Monday, August 08, 2005

Ruy Belo (1933-1978)



Os números não são para levar à letra. Não estes.
1933, S. João da Ribeira (Rio Maior) - 1978, Queluz.
Rui de Moura Belo, Ruy Belo.

Todos os dias me lembro dele.
Se não todos os dias, algumas noites.
Morreu, diz-se que sim, na tarde de 8 de Agosto de há 27 anos, faz hoje.
Morria ele e fazia o meu sobrinho Carlitos sete precisos meses de vida.
A poesia tem custo de vida.


Melhor, porém e sempre, é reouvi-lo (reavê-lo):


E TUDO ERA POSSÍVEL

Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido.

Chegava o mês de Maio e era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido.

E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer.

Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança


(in memoriam vitae R.B., Tondela, 8 de Agosto de 2005)

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