Thursday, October 15, 2009

Rosário Breve nº 126 - O Ribatejo - www.oribatejo.pt

Brasil, remorso e infecção

A prova definitiva de o colonialismo ser uma coisa má – está no facto de nós, Portugueses, termos inventado o Brasil, essa infecção do mundo, esse nosso remorso.

Outra violência me não ocorre senão esta, depois de ter visto a “atriz” (sem cê) e “xecritora” (com xis) Maitê Proença a humilhar-nos num programa televisivo brasileiro reles. (Sim, eu sei, dizer “televisivo brasileiro reles” é redundância).

Parece que somos o povo mais estúpido do mundo. Mas o Brasil das favelas, o Brasil morredouro de pobres, o Brasil viveiro de sequestradores, o Brasil da Polícia Militar assassina de meninos-de-rua, o Brasil do mensalão, o Brasil exterminador da Amazónia, o Brasil chinelo de borracha, o Brasil da escumalha ortográfica, o Brasil do Pelé e da Xuxa, o Brasil do vólei-de-praia, o Brasil do Pão-de-Açúcar com o Saca-Rolhas lá em cima, o Brasil da Maitê Proença – não é melhor do que nós. É pior. É uma infecção. É uma flor-do-lixo. É um escarro desonesto no nosso rosto honesto.

Haverá outros Brasis, decerto. O Brasil de Fernando Sabino. O Brasil de Chico Buarque. O Brasil de Sebastião Salgado. O Brasil de Carlos Chaparro. Mas o verdadeiro Brasil é o de Garrincha, morto nos braços da fome e do desprezo.

Maitê Proença, cuspindo-nos sem finura como nos cuspiu, rebaixou-se ao desnível de qualquer das suas (dela) muitas compatriotas que cá pelo Pórtugáu alternam a luxúria boçal dos patos-bravos e dos mal-casados em covis prostibulares sem ortografia nem remédio.

Proença não pensa. Se soubesse português, pensaria, talvez. Mas como só humilha em brasilês, não conta para o nosso totobola. Contará, quando muito, para o nosso remorso tão lusíada e tão remordido, nosso de nós, que nos enganámos algures no caminho marítimo para a Índia e fomos descobrir, para a darmos ao mundo, aquela infecciosa porcaria verde-amarela.





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8 comments:

António said...

Está duro...o texto, alguma compreensão aqui deixo.

daniel.abrunheiro@gmail.com said...

Pois está, António. Mas não me retracto dele: estou farto que a brasucada nos pape as papas na cabeça. Fartinho. Despejei o pus.

João Melo Alvim said...

Eu iria dizer o mesmo, mas depois vi a tua resposta. Não estarei farto, mas sinceramente é daqueles parentes que torna claro o princípio do "amigos escolhem-se e família não".

daniel.abrunheiro@gmail.com said...

Eu até família escolho, caro João. Até família.

pedro pereira neto said...

Daniel, da mesma forma que há comportamentos que envergonham a população brasileira, há comentários que devem envergonhar a portuguesa. Criticar as generalizações insultuosas daquela pessoa com outras generalizações insultuosas não revela o erro da primeira, apenas o repete. Mais, agrava-o: se a primeira já pareceu pouco ponderada, a sua - pelo hiato de tempo e pela reflexão que deveria ter existido entretanto - é de uma insensatez e infelicidade incomensuráveis. De facto, há pessoas para tudo. Em ambos os lados do Atlântico. Aconselho a que pondere melhor se vale mesmo a pena alargar a todos a crítica que dirigiu a um, sob pena de - da próxima vez - poder ser o Daniel a ser injustamente incluído em generalizações abjectas.

daniel.abrunheiro@gmail.com said...

Caro Pedro,
o hiato tem 500 anos.
Eu não serei anedota.
Um programa de TV demora mais tempo do que uma crónica.
Meio milénio é meio milÊnio.
Sinceramente português,

--
Daniel Abrunheiro

zé lérias said...

A mulher parece ter-se apercebido que tem ascendência portuguesa.Infelizmente.
Veja:
http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM1141115-7822-MAITE+PROENCA+PEDE+DESCULPAS+AOS+PORTUGUESES,00.html

Cachimbo said...

Eu não tenho grande sentido de humor, sou um Português assim meio carrancudo e quando me cospem na cara não costumo rir ou aceitar desculpas. Sou mais do tipo não insultar um povo numa podre televisão como se viu. O que tenho é orgulho de não ser como a Maite Proença.