Thursday, May 29, 2014

Rosário Breve n.º 360 - in O RIBATEJO de 29 de Maio de 2014 - www.oribatejo.pt



Vai uma chanfanada?

1. Não me lembro se já V. contei ou não a anedota mais intelectual que conheço. Passa-se com duas cabras.
Estando ambas muito omnívoras numa lixeira, acontece que uma delas encontra num monturo a bobina do filme E Tudo o Vento Levou. Curiosa, a outra pergunta-lhe:
– Então  ’tás a gostar?
Ao que a protagonista responde:
– Hum, gostei mais do livro.
Não sei bem porquê (mas sim, sei bem porquê), emergiu-me à memória & à mão esta graciosa fábula quando, e logo que, me foi dado saber que, na sequência e em consequência da pírrica “vitória” do PS nas recentes Eleições-dizem-que-Europeias, Costa se prepara para confrontar e apear, de frente e de vez, o inseguro Seguro. A recorrência da cena das cornúpetas mastigadoras justifica-se, penso eu: é que, à bobina do actual líder cor-de-rosa, muita gente prefere a versão paginada do edil de Lisboa. Não sei se estais a ver o filme…
2. O eventual sorriso que, mercê da história das vorazes cabrinhas, possa ter-Vos ajudado a aflorar à labial comissura encontra paralelo, julgo, noutra boa notícia para a lixeira que somos: corremos para Bruxelas com o Marinho da ANOP, vulgo Doutor e Pinto. Canastrão dos costados, truculento de feições como de interjeições, cabotino não raro, o referido e súbito arauto do ecologismo humanista do MPT pode, espero eu mui bem que sim, autodesprotagonizar-se, por assim dizer, das pantalhas telerradioactivas, onde tem sido tão ou quase tão assíduo quão o tisnado e cabisbaixo Moita Flores e o efabulador José Hermano Saraiva que Deus tem se tiver. Desse filme, gosto eu – armado em portador de fendido casco.
3. Por esta altura da crónica, já consabido e avisado está o meu Leitor de que a semana me deu para o anedotário. Sou dado a ridentes vilezas, confesso. Mas nem sempre. As mais vezes, tendo mais para o sorumbático, para o bilioso, para o linfático & para o triste gozo. É até mais difícil apanharem-me a rir do que ao edil Ricardo Gonçalves em alguma procissão, esse jogging das alminhas veneradoras & obrigadas. São manhas minhas: para não chorar, rio-me. Como suponho que o mesmo Costa a esta hora mesma faz, ao avesso do que se desfaz, por este instante, o desmesmo Seguro.
4. Por aí cabritando alegorias, resta-nos o cada vez menos Bloco e cada vez mais de Esguelha. Aquilo da bicefalia comandatária não é coisa, digamo-lo assim, nem muito sã nem muito louçã. A miúda não convence. E o pachorrento Semedo também não. O esvaziamento salta às vistas. Suponho que a marijuana não fica legal tão depressa quão o casamento gay. E é pena: porque é analgésica, porque faz rir e porque é erva. Ora, toda a gente sabe quanto, havendo-lhe acesso, as cabras preferem o herbáceo natural ao incidental lixo. Mas, é claro, tudo depende do bicho.
Ou da cabra que se apanhe, seja na biblioteca de casa, seja num cinema perto de si, aqui na Lix’Europa do nosso desconsolo.

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