Wednesday, September 17, 2008

Obtusa Lírica Dominical (fragmentos)

De trabalhos do passado mês de Agosto, estes fragmentos.

Viseu, Mundial Bar, fim da manhã de 3 de Agosto de 2008

(…)
Um pouco de Brel pensando olhar água,
a azul de azulejo na barragem, domingo.
Ficar todavia toda a vida aqui, num café quieto,
entre posters do Benfica e cartazes de bailagostos.

(…)
Gosto de ver as pessoas repetindo-se, tais
ondas do mar fossem: espumosas, claras e,
afinal, invencíveis, as boas frias pessoas
torradas pela Lua Grande deste sertão, deste

ser tão pessoa na desumanidade.
Bailes em Agosto, ele há muitos, não os irei.
Estou recolhido no co-nãodomínio da alma.
Leio ainda palimpsestos e preços da fruta.

(…)
Francas ruas, encerradas artérias: eu vejo
dos vivos a passante sereia ao farol alteada:
canoro rastilho de doenças vitomortais,
além de Proust muito dandy, muito David Suchet.

(…)
De quantos novembros seremos capazes, humanamente?
Estas pedras históricas, que nos olham na cidade
como oliveiras perpétuas, vitalícias despedidas
iguais a barcos que titanicam tudo

e nada?

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