Thursday, September 29, 2011

ROSÁRIO DE ISABEL E DINIS seguido de OUTRAS FLORAÇÕES POR ESCRITO - 16 - Coimbra, segunda-feira, 11 de Abril de 2011 (conclusão)

Clube de Futebol União de Coimbra - Primeira Divisão Nacional - Época de 1972/73


Ou então:


Habitei longamente a infância da minha rua,
isso já lá vai, entanto aqui fica.
Havia o meu Pai, farmácia era botica,
a minha vida (re)vestia-se de ser nua.

Roubei longamente fruta nos campos lavados.
As pessoas eram vivas, havia menos cafés.
Os filhos conheciam-se irmãos pelos pés,
eiva, seiva, ei, rei, grei, apressados.

Sou compridamente daqui, mas vou morar
com certa senhora dúctil como o ouro.
Levo-lhe nada, que nada é o meu tesouro
e tudo é quanto hei a lh’ ofertar.

Carnívora rosa, é ou não o coração?
E as tardes do Calhabé, quando o União
(72-73, digo eu) subiu à Primeira Divisão?
Não, espera, eu digo-me e me confesso ladrão

da fruta dos campos, da água dos olhos,
dos naufrágios pessoais, de praias e escolhos,
amores insalubres, tenho-os eu tido aos molhos,
a água dos campos, a fruta dos olhos.

A meu lado, um guedelhudo
fuma de barba Português Suave
e bebe uma Pedras. Mais digo, contudo,
que usa nos pés umas unhas de ave.

Que loucura mansa, Joaquim, a poesia.
Esta coisa q’aleija e lateja no dia.
Um dia, a gente, entanto, todavia,
’ind’-’á-de-ser-feliz – feliz, quem diria.

(Poderia, no entanto, ser, ainda, assim:)

Ágil graça pura em formosura
assiste, lent’atenta a quanto faço.
Nem sempre a rima é coisa do bagaço:
às por vezes é causa d’efeito pura.

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