Thursday, September 15, 2005

(Mais) Histórias de Portugal
















(Ó Toninho, ficas aqui à esquerda que até te lixas!)




Salazar, o António de Oliveira, foi, enquanto pessoa, uma essência murcha, malsã e incompleta. Enquanto político, foi uma pedra de gelo num cálice de sacristia. A mitomania do Herói de Finanças, do Oiro Arrecadado na Palha do Colchão – não cumpre. De que vale o ouro no cofre quando o analfabetismo e a piolheira grassam no povo?
Lá fora, o teutónico Hitler e o macarrónico Mussolini arengava de varandas de mármore às massas ululantes, egóticas e vis. Franco, o galego envergonhado, garrotava a Espanha de sacro hissope nas mãos tintas para sempre de sangue. Entretanto, os norte-americanos calculavam xis de liberdade com ípsilon de estratégia.
Veio o 25 de Abril para cá. A política tornou-se parecida com o futebol. Bandeiras, maralhal aos berros, leitura nenhuma, MRPP e MIRN. Egrégios avós. Nobre povo. Ou pobre novo. Mais LCI, PCP(R), MÊS, PRP-BR, OCPML, LUAR, MDP-CDE, PS(P), PCP, PPD, CDS. MFA. SUV. FUP. SLB. SCP. Siglas cegas.
Sá-Carneiro voou, mas poucochinho. Mário Soares engordou, mas muito. Alegre fez versos alegres, bardo oficial. O padre Max é morto à bomba, pergunte-se ao cónego Melo. O professor José Hermano Saraiva transita do Antigo Regime para a Dieta Nova, com estágio no Brasil dos coronéis. O Pacheco Pereira também transita. A Zita espera que a coisa Seabra. Evanescente, Paulo Portas tirita olores de santidade, pagando submarinos com a caixa de esmolas dos bombeiros. Tarde, o País arde. Trinta anos disto.
O Moita Flores escreve novelas para a mulher e quer ser presidente da Câmara. O careca do Benfica já é. O filho do Soares também quer ser, mas decerto por birra. Cinco gueis aparecem na TV para um concurso popular: cinco novos presidentes de autarquia em potência?
O povo não se levanta mas ri. Ri de si mesmo, mas não sabe. Fernando Rocha é o génio pós-modernista, perdão, pós-Zé Maria. Teresa Guilherme, de alargados maxilares, dentifrica 1-2-3. O Goucha sacode-se, ungido de velhas marretas que, em directo, sujam as próteses dentárias com queijadas de Tentúgal. O Rodrigues dos Santos arrecada o Prémio RTP do Grande Comunicador RTP. As rádios-rebanhos seguem o pastor-playlist. Telemóveis para todos. O Jardim da Madeira continua vivo. A cidade de Pombal também não.
Portugal, allez!



Tondela, 23 de Agosto de 2005

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