Friday, September 24, 2010

Rosário Breve nº 173 - www.oribatejo.pt



Sedução de tua mesma senhora



Posso ajudar-te, ó meu masculino leitor, a dizer o que dizer deves da e à tua mesma senhora. Assim: Nasce do lado do rio a água dos olhos da minha dama. Azul, verde e negro participam dela a coloratura castanha. Dela, o peito incha lactações tremendas. É de pés alados, ícaros não: que o Sol poder não pode derreter a marmórea cera caminhante. Unhas lavadas e lavada boca de morango bífido. Ancas potras, coxas excelentes – e um ar suspenso de meio lábio, como de quem quase se lembra do meu nome. Até às compras é bela, o belo incêndio do cabelo entre detergentes, legumes, vinho de cozinha e toalhetes húmidos. Húmida sim, ela toda, quando firma o olhar fluvial no nada que sou, a ela cotejado quando a olho. Bonita como um azulejo. De linhas que ao caule da gardénia dão imitação naturalíssima. E fragrante e flagrante como uma manhã de sol: tal senhora, aliás minha, é pires de açúcar deixado à janela para formigas que pássaros quiseram ser.
De tudo isto, ó meu leitor masculino, retirarás aprendizado e tença. Diz-me depois, te o peço, como correu com a tua, depois de isto lhe haveres dito.

6 comments:

dromofilo said...

"Conselho de raposa, morte de galinha". Vou tentar, Abrunheiro, vou tentá-la, vou tenteá-la...

daniel.abrunheiro@gmail.com said...

Tenta-a e tenteia-a.

fj said...

isto si, é sedução. dediquei-lhe um post no meu mercado.

Anonymous said...

"coloratura castanha"?
Importa-se de explicar?
Desculpe a minha sincera ignorância.

daniel.abrunheiro@gmail.com said...

Esta é das tais coisas que não têm explicação.

Anonymous said...

... creio que iria provocar desconfianças quanto ao meu estado de consciência. Mais vale não arriscar tanto e fazer apenas uns elogios mais modestos.