Thursday, December 17, 2015

Rosário Breve n.º 436 - in O RIBATEJO de 17 de Dezembro de 2015






R. & A. mas é 


Às 08h43m de quarta-feira, 16 de Dezembro de 2015, Cavaco ainda não tinha aparecido a garantir aos Portugueses que o BANIF merece toda a confiança pela óbvia razão de porque-sim. E todos sabemos que o senhor Silva e a Madeira se entendem bem, sempre se entenderam bem, que são panela & testo, Roque & Amiga, etc. & etc. E quão ele é infalível guru em imbróglios económico-financeiros. E quão nada duvidosos são os seus enganos, aliás nenhuns, jamais-em-tempo-algum. E quão a Academia sueca já há q’anos o deveria ter nobelizado – se não com a Economia, ao menos com a Paz. Ou com a Literatura, que o Churchill também dela foi agraciado – e mais era gordo e bebia e fumava.  
Às 08h56m da mesma matina, o facialmente barbado mas politicamente imberbe edil de Santarém ainda não tinha percebido a relação causa-efeito entre estudo de mobilidade e estado de imobilidade. Nem que o pandemónio evitável da Estrada da Estação é um atestado a céu-aberto de que a puerícia e a política autárquica não são panela & testo, Roque & Amiga, etc. & etc.
Às 09h03m, a entrevista de Sócrates à antiga têvê da Igreja ainda não tinha atingido as duas centenas e meia de repetições, o que é estranho. Muito estranho, aliás – posto estarmos na quadra em que estamos, acreditar no Pai Natal sempre nos faz mais bem do que mal.
Às 09h11m, a rábula triste do 2.º aniversário da morte dos praxados do Meco já não comovia nem revoltava senão os pais dos afogados – pela economia da comiseração, talvez. Ou pela saturação colectiva de um “jornalismo” baseado em ora-a-desgraça-seguinte-ó-fáxavôr. Ou porque as licenciaturas à la Lusófona não obstam a uma carreira no Ministério Público, muito pelo contrário talvez até.
Às 09h23m, um pardal pousou na grade do meu terraço. Cessei imediatamente de mexer-me. Nem um caracter crónico inscrevi no papel virtual enquanto aquele atirador de voos livres sentinelava a realidade a partir do meu promontório de terceiro-andar. Foi só quando partiu que voltei a contar minutos, esses grãos de areia que ao rio da vida assoreiam.
Às 09h29m, os agricultores de horta-para-a-panela (sem testo) ainda não eram licenciados todos em Fito-Farmácia, nem mestrados em Nitrato-do-Chile, muito menos doutorados em Couves-Esquizofrénicas-de-Bruxelas, havendo inclusivamente a suspeita de nem todos terem, sequer, o 12.º novo-oportunista das vacas-mais-gordas daquele senhor que está sempre a passar na TVI.
Às 09h32m, enrolei um mata-ratos e fui cuspinhar fumo & pedacitos de tabaco para o terraço onde há pouco o pardal. Era amena a temperatura, temperada a luz, luminosa a realidade. Mas atenção: é da realidade das 09h23m que falo. Levei trinca-de-arroz para o varandim. Pode ser que a ave volte.
Se voltar, faz de minha Amiga.
E eu faço de Roque só para ela.
O resto, que se banife mas é.




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