Tuesday, March 11, 2014

OUTRO SONETO COM A LUZ MESMA - Leiria, terça-feira, 11 de Março de 2014






Onde aqueles dois que sabeis a luz primeira
primamente viram, cada um por si
– é Coimbra chamada, pátria soalheira
onde, nascendo, a prima luz também vi.

Por ela passa o Mondego rio, que fica.
Nela se incrusta a ouro o fresco sol.
Bordado de choupos, o manso arrebol
menos ao estudante guarda que ao futrica.

Ao pó dos livros como ao pó dos caminhos,
vai o leitor-caminhante se sacudindo.
Manhãs lhe foram já. Já a noite, vindo,

o instrúi na resignação por pura antecipação.
Nascemos a sós, finamo-nos sozinhos.
Mas a luz. Mas Coimbra. Mas o coração.