07/11/2011

ROSÁRIO DE ISABEL E DINIS seguido de OUTRAS FLORAÇÕES POR ESCRITO - 45. TRÊS PEÇAS Leiria, quarta-feira, 8 de Junho de 2011




45. TRÊS PEÇAS

Leiria, quarta-feira, 8 de Junho de 2011

I

A prostituição produz destas flores cabisbaixas perto dos Correios. Madames do macadame. Vendem-se ao pólen de homens desavindos com eles mesmos. A amargura parece-lhes mais fértil do que as outras nódoas de cor na paleta dos dias. São vaginas com boca ampliando a desertificação das mães. As avenidas e os pinhais parecem versos pontuados por elas. No fundo, constituem um sindicato tenebroso mas límpido. Talvez me não fosse possível concertar delas os sonhos cinza-pombo em azul-marinho, nem saber se em criança foram levadas a ver o mar. Sei que da bolsa delas pagam a homens, ao balcão peitoral de rulotes cegas de néon, bifanas e latas de cerveja nas madrugadas insuportáveis do século XXI. Mas são flores, como todos somos.

II

A luz joga ao tabuleiro da terra as peças-pessoas da Cidade. É um jogo que se filtra: movimenta a sombra sua dela mesma sombra, respondendo (ou contra-atacando) a luz com a luz que pode. Não é uma natureza morta nem uma natureza-morta. Comedores de empadas envergam fatiotas vendedoras, sapatos macambúzios, gravatas pendentes como línguas cansadas, bovinas. Às seis da tarde, a fronteira do dia é uma orla brumosa: as fadigas-formigas preparam o retorno às tocas. Ao arrepio da nobreza animal, os humanos são peças abatíveis. Calibram recursos contra o desgaste, não aprenderam ainda a suportar as clivagens umbriluminológicas do Jogo. Quando finalmente aprendem, algo ou alguém apaga a luz.

III

Mármore (má morte).
Fim do mar: marfim.
Sândalo, cânfora, incenso, cravinho.
Disponho de imagens substantivas
para nada, talvez para ninguém.
Conheço os veios que correm e
incorrem os afinal inquietos viandantes
daquela outra (escre)visão: o palavroso
coração.
Os picos montanhosos como castelos
naturais.
A batalha e a botelha.
Plan(e)ta.
Vege(s)tar.
Exerço uma resistência pícara (púcara) aos agravos das escol(h)as erradas que come(n)ti ao longo da vid’até agora. CAPITULARES a tinta numa parede exterior de oficina-auto: PNEUS – ALINHAMENTOS –LAVAGEM – LIMPEZAS – REVISÕES - MUDAS DE ÓLEO. Ou: OPALA – JADE – SAFIRA – ÓNIX – TOPÁZIO – MÁRMORE.

03/11/2011

Rosário Breve nº 231 - in O Ribatejo - www.oribatejo.pt - 3 de Novembro de 2011




Crónica almeirinense por três-vintes



Dois vereadores da Câmara de Almeirim entraram esta semana na minha vida pela portinhola da anedota.
José Carlos Silva (“espaços verdes”) vai malhar com os ossos em tribunal por causa de 59 euros de lenha. A história mete um cunhado. Estas histórias metem sempre um cunhado, vá lá saber-se porquê.
Maria Emília Moreira (“educação”) entrou em três salas de aula para admoestar crianças que cometeram o pecado de dizer aos respectivos pais o que pensavam da comida servida na escola.
O caso do Silva da lenha é um caso porreiro. Fez-me rir. Fez-me bem. E sossegou-me: a partir deste caso, sei que a moralidade tem o valor mínimo de três notas de vinte.
O caso da Moreira da cantina não é um caso porreiro. É uma anedota, mas uma anedota triste. Seria uma vergonha para ela no caso de ela possuir esse sentimento anacrónico. Não sei se possui. Sei que a história é uma vergonha para Almeirim.
Não sou, felizmente não sou, um pobre-diabo ao abrigo de qualquer programa labor-municipal de ocupação. Se me mandassem acarretar lenha como um mainato, eu accionava ao mandante certa tecnologia de ponta digital do médio direito.
Também não sou pai de qualquer das três criancinhas atónitas, assustadas e lacrimosas para quem a escola passou a ser uma espécie de antecâmara do tribunal purgatório. Mas se o fosse, a Moreira da cantina não se ficaria a rir. (E até aposto que, lendo esta edição em papel de O RIBATEJO, o beicinho lhe trema de indignação ou coisital que os vereadores costumam ter muito depois de fazerem coisas estúpidas e absolutamente evitáveis – para além de ilegais, já agora).
A lenha do Silva é, enfim, uma coisa boa para ele ser a castanha em magusto próprio.
A invasão da Moreira é mais grave. Até porque, para mim, custa no mínimo sessenta euros.


02/11/2011

ROSÁRIO DE ISABEL E DINIS seguido de OUTRAS FLORAÇÕES POR ESCRITO - 44. SONETO DO ARREDAR DA VÃ ESPERANÇA O VINHO AMARGO E CERCANIAS DESSE SONETO - Coimbra, segunda-feira, 6 de Junho de 2011



© Alfred Steiglitz
The Amateur Photographer & Photography 1923
http.howtobearetronaut.com



44. SONETO DO ARREDAR DA VÃ ESPERANÇA O VINHO AMARGO E CERCANIAS DESSE SONETO

Coimbra, segunda-feira, 6 de Junho de 2011

À hora a que escrevo, adormeceram já as aves. Sou este homem de camisola encarnada, esta figura povoada de lugares despovoados e de pessoas do deserto.
O vento traz gelo nas asas e na cauda, a noite vem nascendo fresca, pouca gente demanda o bairro e as cercanias do meu corpo, da minha camisola encarnada.
(Talvez a alegria extenue mais do que a tristeza, suspeito que sim.)
Faço por não profanar de máculas nem o amor nem a triste beleza dele. Faço por deixar vestígios purificados pelo gelo do ar voador, Junho embora. Animais pensativos em pastagens não cercadas; pessoas solícitas, propícias, não vorazes, na ponta de lá das frases; sinos prolongando o bronze crepuscular da aldeia cimeira de campos; o envelhecimento sem remorsos morais dos objectos (o pente, a escova, os chinelos, o bule, os retratos dos amados).
São agora as dez e meia da noite, não vou turvar nem perturbar as aves que adormeceram a segunda-feira mesma da minha vida.

*

O leve veludo é todo do olhar que atiras
aos subúrbios vãos, às tristes pessoas.
Isto da minha vida é demandar lisboas
que tu já não queiras e não firas.

*

Arredei da vã esperança o vinho amargo,
bacalhau a pataco é poesia.
Eu ando p’r’àqui calado o mor do dia,
eu colho o meu morango, o meu espargo.

Tu és das incertezas a mais certa,
revolves lodos fundos a noite toda.
Dev’rias tu chamares a ti’ Alberta
– ou Gertrudes, Mercedes, que se foda.

Só qu’ eu arredei o vão vinho da esp’rança.
Sem vinho, não se dança, não se se diz.
Eu era p’ra ter sido só feliz,

mas ele há coisas, coisas que um homem
petiz passado a jovem desconsidera.
Arredei. Espera: acordei. Agora, espera.

*

Falo da fila de salgueiros de sentinela ao rio,
uma tarde debruada a ouro-azul.
Falo da estival sede do estio.
Digo o nunca ter chegado ao sul.

O norte é a morte, pois pudera.
O magneto chama a quem odeia e a quem ama.
Falo do bordado vegetal que inflama
o ínvio inverno à flor da primavera.

Sou um salgueiro-da-Babilónia, olá.
Sou um rapaz daqui, disto aqui, de cá.
Sou o avoengo filho: anáfora genética.

Nos lapsos dos dias, atendo a poesia.
Faço-o aliás quase todo o dia,
que sempre muito me dei eu à estética.

*

A larva (a parva) da palavra não me larga,
só me laureia, Laura, a pevide.

*

Disponho ainda de algum tempo para perfilar.
Os momentos existem, um pão e uma garrafa de água no saco não hão-de impedir as pernas de ir-a-ver. Auras azuis dormem ao alto do sal do mar, janelas amarelas podem bem ser um ouro-de-latão-tipo-pobre. Hei-de seguir justapondo-palavras. Na volta, um prato de sopa ferverá a minha paciência quase santa. E silhuetas de (de)lírios branquearão a dentição vegetal da mordedura do dia. E estas ruas não parecerão (não perecerão) tão desertas. Isto eu digo uma segunda-feira em Coimbra, instaurada fria a noite, Junho embora afora.

*

Pertenço a esta Cidade Toda Luz: uma de suas sombras sou. Derivo obliquamente como uma árvore beira-fluvial por o Rio que Ela é. Tu entendes isso, quando me sento no lugar-do-morto do teu carro, da tua vida, da minha Cidade.

ROSÁRIO DE ISABEL E DINIS seguido de OUTRAS FLORAÇÕES POR ESCRITO - 42. FALA-ME-TE - Leiria, quarta-feira, 1 de Junho de 2011



42. FALA-ME-TE

Leiria, quarta-feira, 1 de Junho de 2011

Cumpro o meu luto, cumpro a minha luta.
Num café chunga dotado de mulheres que vozalteiam foda-se-caralhos sem grumos linguais. Primeira tarde de Junho, o ar e a luz abafam ainda da compressão trovoeira do ido Maio. Uma vaga ânsia pela restrita eternidade da época balnear. Uma ânsia não tão vaga assim quanto ao resto, rosto incluído. Resistir, não ceder a pensar descoroçoadamente no que fiz/tenho feito da minha vida. Abençoar os últimos dias lidos: L. P. Hartley, Alberto de Oliveira, Marcel Proust, Alfred Döblin.

*

Estou como necessito (e não posso deixar) de estar: cercado pelas minhas personagens tão vivas quão anónimas: a gente dos cafés, das ruas, das praças, das repartições, dos destinos cruzados e justapostos em regelante combustão. Pessoal que fuma Chesterfield porque o Marlboro está pelas horas da morte; cavalheiro de voz palhetada a metal seco perorando contra o aumento do IVA; velho magro de relógio (ainda) Timex no pulso com quisto sebáceo; senhora de saia-casaco (tudo cinzento: cabeça da senhora, olhos da senhora e saia e casaco); careca integral (sobrancelhas incluídas) como aquele árbitro italiano dado a protagonismos (i)mediáticos; trabalhador da Câmara emborcando à pressa uma çúrvia gelada; um sôtor que fuma Português Suave; adolescente tardia no proscénio da auto-adoração tipo-TVI; a minha mão esquerda vigiando o formiguismo compulsivo da irmã dextra. À vista, uma cabeleira tília transparece à luz aurífera. Um homem passa dizendo à mulher:

– Um quilo de arroz ou coisa assim.

Em coeva dimensão, floresce-me na cabeça de dentro uma pandora livre de verbo’stantivos interamnenses: insuficiência popular portuguesa; operariado do Barreiro e da Covilhã; ultramontanismo à Viseu e à Rio Maior; os pintores Lima de Freitas e Henrique Medina; os doutores de Coimbra-imbra-imbrinha; uma pratada de arroz-pardo riscada de vinagre; flausinos e flausinas do hipópe com as calças descaídas ao rêgo do cu; a susceptibilidade tísica de Nobre, o messianismo socialista de Antero, as cafeteiras consecutivas de Oliveira Martins, o rancor e as pêras verdes de Fialho, a mulher responde ao homem:

– Eu dou-te o arroz.

*

O castel’alto vive de horas mortas.
Somos romeiros de que orago?
Não rectas, as noites são tortas.
São tortas, bem no sei, olha o carago!

*

Isto vai. O meu corpo não, mas eu sim, estou numa divisão fresca com mapa-múndi na parede cravejada de pontos de ouro (o sol filtrado pelos interstícios do estore quase todo cerrado). Sinto-me bem, sem pressa, presa fácil da imaginação. A Collier’s, a Britannica, o Larousse e o Guia Horário da Ferrovia do Tua garantem-me possibilidades infinitas. Um cadeirão forrado a couro castanho tem por sentinela um cinzeiro de pé-alto. Em dois minutos, o chá está pronto. Só não tenho corpo para o tomar, nem traseiro para o cadeirão, nem boca para cigarros – nem cigarros.

*

Agora em uma quinta com álea de pereiras-de-inverno, rosa-dos-ventos coroando nora e poço, a casa dos animais paredes-meias com a do forno da broa, a casa dos Senhores levitando fantasmas à corrente-de-ar-e-décadas, os jardins encordoados de buxo, o celeiro sufocante e a adega gelada, a eira fissurada onde não mais batem – jamais rebaterão – os varapaus nas pepitas de milho: e em torno o grande pinhal lustroso de esmalte como o mar e como o mar grande e profundo e alto.

*

Fala-me do enforcado e do século dele,
do padre e do regedor que o mandaram
matar por falta de dízimo e de portagem.

Fala-me do médico que se enamorou
do cavador para quem o amor não era
coisa que se cultivasse sem o perdão de Deus.

Fala-me da estrada que se fazia vidro
no estio coronário da infantil respiração,
lá quando as nespereiras enferrujavam já.

Fala-me das vaginantes cabras acordando
na rapaziada o sobressalto tão abaixo
da fusão dos leites, do sangue, do tremor.

Fala-me da melancolia regular como o mênstruo,
da cal das tardes, do musgo das sestas,
da babilónia das aves assobiando o açúcar dos figos.

Fala-me da infância, do qu’é feito dela,
da Zabela, da Carminda, da Lucinda, d’Alice,
fala-me e diz-me da não eterna meninice.

Fala-me da nossa ida gente da nossa vida,
das tardes largas e brancas como linhos de casamento,
das noites puras até doer na boca insone.

Fala-me do trevo-em-flor-mijão ao mordisco,
do grilo em fuga atarantado de mijo na toca,
dos papagaios de papel-de-seda, meia cana, cola-de-farinha.

Fala-me do rei que mataram a tiro no Terreiro,
o rei que mataram a tiro como vi eu fazerem
aos bois mansíssimos no matadouro industrial.

Fala-me de quando Fundições, Porcelanas, Silos, Cerveja,
Têxteis, Caldeiras, Fiações, Hialurgias, Camionagens,
de quando tudo funcionava e era normal tudo.

Fala-me de tudo, mesmo que nada me ensines,
mesmo que, afinal, eu me fale sozinho e por
anáforas, esses reinícios que renascimentos não são.

Ou cala-te,
cala-te-me,
então.

*

A maior parte das lojas fechou já,
muitas não reabrirão amanhã.
Mecânicos e carpinteiros bocejam nas oficinas,
as almácegas apodrecem à inclemência.

Os salgueiros-da-Babilónia pranteiam
os murchos rios que outrora
corriam, sem que lho mandassem,
caminho do mar, quais petizes felizes.

O meu país é o que Lisboa não quer,
Poeta, que o mar culpa não tem,
Ruy.

*

Leiria, Avenida dos Combatentes da Grande
Guerra. A Caixa de Crédito é ao lado
da Casa Evangélica. Naquela, é receber
agora e pagar depois. Nesta, pagar
já e receber depois a-ver-vamos-ou-
-não.

*

Melíflua, bondosa, fluida, benigna
Língua minha:

permite ’inda que me viva
a gente que amei e me amou
na inconsútil seda dos anos
sem descafeinados nem urologias,
sem abatanados nem oncologias,
sem amalucados nem malvasias
– e só completas noites e longos dias.

Em troca, ó Benigna,
ó Bondosa, ó pura Rosa,
ó Língua minha,

reviver-te-ei cada dia meu
em tua noite sem meças.

Mais te não peço,
menos me não peças.

*

Espumo pelos cantos da boca o salitre
português e sonoro dos nossos dias
sem culpa nem perdão.

Isto de ter língua e ser medíocre poeta
é como ter mar e não saber fazer barcos.

Mas espumar, espumo:
e todos os dias – e a prumo.

*

Daqui a nada saberei por certo
que quando de dois um deixa de ser,
o que fica, não fica
a ser mais um
que nada.

29/10/2011

Rosário Breve nº 230 - in O Ribatejo - www.oribatejo.pt - 27 de Outubro de 2011

No cu da esperança

É triste chegar ao outono da idade e descobrir que o futuro era afinal uma emanação do cu da esperança.
Também não é doce, à passagem pelas ruas, consultar os rostos dos vendedores de automóveis nos stands, que o ócio involuntário torna tão clone do dos papagaios empalhados.
Coisa boa não é, nem poderia ser, que este nosso país bonito e inerte se dedique a paradoxos quase risíveis como o do velório que antecedeu a autópsia (Santa Comba Dão), o do Sporting ir na nona vitória consecutiva, o da evidência de que comprar (e pagar) casa já só é acessível às vorazes e heterónimas namoradas do Pinto da Costa, o das marcas de roupas cheirarem tanto a fogueira de casório cigano, o das universidades venderem pós-graduações a quem nunca se graduou fosse no que fosse na meretriz da vida, o da obrigatória por decreto desautorização dos professores e dos polícias, o do orçamento da tropa não ser investido nos bombeiros e vice-versa, o da desqualificação dos recursos agrícolas, o das comendas por encomenda clientelar, os dos autarcazitos mui gordamente arrepimpados no lugar-do-morto dos Mercedes guiados por empreiteiros amigalhaços de cachucho no dedo, o do homossexual maçónico que sabemos homo e maçon por não trazer nada por baixo do avental, o da Igreja, sempre tão santa, tão comba e tão dão, impingindo-nos o dogma segundo o qual viver de joelhos é que é conforme os mandamentos de Deus, o do euromilhões sem sorteio que paga por nossa conta aos gestores públicos salários e prémios impensáveis fora de qualquer libreto de opereta pornográfica, o das parcerias público-privadas com que a água de todos se torna no conhaque de alguns e o do Sporting ganhar há nove jogos seguidos, não sei se já vos tinha dito.
O resto é digno da nossa passividade: a imoralidade pulha dos euroeconocratas, a secura intelectual do senhor Presidente da República, o desastre do coiso, o Angélico, ’tadinho do menino, a graxa capilar do Ruas dos municípios, a papeira lípida do Proença dos sindicatos, as inaceitáveis subvenções mensais vitalícias dos ex-deputados, as intoleráveis frotas BMWeiras dos figurões capatazes das empresas ditas públicas e o Sporting ainda ganhar o décimo se nos não pomos a pau com as conquistas de Abril ou lá o que era aquilo de, antanho, a poesia ter saído à rua, lá no cu da esperança.

23/10/2011

ROSÁRIO DE ISABEL E DINIS seguido de OUTRAS FLORAÇÕES POR ESCRITO - 41. SONHO E ROGAÇÃO - Leiria, segunda-feira, 30 de Maio de 2011




41. SONHO E ROGAÇÃO

Leiria, segunda-feira, 30 de Maio de 2011

1.
Sonhei que voava dentro do mar, um mar sem nome nem descobrimento, sem peixe e sem coral dentro, dentro desse mar sonhado um homem sonhou-se voando enquanto outro, dormindo-o, não voava nem tinha nome nem se me descobria.

2.
Não renegues nenhum dos teus nomes, os teus pais deram-te essa moeda única para que aforrasses uma (id)entidade única também. 

ROSÁRIO DE ISABEL E DINIS seguido de OUTRAS FLORAÇÕES POR ESCRITO - 40 - Leiria, domingo, 29 de Maio de 2011



40. CÃO SEM E COM CASA

Leiria, domingo, 29 de Maio de 2011

Sou agora o filho de dois mortos.
No limiar da noite de domingo, sento-me sozinho num café e espero em escrita. Nada peço, tudo passa. A caminho daqui, vi duas palavras no chão. Caído de uma montra, um papel disse-me:

ÚLTIMOS DIAS

Percebi a mensagem, claro que sim. Depois, no veludo crepuscular, vi num relvado um casal de melros muito vivos. Penso tê-los compreendido também. Juntei passos de areia na Cidade, não parei. Recolhi o episódio arterial de pensar enquanto respiro. Passei por uma escola de línguas, voltei a desejar aprender alemão. Depois, sentei-me neste café. Sentei-me neste canto do café e pus-me a interrogar a razão funda de, na mesma Língua, beleza e tristeza rimarem tão bela e tristemente e tão triste e belamente. Um homem recorda a outro um rapaz da Nazaré que morreu em Moçambique num naufrágio durante a guerra. Somos actores de uma peça reescrita a cada momento. Tocamos os limites da fala. Os da incomunicação, também. À tarde, estive num bosque. As aves livres trilhavam músicas altas. Senti o perfume, recolhi dois panos de eucalipto, ouvi o trabalho vertical da seiva nas árvores tão vivas quão os melros do anoitecer.
Sim, sou agora o filho de dois mortos.
Estou vivo na sequência de um amor que vivificou décadas, muitas. Uma espécie de glória reborda a ouro o meu coração. Sinto a portugalidade desta batalha diária contra o esquecimento e em prol do amor. Não esquecer é um ofício duro. Também é repor interminavelmente um filme num cinema vazio de vivos. Sentado no café, terminando-se o domingo. Encerraram portas já os restaurantes. Os pequenos impérios particulares vigoram sobre os humildes regimes: salas-de-estar e televisores estúpidos, roupeiros e máquinas-de-lavar-roupa. Órfãos, sobrevivos – somos parelhos. Rulotes de bifanas na noite, corpos de pé integrando mostarda, cerveja. A aragem arfando, frescura quase fria. Contentores do lixo, polícias retardando imediações rodoviárias, estátuas apascentando a eternidade improvável, urbana. O Val Kilmer num final do canal Hollywood. A Nicole Kidman também, essa gardénia australiana. A nossa Língua acrobatando perícias e lírios e delírios. Barcos que derivam a noite dos peixes. A morte tóxica de Sir John Franklin e de toda a tripulação que ele comandou em demanda da Passagem Noroeste. A Beleza. A Pureza. Ser um filho de dois mortos.
Sou, sou um filho de dois mortos.
Ambos estrumam mármore, duas datas vezes duas, flores, serviços imemoriais, tendas de feira popular, apertos de coração, arroz-de-ervilhas, algumas frases que recusam caducar tanto silêncio, tanta noite sem eles. Junto a um lume franco, o meu corpo em ignição verbal. Os dentes das pessoas, as roupagens com que enfrentam a intempérie, as décadas. Ambos não podem já amar, podem só (sós) ser amados. É domingo ainda, a noite estende seus rios arteriais, sou um episódio. As crianças e as galinhas foram já recolhidas. Lá muito em cima, as estrelas engendram zodíacos eternamente provisórios e falíveis e faláveis. Cá muito fundo, certo arroz-de-ervilhas, certos crepúsculos na Figueira da Foz com ela, certas frases melhoradas por ele.
Sou pai de duas vivas.
Elas juvenilizam as áleas por onde, em flor, perpassam. Vejo-as sempre que posso. E quanto posso lhes peço. Leio-as assim:

PRIMEIROS DIAS

*

Um homem tatuado sem perna direita. Um dos quatro homens no café. Cada um em sua mesa. Ele fala para o homem que tenho mais perto, atrás. Chama porcas a duas mulheres que, no passeio, o não ouvem. Queixa-se de o terem roubado, ele não sabe quem, não sei eu também se suspeita delas. O telemóvel, dez euros. Bebe tinto. Dois homens mais, entretanto. Um ao balcão, outro a uma mesa sem companhia. Domingo quase acabado. O dos meus bastidores despede-se, sai, é absorvido pela noite. O sem-perna monologa. Continua a queixar-se do roubo. Tem um saco pequeno e preto. É de testa franca, bons maxilares, barba regular, orelhas diagonais. Só tem um pé. As duas mãos não são más: possuem uma latência (uma força). Nunca o vi partilhar com alguém uma mesa. A televisão distrai-o, finalmente. Silencia-se-lhe a boca, não os olhos. Camisola de cavas cor-de-laranja estampada de florações psicadélicas. Calções toldo-de-praia: vermelho-brancos. Fuma Ritz. Sobrancelhas finas de corista-Parque-Mayer. Lentidão de pálpebras. Monossílabos górjeos. Um lobo sem pata na estepe da noite. Uma armadilha cardíaca, dentada. Claro que sim. Distraio-me por instantes dele. Um homem de cabelo lacado, atirado da orelha direita à esquerda com tinta preta, trabalho e vaidade. Velho. Pescoço de galinha, fato cor-de-verde-ranho, sapatos-de-vela baratos, meias cor-de-leite-creme-desmaiado. (O perneta vai-se embora. Estou quase mais sozinho do que toda a minha vida.) Seis seres ingressam na torrente quieta do finidomingo. Desinteressantes, todos: dois pares de mamas-mortalhas e quatro rapazolas-haxixe. Bonés hip-hop, cós de calças em descaio-mostra-o-rêgo. Cigarros, refrigerantes. 23h27m. Preparo os meus apetrechos, os despojos a que pertenço. Vou para casa.
Um homem sem casa é um cão. Com casa, também.

22/10/2011

ROSÁRIO DE ISABEL E DINIS seguido de OUTRAS FLORAÇÕES POR ESCRITO - 39 - Coimbra, quinta-feira, 26 de Maio de 2011



39. DECLARAÇÃO

Coimbra, quinta-feira, 26 de Maio de 2011

Por minha palavra e honra minha que com toda a força amo quem amo. A minha gente enriquece-me todos os dias.
Nunca fui pobre. As pessoas a que pertenço, toleram-me a sombra e as sombras: compreendem-nas. São homens e mulheres ante quem me sinto sempre em estado de graça.
O meu amor por este povo restrito faz de mim uma criança vitalícia moderadamente alta. 

19/10/2011

Rosário Breve nº 229 - in O Ribatejo - www.oribatejo.pt - 20 de Outubro de 2011


© Pawel Kuczynski



Dio com cio

A minha gata está com o cio. Acho que foi esta a forma que o relógio biológico dela encontrou para se associar à multitudinária crise socioeconómica dos nossos dias.
Têm sido horas tremendas: tanto para ela, que se chama Dio (diminutivo familiar para Dionísia), como para os milhões de anónimos que por todo o lado tão (o)ciosa e justificadamente manifestam a sua indignação.
Para mim também, acrescento: todo o dia e quase toda a noite ela geme agudamente pela casa, esfregando-se no chão como uma alternadeira felpuda e bigodosa. Quando a ansiosa natureza deste fenómeno lhe permite uns momentos de repouso, ela dorme enroscada na sua virgindade de gatita de terceiro-andar urbano, permitindo-me a mim assistir ao noticiário. Fraca ilusão: cada noticiário a repete, à Dio com cio, multiplicada por milhares e milhares de pessoas gemendo agudamente por praças e ruas de cidades que vão de Faro a Berlim e de Santarém a Nova Iorque.
A começar por ela, todos esperamos que estes dias acabem. Eu não tenho dinheiro para lhe alugar um gato de cobrição, nem, tendo-o, disporia de meios para lhe sustentar a inevitável ninhada resultante desse tão cioso e ansioso amor. No outro plano, sou apenas um corpo na multidão e um grito apenas sob o mesmo cartaz que inscreve a revolta de toda a gente sem presente nem futuro por causa e culpa da selvajaria criminosa do hipercapitalismo internacional e das roubalheiras “legitimadas” do morredouro doméstico em que a lusa parvónia se tornou.
Aquilo da Dio, enfim, terá solução. É dar tempo ao tempo e ócio ao cio. Quanto ao resto, não sei. Obliteradas e trocadas por cifras, as pessoas e as populações são meros gatafunhos estatísticos: coisas sem alma equivalentes a unidades de crédito e a ferretes de débito com que os éfèmis brincam aos patinhos nas azulíneas piscinas em forma de rim das suas pornograficamente sumptuosas vivendas.
Mas, ainda assim, sou capaz de, na próxima manifestação de indignados em frente ao circo parlamentar, levar comigo a Dio. Tenho a certeza de que, sem procurar muito, ela encontraria um gato-pingado da política que a sustentasse com os nossos subsídios de natal e de férias.

13/10/2011

Rosário Breve n.º 228 - in O RIBATEJO - www.ribatejo.pt - 13 de Outubro de 2011



Não há Jardim que não dê em Flores

Não é verdade que só uma pessoa baixa seja capaz de baixezas. Não é verdade que só uma pessoa vulgar seja capaz de vulgaridades. Acredito que Moita Flores concorde com isto, até porque aparece muito na TV e no Correio da Manhã, o que sempre faz dele uma espécie de celebridade na pastelaria mais próxima. Não há problema algum nisto. O problema está nos gajos que se lhe opõem em Assembleia Municipal, esses “vadios”. Esses “miseráveis”. Esses “amorais”. Esses “populistas”. Esses desidratados sem “pingo de dignidade”.
Desses oponentes, não sei. De mim, sei. E sei que não tolero a ninguém o mínimo resquício insultuoso, iracundo, vilipendiador, truculento – que é como quem diz, para Moita perceber, malcriado.
Parece que o senhor é despachado a ferver em pouca água, fazendo uma tempestade num copo da mesma. Também parece que o senhor pensa que o Tejo é o Atlântico que rodeia a triste Madeira. A mim, parece-me que o senhor se pensa uma espécie de heterónimo do bronco que lá manda. Mas Santarém não é o Funchal. Santarém não pode sequer parecer-se com o Funchal. Ou com o Circo Royal.
Vou dizer-lhe uma coisa para o senhor se lembrar: miserável é chamar miserável a alguém legitimamente representante do povo em sede de assembleia municipal. A alguém ou a uma opinião. É miserável e é amoral. Também é miserável prometer e não cumprir. Também é amoral escudar-se no fiasco do aeroporto da Ota-Alcochete para justificar o injustificável, a saber: a colossal dívida aos bombeiros, às associações, às IPSS, ao padeiro e à quermesse de rifas da feira. E Alcanede, Achete, Amiais de Baixo, Ribeira de Santarém… Também é não ter um pingo de dignidade vociferar tais baixezas e vulgaridades que tais. (Assim como dá pena que o era-para-ser-presidente da Assembleia, Pinto Correia, lhe permita ser desbocado à vontade. O senhor Correia deveria comprar um espelho, a ver se nele topava algum otorrino capaz de lhe curar as “orelhas moucas”.)
Lembro-me de Moita começar a aparecer na pantalha que fabrica estúpidos à velocidade da luz. Então, não era ainda autarca, a bem da Nação e de Santarém. Então, era tão-só um ex-agente da PJ. Barba tisnada de alegada profundidade. Olhos de suposta meditação. Palavrinhas monocórdicas daquele saber de eventual experiência feito. Nunca me enganou, porém, o senhor. O senhor e pessoas como o senhor dão pele de balão a esta nossa época de coloridas coisas vácuas. Dão, dão.
(Vê o senhor como se descompõe alguém sem ter de se ser malcriado, baixo e vulgar?)




06/10/2011

Rosário Breve nº 227 - in O Ribatejo - www.oribatejo.pt - 6 de Outubro de 2011

Natureza-viva

Ela aproxima dele a boca dela, que é de uma frescura húmida de bivalve. Beija-lhe, lentíssima, a vista direita, depois a outra, depois, mui célere, a testa, as rosas do rosto, o queixo, a garganta e o peito, em que lateja o cachorro grato do coração. Um ricto de volúpia freme os lábios dele, o beijado.
Isto passa-se manhã muito cedo, na paragem que espera o primeiro autocarro do dia. A recatada distância, sou todo de uma atenção munida de discreta dioptria periférica. Estamos ali os três, mas eles são dois só que só são um (do outro). À beira do meu primeiro meio século de idade, conformo-me com a naturalidade de tanta tão amorosa mocidade, alheia embora ao meu corpo redactor, me encantar tão sem apelo e com tanto agravo.
O corpo dela é da mesma substância do olhar com que ela olha: espécie de água colorida daquele castanho refractário próprio dos pardais e dos outonos que douram tanto a espera quanto a demanda. Ela emana um perfume hipnótico, que vos tento fazer sentir chamando-lhe éter lácteo.
O corpo dele é presidido por um rosto inimputável, de que são adjuntas a boca sem jurisprudência e as mãos pesquisadoras do ouro branco do colo dela, onde a alvura apertou o lenço da neve.
Estão eles naquela mútua adoração – e o autocarro que, felizmente, não chega. Sinto-me bem: do outro lado da rua, uma vivenda cercada de rosas viço-variega explosões quietas em fragrância; um cão deitado pensa no castelo da colina, onde outrora cadelas-infantas exerceram os alvarás do mais régio cio; e eu sinto-me bem, perto destes dois que se amam sem horário a favor da mútua (a)do(r)ação.
O autocarro chega, eles embarcam, eu não, decido ir a pé, chego tarde aonde me esperavam.
– Então, perdeste o autocarro ou quê? – atira-me o Chefe.
– Quê – respondo eu. E esclareço:
– Estive na paragem do autocarro a ver a jovem mãe com o filho ao colo.

03/10/2011

ROSÁRIO DE ISABEL E DINIS seguido de OUTRAS FLORAÇÕES POR ESCRITO - 37- CARA BELA E CARAVELA - Leiria, terça-feira, 24 de Maio de 2011 (fragmento 1)


© William Klein

Horn & Hardart, Lexington Avenue1954-55




Frequento sítios tão reles, ou rolas, quanto a minha literatura.
Mais do que esta são porém aqueles humanos – humanistas mesmo, direi, à imagem dos despojos-destroços da nossa era quinhentista.
Nos bastidores do que escrevo (terça-feira, 24 de Maio de 2011, Leiria), um bêbado e uma desgovernada namoriscam cuspos cúpidos.
As sentenciosas frases e os impropérios biliares do casal parecem-me equivalentes à doutrina de portugal-portugal-portugal-salazar-salazar-salazar, só que 37, só que 500 anos depois dantóniodoliveira e de donjoãosegundo.
É uma nocturnidade lusa, um rescaldo de bebedeiras génio-genitais, uma portugalidade atiròfoguete-apanhàcana.
É uma tristeza, também.
E também: estes são os meus versos.

Leitura dos jornais da manhã de sábado, 1 de Outubro de 2011 - recorte e costura

NB: De vez em quando, dá-me na mona para recortar jornais no sentido da reorganização das mensagens. Sábado passado, deu isto:


Leiria, sábado, 1 de Outubro de 2011

LEITURA DOS JORNAIS DA MANHÃ

Um fogo, cujo corpo foi encontrado,
anunciou ontem ter chegado.
As autoridades descartam a companhia de uma mulher
à frente de dois filhos menores em Alenquer.

Tendo a mulher sido atingida,
num prazo não superior ao risco de vida,
o valor em causa avança a medida
autora e brasileira de avenida.

Dois homens constituídos tinham (ao que isto chegou)
32 e 37 anos de haxixe e colisão frontal.
“Não tenho qualquer interesse”, provocou
a fragata D. Francisco de Almeida local.

Respeito e dignidade e José Maria:
Castelo Branco esteve na origem de gente
da  investigação da indignação e da orgia
que visam a vontade louca, precisamente.

Peças de prata, Alice, lançaram casal
anteontem à noite, na Guarda, à resistência.
Só tinha, até aqui, o terror de Setúbal
e um Opel Corsa encapuzado comercial.

Sem nada no interior por tentar,
tentou atear criança à companheira.
O furto de 19 ovelhas foi brincadeira,
que Regina não consegue identificar.

Dois objectos de ouro abriram um buraco
em Santa Leiria da Catarina, Alijó.
Acabaram  por fugir sem mais tabaco
ao fisco e à própria mãe, que vive só.

Criança nonagenária abriu inscrições
estando a Europa já toda a arder.
Sem meias medidas e até sem calções,
ela tinha o resto, pois tinha de ter.

O furto é fruto da arma de caça.
Queimado num pé, atirou-se ao chão.
Extinto o mato (zona de Alcobaça),
desfez-se em cobre na ocasião.

Rogatória, incerta, antiga, imputável,
Olímpia não vive só por esticão.
O filho é gravíssimo mas localizável.
Já o resto do gang, só por coacção.

O crime ocorreu a prova de 100 metros
em Jerusalém à porta de casa.
Acordo ortográfica gera dialectos
às línguas de Braga e da Faixa de Gaza.

A agência de Arcos foi morta a tiro
por certo fiscal de inocência provada.
Indícios propícios vão invadir o
Duarte Lima de uma assentada.

Pescado ilegal, por ser imaturo,
e Passos Coelho (mas por acidente)
garantem às vítimas passaporte futuro
tresloucado, emocionado, jantado e diferente.

“Andava um pouco estranho”, citando a NASA,
que é a NATO do espaço inato ao almoço.
A epilepsia da bruxa não casa
nem com Odemira nem com aquele moço.

Firmino não foi ferimento grave.
Transportes urbanos não são solução.
Momentos pânicos embatem na trave
por culpa solteira do Hospital de S. João.

Santarém nas Caldas, culpas no cartório
e sais minerais “do pé para a mão”
revelam quem foi, nítido e notório,
o autor galês da violação.

O caso arrasta-se no ramo vidreiro
desde que a empresa roubou Azevedo.
Em linha-agonia, de dia, o pedreiro
culmina em alarme e cheio de medo.

Cortada durante várias madrugadas,
a Banda da Força Aérea ficou sujeita.
Hoje, realiza duas caminhadas:
uma a Belém e outra à Benfeita.

Referenciou a PSP de Almada
material explosivo (bairro social).
Foi rezada missa por alma da
Via de Cintura Interna da Instrução Criminal.

Bastão de açúcar e arma extensível
estão obrigados ao inchar do IVA.
António refere “situação explosiva”,
mas a neta, enfim, “era compreensível”.

Cais não Cascais, quer não Alenquer,
dádiva de sangue de Simone de Oliveira:
cabe a Paulo Bento escolher,
de meados de Junho até quarta-feira.

“Isto é uma farsa”, diz o Presidente
da Musical da Atalaia, por cavalaria.
Cavaco, nas Canárias, lançou a semente
que nasceu às 13 em grande euforia.

Candeias avessas de fim de Verão
são úteis ou fúteis, dona TVI?
Nos Estados Unidos e no Afeganistão
nem vão para lá nem saem dali.

Justiça penal, um debate crucial
entre os faróis da Guia, Espichel e Sardão.
Riscos de insolvência para a Associação
tão linda e tão bela das Farmácias de Portugal.

“Hoje está em crise, mas era rentável”
uma funcionária violenta em Loulé.
Detida e levada, dada por inimputável,
comparece às cinco no Cais do Sodré.

Terrorista de Benfica, fã do clube islâmico
da águia encarnada ao peito suspensa,
foi presente do Irão ao solo vulcânico
que rege da Luz a fé mais imensa.

Mínimas e máximas (valores continentais):
Bragança, 11-28 (isto, se não for mais).
Beja, 17-32, Vila Real, 15-29.
Buraco na Madeira e nos Açores chove. 

Canzoada Assaltante