemente vitalício (ou ad aeternum…) João Bartolomeu & o monte-redondense Leonel Pontes da Leirisport. Ou seja: sem explicação alguma e com mistério para sempre.
Para sempre – ou até daqui a quinze dias.

2 comments:

Anonymous said...

Porquê Daniel? Por que razão a assistência marrazense é superior à leiriense no Magalhães Pessoa? É coisa para ser simples. Bastará perguntar ao marrazense Leonel Pontes...
Sim, que ele é agora marrazense desde sempre. Ou pelo menos desde que o JB não construiu o centro de estágios unionista em Monte Redondo... e desde que não lhe aceitou os mui valiosos conselhos de gestão

daniel.abrunheiro@gmail.com said...

Pronto, então vou perguntar-lhe. Obrigado pela leitura e pelo comentário, pena ser anónimo, mas agradeço.