Sunday, February 18, 2007

Fadança

para o Fran Pérez



Serena passa a própria água mesma
do rio a foz montante conta vidas
sombras frias cortam pedras a jusante
a montante frases estreitas e compridas.

Não conta a própria voz a vez falada
de nada serve ter razão ou não
a pele do peito pode ser cortada
tracejada dos mamilos de união.

Em baixo o aparelho conta mijos
cebolas organizam odorímetros
tenho sentido perto gajos rijos
violando moedas e parquímetros.

O corpo cresce, sim, mas só p'ra isto
que isto é só fedúncia a mais fiscal
concorre o ermo triste a ser benquisto
e nisto acontece Portugal.

Fora do fisco 'ind' assim é possível
acorrer ao fluxo ribeirinho
um gajo é luz sozinho e fusível
f(i)o-de-terrra zunegemendo baixinho.

Do rio já guardei eu coisas mansas
as cheias são do tempo não contado
eu trago viola e tu danças as danças
que o fado também pode ser dançado.



Caramulo, noite de 17 de Fevereiro de 2007

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