Thursday, March 03, 2016

Rosário Breve n.º 446 - in O RIBATEJO de 3 de Março de 2016

O Buraco de Abrantes não é só de Abrantes



1 O mundo local não carece de universalidade. A nossa parte mundial é urbe que vale orbe. A horta do meu vizinho Fernando é toda a Agricultura. A garagem onde o Né faz rolhas? É a Indústria toda. O Café da Rita? É todo o Comércio. O Desporto? É a sueca-lambida da Associação Recreativa, Desportiva e Cultural. A Educação é a catequese-aos-sábados e as explicações da Menina Patrocínio. A Política tão depressa é na Assembleia da Junta de Freguesia como no Teatro-Circo (fundado ainda D. Carlos I e Último respirava.) E cada vez que me escanhoo, confiro ao espelho a decrepitude da Humanidade toda que há. Posto isto, falemos agora do buraco da/na Avenida de D. João também I, em Abrantes.
2 Há coisa de um ano que o irrequieto munícipe abrantino José Baptista anda a moer a paciência à sô-dona Maria do Céu Albuquerque com a resistência daquela chatice no chão. A edil, népias. Ora, o buraco local não carece de universalidade. Ah pois não. Daí que eu creia com razoável quilate de firmeza que não apenas a onomasticamente celeste Maria Primeira daquela formosa & antiga cidade se deva inculpar no cartório. Ah pois não apenas. Porquê? Simplicíssimo: porque, de cada vez que uma câmara faz népias, a dita edilidade abre buracos na democracia mesma que lhe dá origem. É desassombradamente, pois, que o buraco de Abrantes também boceja desleixadamente & desconsoladamente se arreganha em/por toda a Estremadura e por (quási) todo o Ribatejo. (Já lá vamos ao “quási”.) Ah pois é: o buraco de Abrantes também aparece na Nazaré, em Alcobaça, nas Caldas da Rainha, em Óbidos, em Peniche, no Bombarral, na Lourinhã, no Cadaval, em Torres Vedras, no Sobral de Monte Agraço, em Arruda dos Vinhos, em Alenquer, em Rio Maior, no Cartaxo, na Azambuja, em Benavente, em Coruche, em Salvaterra de Magos, em Almeirim, em Alpiarça, na Chamusca, na Golegã, em Alcanena, no Entroncamento, em Torres Novas, na Vila Nova da Barquinha, em Ourém, em Tomar, em Ferreira do Zêzere, em Constância, no Sardoal e em Mação – tudo participa do buraco-buraquinho-buracão. É do tal factor-népias. Por respectiva ordem, são pois inculpáveis os senhores & as senhoras homólogos/as de Maria do Céu: Walter Manuel Cavaleiro Chicharro, Paulo Jorge Marques Inácio, Fernando Manuel Tinta Ferreira, Humberto da Silva Marques, António José Ferreira Sousa Correia Santos, José Manuel Gonçalves Vieira, João Duarte Anastácio de Carvalho, José Bernardo Nunes, Pedro Paulo Ramos Ferreira, José Alberto Quintino da Silva, André Filipe dos Santos Matos Rijo, Pedro Miguel Ferreira Folgado, Isaura Maria Elias Bernardino Morais, Pedro Magalhães Ribeiro, Luís Manuel Abreu de Sousa, Carlos António Pinto Coutinho, Francisco Silvestre Oliveira, Hélder Manuel Ramalho de Sousa Esménio, Pedro Miguel César Ribeiro, Mário Fernando Atracado Pereira, Paulo Queimado, Rui Manuel Lince Singeis Medinas Duarte, Fernanda Maria Pereira Asseiceira, Jorge Manuel Alves de Faria, Pedro Paulo Ramos Ferreira, Fernando Manuel dos Santos Freire, Paulo Fonseca, Anabela Gaspar de Freitas, Jacinto Manuel Lopes Cristas Flores, Júlia Gonçalves Lopes de Amorim, António Miguel Borges e Vasco António Mendonça Sequeira Estrela.
3 Arguto & atenta, o meu Senhor-Leitor & a Senhora-Leitora minha terão notado de imediato que do rol de crateras supra-desfiado não consta o angelical, o seráfico, o querubínico, o duas vezes Gonçalves e uma vez Ribeiro santareno autarca Ricardo. Ah pois não. Nem ele, nem Santarém. A excepção é regrante: em Santarém, os Josés-Baptistas não são inocentes como os anjinhos de papelão das procissões tão do agrado ó-p’ra-mim do herdeiro de Moita Flores.  São, bem pelo contrário, perigosos agitadores esquerdelhos a soldo da Rússia (ainda) comunista & da China (ainda) maotrotskysta. Ah pois são. Os buracos que possa haver pela terra do grande Bernardo Santareno – são eles & são elas que os escavam de noite para poderem andar aos berros de dia. E se não é assim como digo, há-de ser pior pelo que não sei. Saber, todavia, sei isto: que em Santarém o Buraco não é de calçada. É de poder.
4 Ah pois é.




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