Sunday, July 11, 2010

IDEÁRIO DE COIMBRA - podografias de retorno – 12 (c) - continuação da entrada datada de Coimbra, sexta-feira, 11 de Junho de 2010

António Quadros

Livros de Bolso Europa-América, n.º 502, Clepsidra e Poemas Dispersos de Camilo Pessanha. Na Introdução (pp. 30-31), escreve António Quadros isto:

O que um homem faz, é o que o homem é, e o que o homem é não se atinge senão através do que ele faz. A poesia é essencialmente um fazer criativo – uma poiêsis –, um fazer mágico de mais ser, o ser artístico, alquimia do ritmo, do canto, da palavra. E, por intermédio desta poiêsis, é também a si próprio que o poeta se vai fazendo ou refazendo como outro do que no início era. Na sua poesia, ele, que é existência fluida, que é devir imparável e constante corrupção, quereria fixar-se em essência, como se cada poema fosse a detenção e a fixação de algo de substancial nele, o mais verdadeiro, o mais profundo, o mais imperecível, algo que na implacável caducidade e distracção das horas se perderia para sempre.

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